História de Disqueiro é a nova série da LRG Brasil e do selo Somatória do Barulho

Além de resgatar verdadeiras bombas dos bailes tupiniquins na série de compactos Candonga, a Somatória do Barulho também trabalha sério a serviço da música brasileira lançando represses de discos do peso do clássico Rap é Compromisso, do Sabotage, Eis o Omê, de Noriel Vilela, e Coleção Nacional, do Instituto. Capitaneado pelo camarada YôKa – cabeça pensante por trás do excelente projeto Pássaro Imigrante -, o selo preparou em conjunto com a LRG Brasil uma série de ações bem loucas para comemorar o Record Store Day, celebrado mundialmente no dia 22 de abril.

O primeiro resultado da parceria foi uma série de vídeos onde DJ Abud, Rodrigo Brandão, DJ Formiga, Hugo Frasa, Luba Construktor e Peba Tropikal relatam boas histórias que aconteceram na hora do garimpo. A collab entre as marcas também deu origem a uma camiseta, uma ecobag para os discos e um pôster ilustrado com a arte assinada por João Lavieri. Se você quiser arrematar seu pack, é só acessar o link ao final do post e garantir vosso kit – por honestos R$79,90 – na pré-venda. Como se isso não bastasse, ainda vai rolar na próxima sexta-feira festa de lançamento da collab na Patuá Discos com direito a discotecagem do mestre DJ Nuts. Grande oportunidade para vossa senhoria escutar boa música, ficar no style e ainda aumentar a coleção de long plays por aí. Vai perder?





Somatória do Barulho | LRG Brasil | Pré-venda Kit LRG x SDB

Conheça melhor a arte dos toca-discos no documentário Scratch. Confira na íntegra

Se você sentiu falta das atualizações do mangue em aneiro e fevereiro, pode ficar tranquilo aí desse lado porque a correria no nosso trampo convencional diminuiu bastante e agora vamos voltar com tudo aqui no perímetro virtual. Documentário produzido no ano de 2001, o vídeo Scratch traz direção e edição assinadas por Doug Pray, que explora o mundo do DJ na cultura hip hop desde o seu nascimento. Com depoimentos de lendas do toca-discos como Q-Bert, Mix Master Mike, Craze, X-Ecutioners, Premier, Shadow, Z-Trip, Babu e Nu-Mark, o filme retrata o nascimento da técnica de turntablism inventada – há controvérsias – por Grand Wizard Theodore e traz vários outros nomes que também aperfeiçoaram bastante os scratchs. Se você costuma acessar o Mangroovee e gosta das nossas indicações, pode chegar sem medo no player abaixo porque a película vai fazer a cabeça de vossa senhoria.

A cultura sound system vive. Assista ao curta da Coleta Filmes sobre o House Sounds

Elaborado pela produtora paulistana Coleta Filmes, o curta disponível no player abaixo apresenta a caminhada da equipe de som House Sounds, baseada na Zona Sul da cidade de São Paulo. O filme retrata como eles começaram a conhecer a cultura através dos bailes do Dubversão Sistema de Som e chega até os dias atuais, em que o time formado pelos seletores Daniel Pulga e José Roberto ocupa os espaços públicos da babilônia e climatizam o ambiente com vários discos jamaicanos. Trabalho brasileiro totalmente independente. Aperte o play porque a causa é nobre e os manos merecem vossa atenção. Vida longa!

Coleta Filmes

Assista ao novo episódio da websérie Raciocínio Quebrado, do Parteum

Já fazia um ano que o mestre Parteum não atualizava o canal do Youtube com novos episódios da websérie Raciocínio Quebrado. Durante esse intervalo, ele subiu na rede o EP Campanha, a trilha Mídia Prata/Prata e o single 01.01.16. Porém, na semana passada recebemos uma notificação no email e demos de cara com o vigésimo capítulo da saga de vídeos comandadas pelo paulistano. O integrante do Mzuri Sana apresenta outra aula de audiovisual no mais recente trabalho, que entrevista o grafiteiro Flip, o diretor One9, do documentário Time Is Illmatic, além de imagens de sessões de skate, shows, trabalhos de design e vivências com o senhor Chico Benedito, avô do Parteum. Trabalho muito bem feito…

Raciocínio Quebrado

Trocando ideia #12: DJ Basim é o campeão do DMC Brasil 2016

Somando mais de 15 anos na caminhada como deejay, nosso camarada e conterrâneo Daniel Egide, o DJ Basim, é a essência do Hip Hop. Iniciou seus primeiros passos como dançarino da Super Sonic B. Boys, primeira crew brasileira a competir no mundial de breaking, em Hannover, na Alemanha, no ano 2000. Quase duas décadas depois desse feito histórico, o rio-pretense voltou até o velho continente para representar novamente o Brasil como um dos quatro elementos da cultura. Mas, agora, a história foi diferente e o sangue bom do Basa teve a missão de comandar os toca-discos na etapa mundial do DMC, o campeonato mais importante do mundo em matéria de turntable.

Aproveitamos a deixa e escalamos nosso irmão Plínio Rozani, diretor de toda a parte audiovisual do Mangroovee, para gravar um trampo com o campeão nacional. Então não vamos nos alongar muito porque o conteúdo abaixo explica melhor toda a história do Basim e a rotina dele até a final da competição. Se quiser conhecer mais sobre os vídeos do mangue, o link do canal fica logo no final do post. Vida longa, DJ Basim. De São José do Rio Preto para o mundo.

DJ Basim | Essa Fita Memo

Acompanhe Arthur Verocai “No Voo do Urubu”, novo disco do maestro brasileiro

Em um ano marcado por várias tragédias e polêmicas mudanças políticas nos quatro cantos do mundão, a música continua cumprindo o papel dela e vem sendo o melhor remédio para amenizar o atual cenário do globo. Além da estreia de Mano Brown com o álbum Boogie Naipe, 2016 também chegou com novas obras assinadas por totens como De La Soul, A Tribe Called Quest, Common e Sabotage. Arthur Verocai é outro nome que seguiu o fluxo e, aos quarenta e cinco do segundo tempo, tirou da manga o disco No Voo do Urubu, que saiu pelo Selo SESC.

Com shows de lançamento marcados para os próximos dias 16 e 17, no SESC Pompéia, em São Paulo, o trabalho homenageia a cidade do Rio de Janeiro e marca a volta do mestre oito anos depois de lançar Encore, último registro de inéditas. Verocai climatiza o voo do urubu com dez faixas onde você confere Seu Jorge, Danilo Caymmi, Lu Oliveira, Vinícius Cantuária, Mano Brown e Criolo colaborando na maior categoria sobre os inconfundíveis arranjos do maestro brasileiro.

Entre todos os sons do repertório, destacamos o groove do instrumental Na Malandragem, além de O Tempo e o Vento, Cigana, O Tambor, Oh! Juliana, e Minha Terra Tem Palmeiras. Se você também é fã das composições escritas por Verocai nas décadas passadas para nomes do peso de Célia, Elis, Jorge Ben e Marcos Valle, sugerimos que encoste no player abaixo e confira como ele continua em grande forma ao lado de nomes mais novos da música brasileira.

Arthur Verocai

Ouça na íntegra o excelente disco Jota 3 – Amplificado por Digitaldubs

Conhecemos o trabalho do carioca Jota 3 há pouco tempo. O primeiro som dele que ecoou aqui no mangue foi a faixa Balada do Justiceiro, que traz a produção assinada por uma das nossas preferências, o DigitalDubs. Depois da audição de estreia, saímos no garimpo à procura de outros trampos assinados por ele e demos de cara com a certeira produção Não Corte Seus Dreadlocks, de 2013, onde o cantor divide as linhas com o britânico Pablo Rider e solta a voz sobre a base produzida pelos manos da Groove Corporation (G-Corp).

O single Tempo de Revolução, lançado há quatro meses, chegou para dar a letra que o melhor ainda estava saindo do forno. Eis então que semana passada, mais precisamente na sexta-feira, o rasta concebeu o excelente disco Jota 3 – Amplificado por Digitaldubs. Além da parceria de longa data com o Sound System do Rio de Janeiro, o álbum ainda traz as lendas jamaicanas Sly & Robbie, mais BNegão, Jeru Banto, Pedro Seletor, Twilight Circus, Vibronics e grande elenco nas 10 canções da trilha.

A reunião desse time foi responsável por dar vida, na nossa humilde e sincera opinião, ao melhor lançamento brasileiro do ano em matéria de reggae. Delays, echos, reverbs e grave muito bem equalizados, batendo forte da primeira até a última tune. Além dessa capa louca demais, o registro ainda une boa música e mensagem consciente na mesma receita. Ajude na propagação chegando nos players, compartilhando o som aí na sua área e colando nos shows. Vida longa, Jota 3.

Jota 3

Vídeos da semana: FloFilz, Síntese, MF Doom, Mano Brown, Karol Conka e Kool Keith

Após algum tempo sem atualizarmos o site com os melhores vídeos da semana, encontramos uma brecha nesta sexta-feira e passamos a peneira nos mais recentes uploads do Youtube. Iniciamos a viagem com Síntese e o single Deconstrução, que traz Rafael Kent assinando a direção do trabalho. Depois você confere o produtor alemão FloFilz ao lado da cantor Olivia Wendlandt of Relaén no registro da track Nuvem, além do vilão MF Doom e Kool Keith com o clipe de Super Hero.

Ainda selecionais o audiovisual de Karol Conká na produção Maracutaia e finalizamos o post na companhia de Mano Brown e Lino Krizz com o trampo do som Amor Distante. É só encostar nos players abaixo e entrar no clima do final de semana, gente boa. Valeu!





Síntese | FloFilz | MF Doom | Kool Keith | Karol Conká | Mano Brown | Lino Krizz

Ouça Rato Miúdo, música inédita de Gilberto Gil censurada pela ditadura em 1975

Se você também gasta suas moedas comprando discos, é bem provável que já tenha arrematado alguma pepita com uma ou duas faixas totalmente riscadas. E a culpa disso não foi do antigo dono, muito menos do tiozinho do sebo aí da sua área. Governantes da época da ditadura brasileira como, por exemplo, Emílio Medíci e Ernesto Geisel, criaram a Censura Federal, orgão responsável pela triste missão de checar todos os álbuns tupiniquins e, consequentemente, estragar todos os sons que pudessem fazer o povo raciocinar sobre o triste estado do país naquele tempo.

Escrita por Jorge Alfredo, a música Rato Miúdo incomodou tanto os donos dos bons costumes daquela nebulosa época que não chegou nem a ser lançada no clássico disco Refazenda, de 1975, do Gilberto Gil. Ela foi removida pelo governo antes mesmo da prensagem. E agora, 41 anos depois, o J. Alfredo revelou a track e explicou em uma nota no site dele o motivo da censura. “Rato Miúdo foi censurada por causa do refrão que reproduzia os dizeres do meu certificado de reservista: ‘por ter sido julgado incapaz, definitivamente, podendo exercer atividades civis’. Gil teve que retirar a música do show e do LP Refazenda, e não colocou nenhuma outra no lugar”.

Aproveita enquanto o Temer não deleta conteúdo do YouTube e chega no play para escutar o que não era tolerado pelos fascistas daquela época. Valeu por liberar essa, Jorge.

Gilberto Gil | Jorge Alfredo

Trocando ideia #11: Rodrigo Brandão e o primeiro disco do BROOKZILL!

Desde quando ficamos sabendo sobre o projeto BROOKZILL!, formado pelo R. Brandão (Mamelo S.S.), Ladybug Mecca (Digable Planets), Prince Paul (De La Soul/Gravediggaz) e Don Newkirk (Funk City), propagamos a mensagem emitida por eles. Escrevemos uma prévia sobre o trabalho aqui no site, colocamos os singles na programação da Rádio Educativa e também falamos várias vezes sobre o trabalho na página do Facebook.

Conforme foi chegando a hora do lançamento, acionamos o sangue bom do Rodrigo Brandão e conversamos com ele a respeito da primeira obra do combo. Gente fina até umas hora, o paulistano atendeu o mangue e falou sobre a pepita, a relação com os Orixás, o processo criativo, além da banca pesada presente nas participações especiais. Não vamos alongar demais porque a entrevista rendeu bastante. Enquanto você escuta o registro Throwback to the Future , leia a ideia e entenda melhor sobre o trampo em questão. AXÉ!

1 – Ano passado você apareceu com o 3rd World Vision, que trouxe vários nomes pesados da música nacional ao lado do Del The Funk Homosapien. A Ladybug Mecca também fez parte desse trabalho. É correto falar que o 3rd World foi o embrião do Brookzill?

Rodrigo Brandão: Na verdade, é o contrário: o 3rd World Vision surgiu quando o disco do BROOKZILL! estava 93% pronto, inclusive a faixa com o Del. Foi a parceria da gente que gerou o contato para ele vir até o Brasil pela primeira vez, em 2012, com o Deltron 3030. E aí, nessa ocasião o DJ PG jogou um vinil nacional na mão do Funky Homosapien e acendeu a fagulha que gerou o 3WV.

2 – Em relação ao processo criativo, você passou um tempo na gringa com os caras, eles vieram para o Brasil ou o trampo foi feito na base da distância? Explica aí como foi isso.

Rodrigo Brandão: Tanto eu fui quanto eles vieram. A gente fez questão de estar na mesma sala durante o processo todo. Nos inspiramos na magia inerente à música feita antes do advento da internet. Sabemos que a energia gerada pela presença de todos na sala é maior que nossos poderes individuais. Até por isso demorou para ficar pronto.

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3 – O disco traz várias participações especiais. Fafá de Belem, Kiko Dinucci, Espião, Ogi, Del, Count Bass D, Juçara Marçal, Elo, Brian Jackson, entre outros. Como foi reunir toda essa banca?

Rodrigo Brandão: Foi natural, porque o santo bateu em todos esses casos, na maioria deles é amizade de longa data. Considero uma benção gigante! Foi um prazer, viver música com quem me inspira é das maiores alegrias do Ayê! Mas também foi necessário: a gente sempre atendeu aos pedidos da canção e boa. Se a faixa tem cantora convidada, outros MCs, três percussionistas, é porque a gente ouviu isso no som. Jamais fizemos escolhas deliberadas ou pautadas pelo potencial comercial. A música é quem manda!

4 – A trilha traz várias referências aos Orixás e alcança o ponto alto nesse sentido na excelente faixa Terreiros, que fala sobre os três tambores da Curimba e vários nomes de entidades. Até que ponto a vivência no candomblé influência você na hora de escrever?

Rodrigo Brandão: Influencia 100%! São os Orixás que trazem a inspiração, dão o AXÉ, abrem os caminhos e tornam tudo Odara! Sem Eles, nem teria o som.

5 – Saindo um pouco do tema central e continuando no lado espiritual, gostaríamos de saber quais discos nacionais você indicaria para quem tiver afim de entender melhor a relação entre música brasileira e Orixás.

Rodrigo Brandão: É uma gama muito vasta de música maravilhosa feita no Brasil em louvor aos Orixás, mas lá vai uma trinca básica:
Os Afro-Sambas de Baden Powell & Vinícius De Moraes (1965, Forma).
– Orquestra Afro-Brasileira (1968, CBS).
Os Orixás (19xx, Som Livre).

6 – A gente se ligou que o álbum vai sair em vinil. Tem alguma previsão de lançamento para o disco físico? E Assim como rolou com o 3rd World, podemos esperar algumas datas com todo o time reunido em solo brasileiro?

Rodrigo Brandão: Já existe uma conversa entre a Tonmy Boy(gravadora responsável pelo trabalho) e um distribuidor brasileiro especializado em vinil, há de acontecer. Quanto aos shows, é um sonho que vai virar verdade na hora certa.

BROOKZILL!