Programa Mangroovee #49: Thiago El Niño, Jards Macalé, DuSouto, The Officials e Luiz Melodia

Já estamos quase chegando até o simbólico episódio de número #50 na Rádio Educativa FM, de São José do Rio Preto. Muito louco ver como a transmissão alcança pessoas de todos os perfis possíveis e alastra a boa música em todos os cantos da nossa cidade natal. A sessão #49 traz novas faixas do produtor Vanilla e do MC Thiago El Niño, além de sons assinados por Outkast, Jards Macalé, Du Souto, Luiz Melodia, The Officials, Abayomy, Judah Eskender Tafari, Black Uhuru e The Officials. Você também pode escutar todos os trabalhos em nossa página no Mixcloud e/ou no portal dos camaradas do Hempadão Hempada. Valeu todo mundo que fortalece!

Trocamos ideia com o Matéria Prima, que acabou de lançar o vídeo de Sai Na Marra

A última semana foi bastante agitada porque estávamos correndo com a produção do nosso primeiro baile na Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte, onde estamos morando desde o início de 2016. E como já nos recuperamos da celebração, voltamos aos trabalhos virtuais para atualizar o site com a mais recente entrevista feita pelo mangue. Referência no nosso expediente desde sempre, o Matéria Prima, ex-integrante dos coletivos Quinto Andar e Subsolo, é mais uma vez a bola da vez na matriz.

Depois de lançar no mês passado o excelente disco 2 Atos, que traz produção musical na conta de Gui Amabis (Instituto), o MC mineiro abasteceu o YouTube no último dia 15 com o excelente clipe da faixa Sai Na Marra. Assinado pelo diretor Gustavo Amaral, responsável por dirigir também o clipe de Hahaha, do Rodrigo Ogi, o vídeo embala a levada de Matéria Prima com várias imagens de filmes blaxploitation.

Tínhamos trocado uma ideia com o protagonista da história em janeiro, logo depois do lançamento do álbum, mas devido à correria de ambos os lados, só conseguimos colocar agora a conversa no ar. Então chega no play para conferir a produção audiovisual e escute o álbum completo enquanto você lê a entrevista.

1 – A gente tá ligado no seu som desde a época do Quinto Andar. Você também fez parte do Subsolo, lançou EP e disco em carreira solo, além do trampo nos vocais da banda Zimun. Todos esses trabalhos sempre foram ligados ao rap. O disco 2 Atos bebe dessa fonte, mas você também sai da zona de conforto nas composições e solta a voz sobre diferente instrumentais, principalmente nas cinco primeiras faixas. Como foi o processo de criação e, na sua visão como artista, quão importante é sair dessa zona de conforto e se arriscar em outros estilos musicais?

Matéria Prima: Não estagnar. O risco se dá pela necessidade de descobrir os limites. O rap é um emaranhado de influências e a gente pode se espelhar de uma forma mais nítida em uma ou outra. O processo de criação é o reflexo disso. Esse disco foi feito em parceria com Gui Amabis na produção e participaram também Regis Damasceno, Dustan Gallas, Rica Amabis e Samuel Fraga. Um encontro muito interessante para fazer música, ainda mais vindo do rap, em que tudo é mais instintivo. Faço parte do Zimun, de Belo Horizonte, que ao longo do corre me proporcionou mais maturidade no desenvolvimento tanto da escrita quanto no canto.

2 – Na faixa 9, Sai na Marra, você cita o OGI, um dos nomes do rap nacional que também consegue transitar com naturalidade por diferentes vertentes sonoras. Na sua opinião, quais outros artistas da cena tupiniquim fazem isso de maneira bem feita?

Matéria Prima: Sombra, Criolo, Tassia Reis, Neto (Síntese), Black Alien, Lurdez da Luz, Elo da Corrente, Rodrigo Brandão, são alguns que experimentam e transitam bem entre outras vertentes sonoras.

3 – Ainda falando sobre o universo fora do rap. O que você escuta direto que os fãs das suas rimas não imaginam?

Matéria Prima: Porra, um monte de coisa. Tem fases. Tem hora que é puro rap, tem outra que é Christopher Cross, Chicano Batman, Little Beaver, Juçara Marçal, Gilberto Gil, Kiko Dinucci e por aí vai.

4 – O rap de Belo Horizonte também vem sendo muito bem representado por bancas como DV Tribo e Posse Cutz. Quem mais aí da área merece uma atenção especial?

Matéria Prima: Abu, Castilho, Well, Roger Deff, Shabê, Kainna Tawa, Tamara Franklin, Douglas Din e Kali. Somente citando alguns que estão na cabeça agora.

Matéria Prima | Zimun

Programa Mangroovee #48: DowRaiz, Pedra Branca, Dona Onete, The Dynamics e Rael

Um pouco antes da última virada de ano, mais precisamento no dia 21 de dezembro, comandamos os controles da Rádio Educativa FM em nossa sessão de número 48 e selecionamos faixas de DowRaiz, Pedra Branca, Thievery Corporation, THE DYNAMICS, The Wailing Souls, Planet Hemp, Leões de Israel, Rael, Black Alien, Daniel Yorubá, Dona Onete, Gilberto Gil, Gerson King Combo e Neguedmundo. Fique atento porque logo mais vamos chegar até o episódio #50 e tem novidade a caminho. Mostre nosso trabalho para sua família e amigos aí na sua área. O mangue agradece!

Programa Mangroovee

Thiago Elniño abre os caminhos com o excelente disco A Rotina do Pombo. Ouça e baixe

Conhecemos o trabalho do Thiago Elniño há três anos, quando ele subiu o clipe do som Meu Amigo Branco, que traz o sample da clássica faixa de mesmo nome da cantora Márcia Maria. Depois foi a vez dele aparecer rimando na batida assinada pelo curitibano Nave, na excelente produção Diáspora, onde ele chega certeiro como a flecha de Oxossí e fortalece as raízes africanas colocando o dedo na ferida em pautas como racismo e desigualdade social. A partir dai ficamos atentos a todos os lançamentos assinados pelo MC de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, e nos ligamos na última sexta-feira no primeiro disco dele.

Concebido na semana passada, o álbum A Rotina do Pombo é uma viagem sonora até as matrizes da Mama África que resulta em instrumentais influenciados pela música negra e cheios de elementos do reggae e do afrobeat. Totalmente à vontade e com muita propriedade dentro desse contexto, Elniño chega de corpo fechado e mente aberta passando a visão nas 15 faixas presentes no repertório da trilha. Os toca-discos fazem o papel dos sagrados tambores da Curimba e os Orixás abençoam a caneta do mano com letras do peso de Pedagoginga, Condado dos Surdos, Ubuntu, Não Conforme, A Cidade e o Movimento, Quem É O Movimento, entre outras.

O registro eleva o nível e fica ainda mais singular com as participações de Sant, Rincon Sapiência, Kmkz, Flávio SantoRua, Raony, Keops da Medulla, Tamara Franklin, Douglas Din e Vitor Norat. Você pode – e deve – fazer o download gratuito de A Rotina do Pombo ao final do post. Também aproveitamos para colocar aqui embaixo os dois vídeos citados no primeiro parágrafo. Então se quiser conhecer melhor o corre do protagonista da história, encosta em todos os players porque vale muito a pena. Axé, Thiago Elniño.



Thiago Elniño | Download – A Rotina do Pombo

Vídeos da semana: BaianaSystem, Siba, Rato & Ralph, Sono TWS e Chinese Man

Ontem foi uma data especial. Além de ser dia de Iemanjá, o saudoso mestre Chico Science completou 20 anos longe do plano terrestre e o BaianaSystem ainda deixou a quinta-feira bem melhor lançando o cabuloso vídeo do single Invisível. Aproveitamos a parada pelas férteis terras nordestinas e também selecionamos o trampo O Inimigo Dorme, do pernambucano Siba.

Embarcamos pelas estradas tupiniquins até o interior de São Paulo, na cidade de Taubaté, onde garimpamos o clipe RapFlowJazz, da dupla Rato & Ralph. Esticamos mais algumas horas de carro para estacionar em Jundiaí e sair de lá com o audiovisual do instrumental Látex, presente na beat tape Street Talk, do nosso camarada Sono TWS.

Depois de todo esse rolê, quando finalmente chegamos na firma, tinha um PAX despachado pelos franceses do projeto Chinese Man com o filme da produção Escape, que faz parte do repertório do novo release Shikantaza. É só chegar nos players e entrar no clima do final de semana.





BaianaSystem | Siba | Rato & Ralph | Sono TWS | Chinese Man

Entrevistamos o Pok Sombra, que lançou recentemente o disco Cartão Postal

No finalzinho de 2016, mais precisamente no dia 24 de dezembro, o MC Pok Sombra e o produtor Dario somaram forças e retiraram do forno o disco Cartão Postal. Já acompanhamos o trabalho dos dois há algum tempo e deixamos uma entrevista engatilhada com o rapper da cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Porém, como o início de 2017 tem sido bastante corrido, só conseguimos atualizar o mangue agora. Então, sem mais delongas, aperte o play abaixo e deixe o álbum climatizar o ambiente enquanto vossa senhoria lê a primeira entrevista do ano no Mangroovee.

1 – A faixa 100 Rap, do Zero Grau Kingz, foi seu primeiro som com o Dario? Como surgiu a ideia de fazer o álbum inteiro com ele?

Pok Sombra: Esse foi o primeiro som lançado na rua, mas já tínhamos outras guias gravadas que ainda estavam na gaveta. Eu estava trabalhando em algumas faixas com ele lá em Curitiba na mesma época que rolou a sessão com o ZGK e o Shaw. Então acabou dando certo juntar todo mundo e gravar o som. A ideia de fazer o disco veio a partir de umas músicas que bolamos pensando inicialmente para um EP com o nome de Da Água ao Vinho. Mas aí a parada rolou de forma tão natural que ele falou sobre gravar o álbum.

2 – Você mora em Pelotas, no RS, e o Dario na capital paranense. As gravações foram feitas à distância ou você passou um tempo em CWB

Pok Sombra: Fiquei alguns dias em Curitiba. Foram três sessões em um total de nove horas, onde trabalhamos pesado e gravamos 14 faixas. Uma delas acabou sendo retirada por motivos pessoais, ideias que eu não concordava mais em passar adiante. A faixa Rua 11, gravada em Pelotas, entrou no lugar dela e ainda ajustamos alguns detalhes lá na sweet home, como as vozes da Juliana Costa e a introdução feita pelo Zudizilla. A distância entre as duas cidades – 992 km – foi um fator que dificultou um pouco, mas a internet também ajudou bastante o processo. Recebi cerca de 40 instrumentais assinados pelo Dario e tive total liberdade para desenvolver meu rap.

3 – Na faixa Rua 11 você fala sobre o inicio da sua caminhada e relata influências musicais que rolavam na sua casa. O que mais você escuta fora do universo do rap?

Pok Sombra: Eu retrato o rolê pelo meu bairro na época de guri. Falo sobre grupos e artistas como Senzala, Cor Brasil, Tim Maia, Gal Costa, Gilberto Gil e muito mais. Sou fissurado em Roy Ayers, Dexter Wanzel, FunkadelicMilton NascimentoArthur Verocai, Max de Castro, Kool and The Gang e José Mauro. Todo mundo deveria conhecer a obra da minha conterrânea Giamarê, uma das pessoas mais especiais que já conheci. Se eu ficar citando, vou falar mil coisas e a lista nunca vai ter fim. Mas esses são alguns  que não canso de ouvir.

4 – O disco tem uma estética bem anos 90, com o Dario assinando produções no original estilo boom bap. O que você acha da onda do trap no cenário do rap atualmente? E, na sua opinião, quais artistas fazem bonito na hora de deslizar a levada sobre as bases de trap?

Pok Sombra: O disco saiu com essa sonoridade de maneira natural porque acabei usando os beats que conversavam melhor com minhas ideias. Acho legal o trap, mas penso que a galera ainda tá descobrindo qual a melhor maneira de encaixar o flow, criar os instrumentais e tudo mais. Independente de qual seja o estilo, só espero maturidade da galera envolvida nas músicas. Gosto de MC´s como Makalister, Nome Santo, ambos de Santa Catarina, além do BK e meus manos do Outro Nível. O Rincón Sapiência chegou passando por cima de todo mundo no single Ponta de Lança e o Zudizilla faz trap de um jeito que ainda não vi ninguém fazer.

Na verdade não sou especialista sobre o tema. Eu era meio chato com o lance de fazer barulho demais e não falar porra nenhuma. Tem mano falando merda somente para se manter na cena. Isso é feio demais com quem se preocupa em ser honesto com o público e consigo mesmo. Tenho vergonha de muita coisa que fiz e aos 28 anos não posso mais errar. Agora é hora de aproveitar esse momento hype e disparar uma porrada de ideia certa na cabeça da gurizada.

5 – O que mais a gente pode esperar do Pok Sombra

Pok Sombra: Tem clipe finalizado e um EP quase pronto. Acabamos de encerrar o vídeo da música Reconstruir, feito pelo Julian Eduardo, meu amigão de Porto Alegre, guri sangue bom que trabalha com uma visão bem de rua. Sou skatista e fiquei felizão depois de ver o trabalho pronto. Espero que a rapaziada goste. Quero agradecer ao Mangroovee pelo espaço e pela paciência. Andei viajando e não tinha tempo de responder, mas agora deu certo. Abraços da galera da Sweet Home. Nos aguardem!

Pok Sombra | Dario

Escute e baixe Vignettes, a nova trilha do produtor Damu The Fudgemunk

Se ontem nós atualizamos a matriz do mangue com os elegantes beats do Sono TWS, hoje é hora de deixar vossa senhoria por dentro de outro registro cabuloso pautado por batidas, no caso, o novo release do mago Damu The Fudgemunk. A trilha Vignettes, disponível em forma de vinl, fita cassete e cd, apresenta o capitão da Redefinition Records ministrando mais uma verdadeira aula em matéria de instrumentais. Assim como na série sonora How It Should Sound, Damu tira a poeira da coleção de discos dele para picotar os samples e recortar vários diálogos sobre o arsenal de boom baps. Ao lado da lenda Pete Rock, mista The Fudgmunk é o nome que mais agrada nossos ouvidos quando o assunto é beatmaker. Se o trampo também fizer a cabeça de vossa senhoria, é só fazer o download dentro do próprio player e dar o share aí na sua área.

Damu The Fudgemunk

Street Talk, do Sono TWS, é a beat tape de estreia do selo Tired Of People

Trabalhando sempre em ritmo pesado e bem mocado ali pelos lados de Jundiaí, no interior de São Paulo, nosso camarada Sono TWS tirou da manga na semana passada o excelente registro Street Talk. Depois de lançar trilhas por gravadoras como Us Natives Records, Beatwise Recordings e UKIYO Beat Tapes, o produtor coloca nas ruas o primeiro release do selo Tired Of People, que é capitaneado pelo próprio Sono.

Armado com as máquinas Emu Sp-12 Turbo, Akai S950 e Sp303, o beatmaker calibrou caixa e bumbo em perfeita sintonia para embalar o expediente de vossa senhoria ao som de 19 instrumentais que bebem diretamente da inesgotável fonte do rap oriundo dos anos 90. Pautada também pela cultura do sample, a produção apresenta recortes do soul/jazz e traz instrumentais que precisam de, no máximo, 2 minutos e 33 segundos para fazer sua cabeça.

Em matéria de beats, podemos afirmar com toda certeza que o Sono é o produtor nacional que mais agrada nossos ouvidos. E ficamos ainda mais convictos em relação a isso depois da audição da trilha Street Talk, disponível somente para streamming – pois as cópias físicas estão esgotadas – no player acima. Ainda selecionamos os vídeos das faixas Lembranças e Alta Performance para você entender melhor a proposta do lançamento de estreia do label Tired Of People. Procure conhecer e acompanhar de perto a caminhada deles pelas páginas das redes sociais porque o foco dos manos é exclusivamente a música.


SonoTWS | Tired Of People

Programa Mangroovee #45: Feminine Hi-Fi, Mano Brown, Jota 3, Verocai e Os Brazões

Terminamos o ano passado ecoando a edição #48 do Programa Mangroovee por meio dos controles sonoros da Rádio Educativa. Então nada melhor que abrirmos os caminhos de 2017 aqui no site com outra sessão inédita da nossa saga, no caso, a de número 45, transmitida no dia 14 de dezembro. A antena da estação rio-pretense disparou nos quatro cantos da cidade lançamentos assinados por Mano Brown, Síntese​, Cachola, Jota 3, High Public Sound, Alpha Steppa, Feminine Hi-Fi, Arthur Verocai, BaianaSystem e IFÁ. Você também confere clássicos na conta de Clara Nunes, Os Brazões e Trio Mocotó.

Muito obrigado a todo mundo que fortalece o trabalho nesses seis anos de caminhada do mangue. Se estiver chegando agora, fique à vontade porque o ano apenas começou e vamos embalar 2017 com boa música.

Entrevistamos o DJ Basim, campeão do DMC Brasil 2016

Somando mais de 15 anos na caminhada como deejay, nosso camarada e conterrâneo Daniel Egide, o DJ Basim, é a essência do Hip Hop. Iniciou seus primeiros passos como dançarino da Super Sonic B. Boys, primeira crew brasileira a competir no mundial de breaking, em Hannover, na Alemanha, no ano 2000. Quase duas décadas depois desse feito histórico, o rio-pretense voltou até o velho continente para representar novamente o Brasil como um dos quatro elementos da cultura. Mas, agora, a história foi diferente e o sangue bom do Basa teve a missão de comandar os toca-discos na etapa mundial do DMC, o campeonato mais importante do mundo em matéria de turntable.

Aproveitamos a deixa e escalamos nosso irmão Plínio Rozani, diretor de toda a parte audiovisual do Mangroovee, para gravar um trampo com o campeão nacional. Então não vamos nos alongar muito porque o conteúdo abaixo explica melhor toda a história do Basim e a rotina dele até a final da competição. Se quiser conhecer mais sobre os vídeos do mangue, o link do canal fica logo no final do post. Vida longa, DJ Basim. De São José do Rio Preto para o mundo.

DJ Basim | Essa Fita Memo