Programa Mangroovee #52: Jay Dilla, Elza Soares, Brazilian Groove Band e Bob Marley

Seguimos firme e forte na batalha aqui desse lado para deixar vossa senhoria por dentro de tudo o que ecoou na edição de número 52 do Programa Mangroovee. Transmitido pela Rádio Educativa FM no dia 8 de fevereiro, o capítulo em questão prestou homenagem aos totens Jay Dilla e Bob Marley, que completariam aniversário na semana em que nossa atração foi ao ar.  Enquanto o primeiro bloco embala o radinho com produções de Jay Dee para The Pharcyde, Little Brother e Mood, o segundo chega com três clássicos de autoria da lenda jamaicana. Completamos a missão na tranquilidade e ainda selecionamos a rainha Elza Soares, Baiana System, Brazilian Groove Band e Helio Matheus. Você só precisa apertar o play para deixar a quinta-feira muito melhor.

História de Disqueiro é a nova série da LRG Brasil e do selo Somatória do Barulho

Além de resgatar verdadeiras bombas dos bailes tupiniquins na série de compactos Candonga, a Somatória do Barulho também trabalha sério a serviço da música brasileira lançando represses de discos do peso do clássico Rap é Compromisso, do Sabotage, Eis o Omê, de Noriel Vilela, e Coleção Nacional, do Instituto. Capitaneado pelo camarada YôKa – cabeça pensante por trás do excelente projeto Pássaro Imigrante -, o selo preparou em conjunto com a LRG Brasil uma série de ações bem loucas para comemorar o Record Store Day, celebrado mundialmente no dia 22 de abril.

O primeiro resultado da parceria foi uma série de vídeos onde DJ Abud, Rodrigo Brandão, DJ Formiga, Hugo Frasa, Luba Construktor e Peba Tropikal relatam boas histórias que aconteceram na hora do garimpo. A collab entre as marcas também deu origem a uma camiseta, uma ecobag para os discos e um pôster ilustrado com a arte assinada por João Lavieri. Se você quiser arrematar seu pack, é só acessar o link ao final do post e garantir vosso kit – por honestos R$79,90 – na pré-venda. Como se isso não bastasse, ainda vai rolar na próxima sexta-feira festa de lançamento da collab na Patuá Discos com direito a discotecagem do mestre DJ Nuts. Grande oportunidade para vossa senhoria escutar boa música, ficar no style e ainda aumentar a coleção de long plays por aí. Vai perder?





Somatória do Barulho | LRG Brasil | Pré-venda Kit LRG x SDB

Trocando ideia #15: O singjay Likkle Jota e a cultura Sound System

Oriundo da cidade de Coroados, no interior do Estado de São Paulo, Likkle Jota é um dos singjays – combinação de cantor e deejay – que vem ganhando cada vez mais espaço nos bailes promovidos por diferentes equipes de todo o país. Depois de passar alguns anos residindo em Campinas, o cantor mudou-se de vez para a capital paulista, onde coleciona apresentações ao lado de nomes como Quilombo Hi Fi e SmokeDub Posse, além de lançar os discos Ioruba Nation, de 2016, e Style N Fashion, que foi retirado do forno no último mês de março. Likkle ainda traz no currículo faixas com instrumentais assinados por Jeff Boto (Dubatak) e dubplates cortadas para sistemas de som como DeSkaReggae, Favela SS, Paz & Dub e Muamba Sounds.

Trocamos uma ideia com o protagonista da história sobre o início da caminhada, cultura Sound System, referências musicais e por aí vai. Aperte o play para conhecer o trabalho enquanto você lê mais uma entrevista na matriz do mangue.

1 – Você canta muito bem nas produções de reggae digital e também chega pesado nas sessões ao lado dos sistemas de som. Quando começou sua caminhada na música jamaicana e como surgiu a parceria com os Sound Systems?

Likkle Jota: Primeiramente, quero mandar um grande salve ao Mangroovee. É uma honra poder trocar essa ideia com vocês. Eu canto já faz um tempo e tive a chance de trabalhar com gêneros musicais como rap, samba, mpb, entre outros. Até que em 2013, quando fazia parte de um grupo chamado A RUA’NDA, fui em uma festa em Campinas, onde Flavio Rude, do Muamba Sounds, estava tocando reggae music. Me liguei que ele lançava vários instrumentais e perguntei se podia cantar. Desde então nunca mais parei. Ele me apresentou boa parte do que conheço hoje em matéria de Sound System. Também comecei a vir para São Paulo e o primeiro sistema que vi em ação foi o KASDUB, na pista de skate em Tiquatira.

2 – Ainda falando sobre a cultura Sound system, na sua opinião, qual a importância dela para o cenário do reggae nacional?

Likkle Jota: É crucial em vários aspectos. O sistema de som agrega conhecimento, referências históricas e um grande acervo musical. Acredito que as músicas tocadas nas vitrolas das festas de reggae trazem uma realidade mais próxima daquilo que vivemos no nosso cotidiano. Isso faz com que a gente coloque em prática algumas atividades que os jamaicanos também fizeram na ilha, mudando, de uma certa forma, a mensagem que chega até a sociedade.

3 – Quais são suas principais referências em matéria de emcees e produtores na música jamaicana?

Likkle Jota: Tenho como referência muitos singjays, gosto da gama de cantores vindos da Jamaica. Eccleton Jarret, Garnet Silk, Dennis Brown, Junior Reid, Nitty Gritty e outros. Além dos grandes deejays que me fogem a conta. Tenho muito respeito pelo trabalho do Knomoh (Quilombo Hi Fi), que foi quem me acolheu, produziu meus trabalhos e de vários outros artistas brasileiros. Falando sobre as produções internacionais, gosto muito do Mad Professor, Martin Cambpell e King Tubby. São mágicos.

4 – Você já comandou o microfone em diferentes bailes no Brasil. Entre todas essas combinações de som, qual foi a sessão que mais ficou marcada na memória?

Likkle Jota: Essa é difícil. Se tratando das sessões ao lado dos sounds, é muito raro quando não bate pesado. Todo baile tem sua particularidade, aquele momento que fica cravado na mente, principalmente quando canto com pessoas que deram inicio à divulgação dessa cultura no Brasil, os professores. Agradeço todas as oportunidades que foram concedidas até agora.

5 – O disco Style N Fashion apresenta novamente sua dobradinha com o produtor paulistano Jah Knomoh, que também trampou ao seu lado no registro Ioruba Nation, de 2016. Qual a importância dele em todos esses processos?

Likkle Jota: O Knomoh foi o primeiro produtor a acreditar no meu trabalho. Ao longo do tempo criamos uma amizade, morei na casa dele e vimos que gostamos de muitas coisas em comum. Somos pretos e temos a natureza como referência da luta e da força maior. Ele me ajudou muito na evolução como cantor e me ensina constantemente sobre vários aspectos do Sound System. Respect, Knomoh.

6 – Como foi todo o processo do seu mais recente álbum, Style N Fashion, e qual foi a sensação de colocar o registro na rua?

Likkle Jota: Após o lançamento de Ioruba Nation, de 2016, que é um disco mais voltado para a mensagem, bem roots music, tive a necessidade de criar algo que fizesse o povo esquecer um pouco dos problemas. Vivemos em uma babilonia que entristece, precisamos de um momento de diversão para o Eu e Eu. Resolvi homenagear os anos 80 do reggae, trazendo como referencia produções, temas e melodias da época. Após um trabalho de seis meses com riddins nacionais e internacionais, me vi na obrigação de colocar o trabalho na rua e nas plataformas digitais. Todo esse processo é muito difícil para artistas independentes, então criei um material humilde, mas de respeito, que estou entregando nos shows. A sensação final de dever cumprido é maravilhosa. Estou muito feliz com o resultado.

7 – Agora é com você, Likkle. Quem tiver afim de ter uma dubplate e levar o LJ para cantar no baile precisa fazer como? Quais são os seus contatos?

Likkle Jota: Muito obrigado pelo suporte, Mangroovee. Geral pode escutar minhas músicas nas plataformas digitais. É só pesquisar Likkle Jota no YouTube, SoundCloud, Spotify, Google Play, iTunes e por aí vai. Contatos para shows e dubplates: descendentedeleao@gmail.com ou pelo telefone (11) 9 4221-7442. Big Up e saúde a todos.

Likkle Jota

Vídeos da semana: NxWorries, 8 Barras, Karriem Riggins, Criolo e Evidence

Hoje é feriado, mas nós seguimos trabalhando aqui no perímetro do mangue para deixar vossa senhoria por dentro de alguns bons lançamentos que apareceram pelos lados do YouTube nos últimos sete dias. A gravadora californiana Stones Throw desembarca no site com três dos nossos artistas preferidos presentes no time do selo. Anderson .Paak e Knxwledge chegam representando o projeto NxWorries no vídeo da faixa Scared Money, além de Karriem Riggins com o trabalho audiovisual da música Bahia Dreamin´. Aproveitamos a passagem pelo ensolarado estado da terra do Tio Sam para garimpar a produção Throw It All Away, do Evidence (Dilated Peoples), que saiu há mais de uma semana, mas não conseguimos atualizar o site na sexta passada.

Depois é hora de voltar até terras brasilis, mais precisamente na cidade de Ponta Grossa, no Paraná, e climatizar o ambiente com o boom bap do segundo capítulo da série 8 Barras, que traz Bianca Hoffman(Philliaz), Adriano, Guilherme Guinomon e Tomate (Forma Única). Encerramos na cadência do samba Menino Mimado, onde Criolo encosta ao lado de vários instrumentistas da música brasileira e passa a visão sobre a corja burguesa de nariz empinado que vem comandando nosso país. Se gostar das indicações, compartilhe o trabalho aí na sua área. Valeu!!!





NxWorries | Forma Única | Philliaz | Karriem Riggins | Criolo | Evidence

Programa Mangroovee #51: Dr Drumah, SonoTWS, Matéria Prima, Twinkle Brothers e Soul Surfers

Aos poucos vamos voltando com nossas atualizações na matriz do mangue e agora é hora de você ficar por dentro de tudo que rolou na edição 51 do Programa Mangroovee. Fizemos nossa lição de casa e despachamos até a caixa de entrada da Rádio Educativa FM um arquivo embalado por grandes artistas em matéria de beats, rap, reggae, soul e muito mais. Transmitido pela estação rio-pretense no dia 25 de janeiro, o episódio em questão apresentou aos ouvintes faixas assinadas por Sono TWS, Dr. Drumah & Kzah 04 Records, The Soul Surfers, Durand Jones & The Indications, Sinkane, Gustavo Dread, Dee, Joey Badass, Matéria Prima, Martim Campbell, Gregory Isaacs, Peter Broggs e Twinkle Brothers. Já estamos há quase dois anos trabalhando em conjunto com a Educativa na propagação da boa música. Muito obrigado a todo mundo que torna isso possível. Bom feriado!

Assista ao vídeo da faixa O Vigia, da Três Pontos Records, de São José do Rio Preto

Camaradas de longa data aqui do Mangroovee, os amigos do selo Três Pontos Records colocaram ontem na rede o mais recente trabalho audiovisual da gravadora oriunda da cidade de Rio Preto, no interior de São Paulo. Nossos conterrâneos Coleti, Drop e Benfa mostraram que a caneta continua em dia e chegaram com muita categoria em cima do beat da faixa The Watcher, presente no clássico disco 2001, do mestrão Dr Dre. Os ex-integrantes do coletivo Reticência mandaram o papo reto sobre o atual momento do rap nacional, fazendo boas observações em relação ao novo público da cena e também sobre vários emcees que cagam pela boca. Você só precisa chegar no player abaixo para se ligar no clipe produzido pela DK Records e ver como os amigos da nossa cidade trabalham. Se vossa senhoria gostar do resultado, encoste no final do post e acesse os links para escutar o EP InTRAPdo, do Coleti, e o álbum IndiviDUAL, do Benfa & Drop.

Três Pontos Records | EP InTRAPdo | IndiviDUAL | DK Records

KL Jay troca ideia com o DJ Nato PK no novo episódio de Estamos Vivos

Depois de entrevistar Rincon Sapiência, Flow MC, Rodrigo Ogi e Shaw, o sensei Kleber Simões encostou na área do DJ Nato PK (Pau de dá em Doido) e trocou aquela boa e velha ideia sobre carreira musical, discos, equipamentos e influencias sonoras. Mais uma aula de carisma na excelente entrevista comandada pelo maestro KL Jay. Deixe o domingo muito melhor aí desse lado com o quinto episódio da série Estamos Vivos.

DJ Nato PK | Estamos Vivos | Pau de dá em Doido

Pegue carona com o produtor Bolin na beat tape Monzavinho

Primeiro trabalho lançado pelos amigos da Beatwise Recordings em 2017, a trilha Monzavinho, do Bolin, chamou nossa atenção bem antes da audição. O produtor da cidade de Santo Andre gerou grande expectativa por aqui depois de estacionar e emplacar a nave na cabulosa capa assinada pelo designer Thomas Bruck. Após manobrar o clássico modelo da Chevrolet, o beat maker equalizou os falantes, abriu as portas do carro e apertou o play para embalar a sessão com os instrumentais assinados por ele.

Acostumado a trabalhar com nomes como Jamés Ventura, Arnaldo Tifú, Diomedes Chinaski e Coruja BC1, Bolin faz sua estreia oficial em um trabalho solo nas produções presentes em Monzavinho. Além do remix da faixa O Amanhecer, do Elo da Corrente, ele também climatiza a jornada com outras seis tracks embaladas em baixos bpm’s. Entre todo o repertório, destacamos os sons Jazzy, Journey To High Vibrations, Sex e Pra Sempre. Se quiser pegar carona na viagem, chega no play abaixo para dar um rolê no carango do Bolin pelas ruas do ABC Paulista. Você pode – e deve – fazer o download do registro na BandCamp da Beatwise. Valorize o trabalho independente!

Bolin | Beatwise Recordings

Programa Mangroovee #50: Serena Assumpção, OQuadro, Inglês, J. Cole e King Tubby

O mês de março tá bastante corrido e tem hora que fica embaçado atualizar o site no ritmo de sempre. Em abril vamos voltar com tudo por aqui e você vai poder acompanhar nossas atualizações diárias. Embalamos o finalzinho do terceiro mês do ano com a edição #50 do Programa Mangroovee, que traz Serena Assumpção, OQuadro, Damatz, Rincon Sapiência, BK`, Inglês, Chinese Man, Atmosphere, J. Cole, Hard Rock, Culture e King Tubby. Você só precisa chegar no play abaixo e fortalecer o trabalho independente do mangue compartilhando a trilha aí na sua área também. Muito obrigado!

O MC Djonga chega com os dois pés na porta no disco Heresia. Ouça na íntegra

Não é tarefa fácil se destacar em um grupo onde os outros integrantes são Fabrício FBC, Clara Lima, Hot, Oreia e Coyote Beatz. E é exatamente isso que o Djonga consegue fazer com suas rimas na DV Tribo, uma das bancas mais originais da atual cena do rap tupiniquim. O MC de Belo Horizonte ecoou pela primeira vez nas caixas do mangue no som O Bom Maluco, produzido pelo lendário DJ Hum. Mas foram as participações dele no cypher Poetas no Topo, no remix Atleta do Ano, do MOB 79, e, principalmente, as linhas no single Diáspora que chamaram bastante nossa atenção. Citando referências da sétima arte como Tarantino e Spike Lee, além de escritores do calibre de Pablo Neruda e Mário Quintana, Djonga sempre chega pesado na caneta e ainda tem muita habilidade na hora de deslizar a levada sobre os beats.


Toda essa versatilidade fica comprovada mais uma vez nas 10 faixas do disco Heresia, que marca a estreia do mineiro em um registro solo. Lançado ontem pelo selo Ceia Ent, o álbum já encosta bem elegante na capa fazendo referência ao clássico disco Clube da Esquina, de Milton Nascimento e Lô Borges, além de ser embalado com batidas assinadas por Pizzol, Coyote, El Lif, DJ Murilo, DK Cost e Slim Beatz. Enquanto vários produtores somaram nos instrumentas, Djonga segurou a bronca praticamente sozinho nas linhas e convidou o BK para fazer o refrão de O Mundo É Nosso, a cantora YodaBren na track Santa Ceia e FBC tomou conta do interlúdio Irmãos de Alma.

O discurso de Djonga é uma injeção de ânimo aos seus semelhantes e coloca o dedo na ferida dos responsáveis pelas mazelas da sociedade brasileira. Independentemente da base ser trap ou boom bap, ele dispara o papo reto sem dificuldade nenhuma em todas as músicas do repertório. Entre elas, destacamos as faixas de número 3, 5, 6, 7 e 10. Aconselhamos que vossa senhoria pegue seu fone de ouvido e aperte o play para tirar suas próprias conclusões sobre a obra. E pergunta que fica é: “Como você se sente vendo um preto em ascensão?”.