Trocando Ideia #18: Red Lion estreia com o excelente EP De Onde Eu Vim

Retirado do forno da Família Macaroni no final do último mês de abril, o EP De Onde Eu Vim marca a estreia do MC Red Lion em um trabalho de estúdio. O registro apresenta o leão vermelho oriundo do Jardim Zaíra, bairro da cidade de Mauá, deslizando a levada em cinco instrumentais assinados por DJ B8 (ProjetoNave), Jeff Botto, Fya Sound e Amanajé Riddims. Se você já teve a chance de ver o mano comandando o baile ao lado de equipes de som como J*Z Sound System e Paz & Dub Seletores, vossa senhoria deve ter percebido que Red Lion é um dos mestres de cerimonias mais originais da cena. Nós já tínhamos feito contato com os manos, mas, devido ao corre diário dos dois lados, conseguimos subir somente agora a entrevista aqui na matriz do Mangroovee. Sem mais delongas, aperte o play abaixo e boa leitura.

1 – Fica bem claro no título do EP De Onde Eu Vim que você tem bastante orgulho aí da sua área, o Jardim Zaíra, em Mauá. Como foi crescer por aí e, falando especificamente do bairro, quais foram suas primeiras influencias e experiencias musicais no JZ?

Red Lion: De Onde Eu vim é a vida no Jardim Zaíra, é a cultura SoundSystem Reggae aqui do Brasil. Essas são as maiores referências para esse trabalho em matéria de geografia e sonoridade. Sou filho de nordestinos e cresci no Zaíra nos anos 90. Tinham poucas favelas nessa época e algumas ruas de barro, que eram onde eu brincava com meus primos. Também nos reuníamos muito na casa da minha avó. Era muita correria para os meus pais, mas a gente não sentia isso. Primeiro veio o Reggae. Meu tio João me levou em um show do Tribo de Jah quanto eu tinha uns 14 anos. Depois veio Bob Marley e toda linhagem roots da Jamaica. O rap estava caminhando lado a lado, com vários grupos nacionais e as coletâneas do Dinamite. E logo após isso vieram os artistas do bairro, caras que admirava e queria colar, como o Fumaça e o Fyahman do J*Z SoundSysytem, Dj Voddo e Beto Malfatti, do Triplex, entre outros. Só tinha monstro. Uma banca muito pesada e talentosa.

2 – Quão importante foi para sua formação como artista fazer parte do J*Z Sounds? E, na sua opinião, qual a importância da cultura sound system em meio ao cenário do reggae?

Red Lion: No J*Z SoundSystem eu aprendi a ser MC. Conduzir o cerimonial dos bailes, rimar em diversos estilos de riddims e gravar dubplates. O J*Z é uma grande escola pra mim. Esses dias eu estava pensando como o sistema de som é parecido com a fundação do Hip-Hop. Na minha opinião, o estilo DJ/MC SoundSystem significa liberdade. As pessoas colam nos eventos de rua exatamente pelo ambiente proporcionar isso, entende? Claro que também tem a música. O reggae ecoado pelas equipes de som é mais extenso, mais denso, tem mais amplitude.

3 – Antes do lançamento do EP, o single Quem é Essa Menina? e o som Novos Tempos, onde você chega em cima do beat do BIG, já estavam nas ruas. A gente ainda não tinha escutado você rimando em cima de boom bap e gostamos bastante do resultado. Em matéria de rap, quais são suas maiores influências e o que você anda escutando ultimamente?

Red Lion: Sempre escutei muito rap. Comecei com os nacionais, ouvindo as trilhas do Espaço Rap com meu primo Dudu. Ele também me apresentou muita coisa como Planet Hemp, Tupac, Nação Zumbi, as coletâneas do Dinamite eram dele. Depois veio a febre do Wu-Tang no Zaíra. Muito rap com o Voddo, o Edel e o Chavão. Me levaram no Indie Hip-Hop, onde conheci muita gente realmente envolvida com a cultura. Os artistas favoritos foram mudando. Hoje em dia os que mais ouço são Bryson Tiller, Russ, Drake e Travis Scott Aqui do Braza eu gosto de Flora Matos, Mano Brown, Rael e Cacife Clandestino.

4 – O EP De Onde Eu Vim é o primeiro lançamento da Família Macaroni. Conta mai como surgiu a ideia da FM e quais são os próximos planos do coletivo?

Red Lion: Família Macaroni nasceu de uma brincadeira num baile do Paz & Dub, em Franca. Acho que foi um tune do Ganja Groove que falava “HolyHoly Macaroni” e essa fita virou meio que o grito de guerra, saca? Mas parece que está se tornando algo maior. Todo mundo precisa de uma Família. Então Julio Polo e eu decidimos criar a nossa, baseada nos princípios de Lealdade, Unidade e Fraternidade. Além de ser uma fraternidade, a Família Macaroni trabalha como produtora e selo. Estamos trabalhando no lançamento do meu próximo EP e vamos anunciar muita coisa nova até o final do ano.

5 – Queríamos te dar parabéns pelo trampo. Achamos o resultado muito bom, bem original. Como foi o processo criativo do trabalho e qual a sensação de colocar o EP nas ruas?

Red Lion:  Sou muito grato pelo carinho de todos que ouvem as músicas e mandam um salve. Foi muito bom todo processo de gravação com meu mano Jeff Botto. Aprendi bastante. O dia do lançamento foi foda. Os amigos colaram aqui no estúdio. Meu primeiro disco, né? Então é muito loco ver a capa, seu nome no bagulho e tudo mais. Quero aproveitar e deixar um salve para o Premier King, que é o responsável por assinar a capa e a identidade visual do EP.

6 – Existe a possibilidade do registro sair em algum formato físico? Agora é com você, Red. Deixa seus contatos para quem quiser levar a apresentação até outras áreas do país, baixar o EP e tudo mais…

Red Lion:  O EP sai na primeira semana de agosto no formato tradicional de CD. Um salve para todo mundo do Jardim Zaíra, Mauá e todos da cultura SoundSystem, Reggae e Rap. Seguimos trabalhando. Fiquem sintonizados que muito em breve tem trabalho novo a caminho. Tamo junto Mangroovee. Muito obrigado pela oportunidade!

Red Lion | Download EP De Onde Eu Vim

Mangroovee no Ar #57: Indica Dubs, Illa J, Alienação Afrofuturista, Bixiga 70 e Onra

O Mangroovee no Ar entrou pelo seu rádio no último dia 19 com o episódio de número 57, mas, se por acaso, você não conseguiu escutar a transmissão da Educativa FM, encostamos aqui na matriz para resolver essa questão de maneira rápida. É só ficar à vontade aí na sua área e apertar o play na sessão trilhada por Illa J, Onra, Dr. Drumah, Bixiga 70, Ikebe Shakedown, The Black Seeds, Mykal Rose, Koning, Indica Dubs, Sista Mary, Alienação AfroFuturista, LIL STYLA, Intruso, D Rima, Fabricio Fbc, Atentado Napalm, Ramiro Mart, Rincon Sapiência, Sant, XAMÃ, Rashid e Coruja BC1. Se gostar, compartilhe nosso trabalho aí na sua área. Só agradece!

Os produtores Abud, Sacolão, SonoTWS e Tiago Frúgoli participam do doc BEAT. Assista

Produzido, entre agosto de 2016 e junho de 2017, por Rodrigo Tamassia, o filme BEAT: Um Documentário apresenta entrevistas e acompanha o processo criativo de quatro produtores do estado de São Paulo. Representante da cidade de Jundiaí, o amigo Sono TWS (Tired Of People) aparece ao lado dos paulistanos Tiago Frúgoli (Ukiyo Beat Tapes), Sacolão Beats e Abud (Beatwise Recordings). O diretor ainda aproveitou as sessões de gravações e deixou a trilha sonora da produção na conta do quarteto em questão. Indicamos que vossa senhoria não deixe de apertar o play abaixo para fortalecer a cultura e, de quebra, conhecer melhor o trabalho dos caras. Quatro nomes independentes que criaram o próprio mercado e trabalham pesado na distribuição da boa música. Filme altamente recomendado pelo mangue.

Abud | Rodrigo Tamassia | Sacolão | Sono TWS | Tiago Frúgoli

Drumahmental é a nova beat tape do produtor baiano Dr. Drumah. Ouça na íntegra

Nosso camarada Jorge Dubman, também conhecido pela alcunha de Dr. Drumah na hora de dropar os beats, despachou no final de maio mais um trabalho de alta qualidade. O registro Drumahmental, lançado dois meses depois da excelente beat tape 90´s Mindz, trilha vossa manhã de quarta-feira com 12 instrumentais que apresentam a faceta jazzística do produtor. Gravado no estúdio Kzah 04 Records, em Salvador, na Bahia, o trampo foi distribuído pelos quatro cantos do mundão pelo selo holandês IBMCs.

Preparado com recortes milimétricos, vários samples de jazz, além de caixa e bumbo embalados em baixos bpm´s, o novo release do bom baiano ainda traz os riscos do DJ Beatchukaz, que chegou diretamente da cidade de Novi Sad, na Sérvia, para colaborar em 5 temas. Batidas brasileiras e riscos sérvios lançados por uma gravadora de Amsterdam. Só mais uma prova de como a música do amigo Dubman é global e segue quebrando barreiras. Não deixe de apertar o play e fortalecer o corre baixando o release, que tem a capa no melhor estilo Blue Note Records assinada pela italiana Ilaria Di Stani. Link para download ao final do post.

Dr. Drumah | Download Drumahmental

Assista ao show completo do Bixiga 70 no Festival Jazz a Vienne, na França

O super combo Bixiga 70, que lançou no mês passado o excelente single Primeiramente, está neste exato momento representando o Brasil em terras europeias. A banda paulistana segue ministrando verdadeiras aulas em matéria de música africana e todas suas vertentes pelos palcos do velho continente. Países como Espanha, Alemanha e Bélgica são alguns dos destinos do grupo, que vem deixando os gringos cada vez mais chapados no groove brasileiro. Se você quiser conferir como não estamos falando besteira, é só apertar o player abaixo para assistir, na íntegra, o show dos manos no último dia 13 no Festival Jazz a Vienne, na França. Mil Vidas, Kalimba, Deixa a Gira Girá, 100% 13, Balboa Dub, Morte do Vaqueiro e muito mais no repertório. Aproveita!

Bixiga 70

Mangroovee no Ar #56: DV Tribo, Don L, Sampa The Great, Chronnix, Jay Z e Dow Raíz

Depois de quase um mês sem postagens aqui na matriz, é hora do mangue voltar à ativa no melhor estilo. Nosso diretor de artes Eduardo Falcão, o Acervo Canhoto, colocou o cerebelo para trabalhar e bolou a nova arte da nossa saga em parceria com a Rádio Educativa FM. A edição de número 56 do Mangroovee no Ar embalou a estação rio-pretense com lançamentos de Don L, DV Tribo, Djonga, Eloy Polemico, Joey Badass, Jay Z, Chronixx, L’Entourloop, Nomade Orquestra, Chillhop Music, além de sons assinados por Sampa The Great, Grayboy, Sharon Jones, Quantic, Dow Raiz e Johnny Clark. O nome mudou, mas a qualidade continua a mesma, gente boa. Aperte o play. Se gostar, mostre nosso trabalho para xs amigxs. O mangue agradece de coração.

Ouça a fita de batidas Alecrim, do Projeto Sinestesia

Se você costuma entrar aqui no mangue para conferir nossas indicações musicais, provavelmente já percebeu que gostamos bastante de beat tapes. E hoje pela manhã, depois de passarmos o café preto ali na cozinha, viramos uma das esquinas da rede virtual e demos de cara com a fita de batidas Alecrim. Assinada pelos nossos amigos Haruan e Andino, que formam o Projeto Sinestesia, a trilha dos nossos conterrâneos vai deixar sua manhã muito mais agradável com uma combinação formada por instrumentais em baixos bpm’s e samples surrupiados em discos de jazz, funk, brazuca e soul. Os ex-integrantes do coletivo Reticência, de São José do Rio Preto, colocaram todos esses ingredientes na receita e serviram a fita em oito porções que irão fazer a cabeça de vossa senhoria. Mídia independente apoiando música independente. Aperte o play!

Projeto Sinestesia

Família a serviço da boa música. João Donato e Donatinho lançam o disco Sintetizamor. Ouça

No comando da nave com o caçula Donatinho de copiloto, o toten João Donato continua incansável e, aos 82 anos de idade, segue encontrando tempo e inspiração para despachar música da melhor qualidade. O pianista deixou a sexta-feira bem melhor com o lançamento do disco Sintetizamor, que saiu hoje pelo selo brazuca Deck Disc. Retirado do forno um ano depois do excelente registro Donato Elétrico, o novo trabalho do mestre comprova que a boa música é passada de geração em geração na família. Gravado no estúdio Sinth Love, no Rio de Janeiro, a trilha tem a produção musical e os arranjos assinados por Donatinho. Enquanto o pai apresenta um currículo impecável, onde você encontra obras do peso de Quem É Quem e Lugar Comum, o filho vem trilhando o mesmo caminho no super combo Abayomy Afrobeat Orquestra e em colaborações ao lado de Sly & Robbie, Gilberto Gil, Djavan, entre outras lendas.

Depois de misturar boogie e funk no primeiro single da trilha, Lei do Amor, que segundo Donatinho sintetiza o disco, a dupla acabou de liberar no YouTube todas as músicas do repertório. Além de temas instrumentais como Clima de Paquera e Hao Chi, o álbum também embala sua tarde com referências latinas na canção Vamos Sair à Francesa e ainda apresenta vários elementos da disco music. Você só precisa apertar o cinto – e o play – para embarcar em uma viagem na astronave da família Donato pelo futurista universo dos sintetizadores.

João Donato | Donatinho

Mangroovee no Ar #55: Luiz Melodia, Reflection Eternal, Pancho, Chosen Few e Coleti

Disparada pela antena da Rádio Educativa 106,7 no dia 5 de abril, a edição de número 55 da nossa saga radiofónica embalou o município de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, com música brasileira, reggae, rap, funk e muito mais. Prestamos uma homenagem ao mestre Luiz Melodia, que segue firme e forte na batalha contra o câncer, e também selecionamos Flora Matos, Reflection Eternal, Pancho, Coleti, Richard Ace, Chosen Few, Froid, Riddle, Mood, Pete Rock, Blu e Alton Ellis. A essa altura do campeonato, você já deve saber que embalamos a sessão com uma hora de muita música, sem intervalos comerciais. Então aperte o play e escute mais um capítulo do mangue pelas ondas das frequências moduladas. Não deixe de mostrar nosso trabalho para o(a)s amigx(a)s. Muito obrigado!

Rincon Sapiência mantém a elegância no primeiro álbum da carreira, Galanga Livre

A maioria do novo público do rap nacional ainda não tava por dentro do trabalho do Rincon Sapiência até o final do ano passado, quando ele lançou o vídeo de Ponta de Lança (Verso Livre). Mas é fato consumado que o Manicongo já servia música da melhor qualidade há bastante tempo. Basta vossa senhoria conferir como ele roubou a cena na faixa Porque Eu Rimo, presente no clássico disco Non Ducor Duco, lançado em 2008 pelo Kamau. Além do hit Elegância, de 2010, onde o emcee paulistano fez muito barulho na época com o clipe dirigido pela produtora Porqueeu Filmes.

De lá pra cá, Rincon ainda soltou excelentes faixas como Linhas de Soco e Andar Com Fé, participou da websérie Estamos Vivos, do KL Jay, e foi preparando o terreno para o álbum de estreia com singles do peso de A Coisa Tá Preta, Ostentação à Pobreza e Meu Bloco. Depois de ensaiar todas as jogadas e deixar o esquema tático redondo, chegou a hora do Sapiência, que jogou nas categorias de base da Portuguesa, entrar em campo na última quinta-feira com o primeiro disco da carreira, Galanga Livre.

Lançado pelo selo Boia Fria Produções, o álbum traz direção musical do mestre William Magalhães (Banda Black Rio) e apresenta o protagonista da história deixando a coisa cada vez mais preta em cada uma das 13 produções do repertório. O rapper oriundo da Cohab 1, bairro localizado na Zona Leste da capital paulista, chega ácido que nem brisa de hippie e desliza a levada sobre bases que trazem referências do blues, trap, afrobeat, afoxé, samba, entre outros. Como se isso não fosse o bastante, Sapiência também faz jus ao apelido canetando linhas relevantes que colocam o dedo em várias feridas do Brasil colônia.

Não sabemos aí desse lado, mas pelo menos aqui no nosso expediente as tracks Crime Bárbaro, Vida Longa, A Volta Pra Casa, Moça Namoradeira, Ponta de Lança e A Coisa Tá Preta são nossas preferidas. Musicalidade que vai muito além do universo do rap nacional. Você só precisa apertar o play abaixo para escutar o disco na íntegra e se gostar, faça o download ao final do post. Tá fácil demais. Aproveita…





Rincon Sapiência | Download Galanga Livre

Jumú