Faça sua cabeça com os beats da excelente compilação Chillhop Essentials – Summer 2017

Estamos na correria braba aqui desse lado com os preparativos do próximo baile Chumbo Grosso, mas a gravadora holandesa Chillhop Music subiu na rede uma coletânea tão pesada que nos obrigou a parar por alguns minutos para abastecer o mangue com a trilha em questão. Como reza a cartilha do selo, eles antecipam o verão no velho continente com o lançamento de um compilado embalado por produções de diferentes produtores espalhados pelo globo. O novo capítulo da série Chillhop Essentials – Summer chega na maciota e deixa vosso café muito mais saboroso ao som de 22 faixas assinadas por nomes como Hazy Year, Vanilla, Poldore, Birocratic, Axian, Aso, Limes, The Cancel e grande elenco. Não vamos nos alongar muito mais porque a festa demanda bastante trampo, mas aconselhamos que você aperte o play abaixo para climatizar vossa segunda com música de primeira. Butter beats!

Chillhop Music

Ouça a fita de batidas Alecrim, do Projeto Sinestesia

Se você costuma entrar aqui no mangue para conferir nossas indicações musicais, provavelmente já percebeu que gostamos bastante de beat tapes. E hoje pela manhã, depois de passarmos o café preto ali na cozinha, viramos uma das esquinas da rede virtual e demos de cara com a fita de batidas Alecrim. Assinada pelos nossos amigos Haruan e Andino, que formam o Projeto Sinestesia, a trilha dos nossos conterrâneos vai deixar sua manhã muito mais agradável com uma combinação formada por instrumentais em baixos bpm’s e samples surrupiados em discos de jazz, funk, brazuca e soul. O ex-integrantes do coletivo Reticência, de São José do Rio Preto, colocaram todos esses ingredientes na receita e serviram a fita em oito porções que irão fazer a cabeça de vossa senhoria. Mídia independente apoiando música independente. Aperte o play!

Projeto Sinestesia

Família a serviço da boa música. João Donato e Donatinho lançam o disco Sintetizamor. Ouça

No comando da nave com o caçula Donatinho de copiloto, o toten João Donato continua incansável e, aos 82 anos de idade, segue encontrando tempo e inspiração para despachar música da melhor qualidade. O pianista deixou a sexta-feira bem melhor com o lançamento do disco Sintetizamor, que saiu hoje pelo selo brazuca Deck Disc. Retirado do forno um ano depois do excelente registro Donato Elétrico, o novo trabalho do mestre comprova que a boa música é passada de geração em geração na família. Gravado no estúdio Sinth Love, no Rio de Janeiro, a trilha tem a produção musical e os arranjos assinados por Donatinho. Enquanto o pai apresenta um currículo impecável, onde você encontra obras do peso de Quem É Quem e Lugar Comum, o filho vem trilhando o mesmo caminho no super combo Abayomy Afrobeat Orquestra e em colaborações ao lado de Sly & Robbie, Gilberto Gil, Djavan, entre outras lendas.

Depois de misturar boogie e funk no primeiro single da trilha, Lei do Amor, que segundo Donatinho sintetiza o disco, a dupla acabou de liberar no YouTube todas as músicas do repertório. Além de temas instrumentais como Clima de Paquera e Hao Chi, o álbum também embala sua tarde com referências latinas na canção Vamos Sair à Francesa e ainda apresenta vários elementos da disco music. Você só precisa apertar o cinto – e o play – para embarcar em uma viagem na astronave da família Donato pelo futurista universo dos sintetizadores.

João Donato | Donatinho

Muita ideia pra trocar. Confira a entrevista de duas horas dos Racionais MC´s na RBMA

Brasil colônia, início do grupo, treta na Praça da Sé, discografia, próximos planos e o trabalho desenvolvido nos bastidores do rap nacional foram alguns dos temas debatidos na ideia trocada entre os Racionais MC´s e o jornalista André Caramante (Ponte Jornalismo) na Red Bull Music Academy, em São Paulo. Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay abriram uma rara exceção para o festival idealizado pela marca de energético e concederam uma entrevista histórica, que foi transmitida ao vivo na página do evento no Facebook. Se você não conseguiu assistir na oportunidade em questão, pode ficar tranquilx porque já deram um jeito de colocar toda a conversa no famigerado YouTube. Então pode passar o café aí desse lado e aperte o play abaixo para conferir a visão dos quatro pretos mais perigosos do Brasil. Caso você esteja na capital paulista, não deixe de prestigiar o RBMA e, de quebra, visitar a exposição Três Décadas de História, que celebra 30 anos do maior fenômeno do rap tupiniquim.

*a entrevista começa aos 10 minutos e 37 segundos de vídeo.

Racionais MC´s | Red Bull Music Academy

Navegue pelas águas do jazz no novo disco da trompetista Yazz Ahmed, La Saboteuse

Dona de um currículo que traz trabalhos ao lado de nomes como Radiohead, Jazz Jamaica, Toshiko Akiyoshi, Max Romeo e Lee Perry, a trompetista e compositora Yazz Ahmed estreia aqui no modesto endereço virtual do mangue com o disco La Saboteuse – O Sabotador, em francês. Natural do Bahrein, no Oriente Médio, mas radicada desde os nove anos de idade em Londres, a mana despachou o álbum em questão no mês passado pelo selo Naim Jazz. Prensado naquele enxuto modelo de 180g e disponível em apenas 500 cópias – todas esgotadas, por sinal – o álbum embala vossa segunda com música de primeira ao som das 13 faixas do repertório.

Retirado do forno seis anos depois do long play Finding My Way Home, o novo registro de Yazz foi dividido em quatro capítulos, onde cada um deles traz uma ilustração diferente da talentosa artista britânica Sophie Bass. “Ninguém nunca tinha criado arte a partir da minha música. Foi muito especial a colaboração dela”, disse Ahmed em entrevista no Reino Unido.

Se você também gostou da capa, pode botar uma fé na indicação do Mangroovee e apertar o play porque o instrumental mantém a mesma qualidade do desenho. É só aumentar o volume e embarcar numa longa viagem pautada pelo jazz experimental, mas que também apresenta bastante psicodélia e várias referências sonoras do mundo árabe. Encosta aí, vai…

Yazz Ahmed

Programa Mangroovee #55: Luiz Melodia, Reflection Eternal, Pancho, Chosen Few e Coleti

Disparada pela antena da Rádio Educativa 106,7 no dia 5 de abril, a edição de número 55 da nossa saga radiofónica embalou o município de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, com música brasileira, reggae, rap, funk e muito mais. Prestamos uma homenagem ao mestre Luiz Melodia, que segue firme e forte na batalha contra o câncer, e também selecionamos Flora Matos, Reflection Eternal, Pancho, Coleti, Richard Ace, Chosen Few, Froid, Riddle, Mood, Pete Rock, Blu e Alton Ellis. A essa altura do campeonato, você já deve saber que embalamos a sessão com uma hora de muita música, sem intervalos comerciais. Então aperte o play e escute mais um capítulo do mangue pelas ondas das frequências moduladas. Não deixe de mostrar nosso trabalho para o(a)s amigx(a)s. Muito obrigado!

Rincon Sapiência mantém a elegância no primeiro álbum da carreira, Galanga Livre

A maioria do novo público do rap nacional ainda não tava por dentro do trabalho do Rincon Sapiência até o final do ano passado, quando ele lançou o vídeo de Ponta de Lança (Verso Livre). Mas é fato consumado que o Manicongo já servia música da melhor qualidade há bastante tempo. Basta vossa senhoria conferir como ele roubou a cena na faixa Porque Eu Rimo, presente no clássico disco Non Ducor Duco, lançado em 2008 pelo Kamau. Além do hit Elegância, de 2010, onde o emcee paulistano fez muito barulho na época com o clipe dirigido pela produtora Porqueeu Filmes.

De lá pra cá, Rincon ainda soltou excelentes faixas como Linhas de Soco e Andar Com Fé, participou da websérie Estamos Vivos, do KL Jay, e foi preparando o terreno para o álbum de estreia com singles do peso de A Coisa Tá Preta, Ostentação à Pobreza e Meu Bloco. Depois de ensaiar todas as jogadas e deixar o esquema tático redondo, chegou a hora do Sapiência, que jogou nas categorias de base da Portuguesa, entrar em campo na última quinta-feira com o primeiro disco da carreira, Galanga Livre.

Lançado pelo selo Boia Fria Produções, o álbum traz direção musical do mestre William Magalhães (Banda Black Rio) e apresenta o protagonista da história deixando a coisa cada vez mais preta em cada uma das 13 produções do repertório. O rapper oriundo da Cohab 1, bairro localizado na Zona Leste da capital paulista, chega ácido que nem brisa de hippie e desliza a levada sobre bases que trazem referências do blues, trap, afrobeat, afoxé, samba, entre outros. Como se isso não fosse o bastante, Sapiência também faz jus ao apelido canetando linhas relevantes que colocam o dedo em várias feridas do Brasil colônia.

Não sabemos aí desse lado, mas pelo menos aqui no nosso expediente as tracks Crime Bárbaro, Vida Longa, A Volta Pra Casa, Moça Namoradeira, Ponta de Lança e A Coisa Tá Preta são nossas preferidas. Musicalidade que vai muito além do universo do rap nacional. Você só precisa apertar o play abaixo para escutar o disco na íntegra e se gostar, faça o download ao final do post. Tá fácil demais. Aproveita…





Rincon Sapiência | Download Galanga Livre

Jumú

Trocando Ideia #17: Sono TWS e Laylah Arruda lançam o single Pequenos Templos

Dois grandes nomes da música independente tupiniquim que passam direto aqui no mangue e sempre atendem nossa equipe na maior camaradagem acabaram de soltar um excelente trampo na rede. Estamos falando do nosso amigo Sono TWS e da cantora Laylah Arruda, que trincaram a parceria e soltaram hoje pelo selo Tired Of People o single Pequenos Templos. Se você acompanha nossas atualizações, com certeza já escutou alguma das beat tapes do produtor oriundo de Jundiaí, no interior de São Paulo, e também conferiu o trabalho da paulistana no coletivo Feminine Hi-Fi ou ao lado da banda Santa Groovee. Trocamos uma ideia bem dahora com a dupla sobre a música em questão e vossa senhoria só precisa apertar o play abaixo enquanto confere a entrevista. Caso goste do resultado, acesse o link ao final do post e abençoe sua HD com a faixa.

1 – Você lançou muito mais beat tapes do que instrumentais em parceria com cantore(a)s. A faixa O Mundo é Música, que saiu no disco Jah Bless Ventura, do Jamés Ventura, foi uma exceção. Qual a diferença entre criar a batida para uma tape e fazer um trabalho com alguém cantando em cima da base?

Sono TWS: A diferença é que o processo criativo de uma beat tape é bem individual, diferente do trabalho feito em parceria com alguém. Tenho um arsenal de beats e procuro escolher as produções que tem a ver com cada pessoa. Quando rola a identificação, o trabalho flui. Ainda não tive oportunidade de criar um instrumental feito especialmente para determinado artista.

2 – Como aconteceu o encontro entre o trampo de vocês?

Sono TWS: Já éramos amigos e tínhamos conhecimento do trabalho de cada um. Até que certo dia conversamos sobre fazer algo em parceria e mostrei algumas batidas que tinha por aqui. Depois ela me mandou uma guia e começamos a desenrolar todo o processo. Gravamos as vozes no estúdio Dubatak Records, do Jeff Boto, e mixamos a música com o Tiago Frúgoli. Ficou tudo entre amigos e acredito que isso tenha colaborado bastante para o resultado final do som.

3 – Existe a possibilidade do trampo sair em compacto ou em algum outro formato?

Sono TWS: Vamos soltar esse som na rua e esperar a repercursão. Acreditamos que nesse momento não sairá em formato físico, mas no futuro quem sabe. Talvez cortar uns dubplates para experimentar nas festas. Temos interesse em manter essa parceria, acredito que quem ouvir a faixa vai perceber a sintonia do nosso trabalho. Mostrei vários beats para a Laylah, já separamos alguns e estamos deixando a natureza ditar o tempo, sem pressa.



4 – Depois do lançamento do single, quais são os próximos passos do selo Tired Of People?

Sono TWS: Entre julho e agosto vou lançar minha próxima beat tape, We Can Get Along, em cassete e pretendo soltar em vinil. Conversei com o pessoal de fora e estou pesquisando por aqui para ver se é viável ou não. O corre é independente, tudo tem um custo para sair do papel mas teremos novidades nos próximos meses.

5 – Já tínhamos escutado você cantando em várias vertentes ao lado da banda Santa Groove e em alguns riddims, mas nunca em um boom bap cheio de referências do jazz. Como foi soltar a voz no beat do Sono e, na sua opinião, quão importante é para o artista sair da zona de conforto e transitar por diferente vertentes musicais?

Laylah Arruda: A música jamaicana é o universo onde tenho mais experiência para plantar minhas composições. Já são 12 anos de atividade no cenário Sound System e isso cria uma familiaridade cada vez maior com o reggae e todas suas vertentes. O trabalho com meus irmãos do Santa Groove me ajuda muito a explorar outras vertentes que tanto gosto, mas ainda não tinha rolado a oportunidade de realizar oficialmente.

A cultura reggae de sistemas de som é uma grande escola porque apresenta um modus operandi em que o Toaster ou Singjay (meu caso, que é a emcee melódica) precisa se virar para encaixar a voz nos riddims que o seletor toca. Nada combinado, sempre no estilo livre. Além disso, quando falamos de dubplates (músicas exclusivas encomendadas por equipes ou seletores), a demanda é alta e fazemos vários temas em um único dia de estúdio. Isso exercita a capacidade de compor na hora e ser rápida no gatilho quando apertam o REC.

Acredito que essa bagagem me possibilite navegar por outros mares de um jeito mais massa. De fato, Pequenos Templos é uma saída da zona de conforto, mas eu encaro como um revival em certo aspecto. Meu primeiro mergulho real na música, como apreciadora e arriscando pequeníssimas gravações, foi fazendo Rap. Sinto esse trabalho como uma imensa realização de sonho. Algo que devaneava na adolescência e hoje posso concretizar exatamente com a sonoridade que sempre imaginei.

6 – A letra do som fala sobre relações afetivas, que é um tema bastante discutido nos dias atuais, onde tudo vira muito instantâneo e passageiro. Qual a mensagem que você tentou passar para quem escutar a faixa?

Laylah Arruda: Que não precisamos de muito para amar, mas devemos nos permitir. Em tempos de consumo, status e egos inflados, a gente parece mais correr atrás de legitimar o nosso avatar do que dedicar espaço e energia pra amar alguém. Então Pequenos Templos cria um universo do particular, de como cada pequena e delicada atitude cria castelos de emoção. E, pelo menos pra mim, isso é amar. Sem medos, sem rodeios, simples.

Laylah Arruda | SonoTWS | Tired Of People

Escute e baixe o novo disco do Curumin, Boca

Vem sendo embaçado atualizar o site com a frequência de sempre durante o mês de maio, mas nosso radar continua ligado para não deixar passar alguns lançamentos que são aguardados aqui no expediente do mangue. Os registros Boca, do mestre Curumin, e Galanga Livre, do ponta de lança Rincon Sapiência, saíram na semana passada e estavam na nossa lista há bastante tempo. O primeiro deles embala vossa tarde de segunda-feira ao som de 13 músicas assinadas por Luciano Nakata Albuquerque, que não chegava com faixas inéditas desde o disco Arrocha, de 2012.

Ao lado dos camaradas de longa data Lucas Martins e Zé Nigro, Curumin cuidou de toda a produção musical da trilha, que também traz as colaborações de Russo Passapusso, Indee Stylah, Rico Dalassam, Anelis Assumpção, Andrea Dias, Max B.O. e Iara Reno. Assim como em toda a obra do paulistano, Boca é mais uma prova de que o cantor/multi-instrumentista não fica na zona de conforto e consegue sair dela com muita naturalidade em busca de novas sonoridades. Ele se reinventa outra vez com uma receita balanceada por instrumentos orgânicos e produções digitais, diversas experimentações de estúdio, vários elementos das raízes sonoras tupiniquins e letras que refletem bastante sobre o nebuloso momento do país.

Entre todos os sons presentes na pepita, destacamos Bora Passear, Paçoca, Terrível, Tramela, Boca Cheia e Prata, ferro, prata. Encoste no player abaixo para conferir outra iguaria preparada com selecionados ingredientes pelo chefe  nipo-brasileiro. Caso você ache louco, acesse o site da Natura Musical – link ao final do post – e faça o download da sua cópia virtual. Vida longa, Curuma.

CuruminNatura Musical

Rolê Mixtape é a nova trilha assinada pelo DJ Formiga. Ouça e faça o download

Responsável por realizar uma excelente pesquisa em matéria de música brasileira e outros grooves mundiais, o paulistano DJ Formiga subiu recentemente no Mixcloud a mixtape Rolê, que surgiu a partir de uma sessão dele no projeto Jazz nos Fundos, de São Paulo. Integrante do coletivo Vinil é Arte, o deejay colocou no menu iguarias de chefes como Curtis Mayfield, Chali 2na, The Quantic Soul Orchestra e Xanadu, apertou o REC no estúdio Poeira & Pó e serviu o banquete sonoro no player abaixo. Aproveitamos o gancho da postagem e também colocamos aqui no mangue outra trilha assinada por ele, no caso, a Poeira Mixtape. Os dois registros são embalados somente com vinil e apresentam boas referências garimpadas pelo Formiga. Se tiver afim de começar a segunda com música de primeira, é só chegar no play. Download disponível ao final do post. Aproveita!


DJ Formiga | DL Rolê Mixtape | DL Poeira Mixtape