Trocando ideia #15: O singjay Likkle Jota e a cultura Sound System

Oriundo da cidade de Coroados, no interior do Estado de São Paulo, Likkle Jota é um dos singjays – combinação de cantor e deejay – que vem ganhando cada vez mais espaço nos bailes promovidos por diferentes equipes de todo o país. Depois de passar alguns anos residindo em Campinas, o cantor mudou-se de vez para a capital paulista, onde coleciona apresentações ao lado de nomes como Quilombo Hi Fi e SmokeDub Posse, além de lançar os discos Ioruba Nation, de 2016, e Style N Fashion, que foi retirado do forno no último mês de março. Likkle ainda traz no currículo faixas com instrumentais assinados por Jeff Boto (Dubatak) e dubplates cortadas para sistemas de som como DeSkaReggae, Favela SS, Paz & Dub e Muamba Sounds.

Trocamos uma ideia com o protagonista da história sobre o início da caminhada, cultura Sound System, referências musicais e por aí vai. Aperte o play para conhecer o trabalho enquanto você lê mais uma entrevista na matriz do mangue.

1 – Você canta muito bem nas produções de reggae digital e também chega pesado nas sessões ao lado dos sistemas de som. Quando começou sua caminhada na música jamaicana e como surgiu a parceria com os Sound Systems?

Likkle Jota: Primeiramente, quero mandar um grande salve ao Mangroovee. É uma honra poder trocar essa ideia com vocês. Eu canto já faz um tempo e tive a chance de trabalhar com gêneros musicais como rap, samba, mpb, entre outros. Até que em 2013, quando fazia parte de um grupo chamado A RUA’NDA, fui em uma festa em Campinas, onde Flavio Rude, do Muamba Sounds, estava tocando reggae music. Me liguei que ele lançava vários instrumentais e perguntei se podia cantar. Desde então nunca mais parei. Ele me apresentou boa parte do que conheço hoje em matéria de Sound System. Também comecei a vir para São Paulo e o primeiro sistema que vi em ação foi o KASDUB, na pista de skate em Tiquatira.

2 – Ainda falando sobre a cultura Sound system, na sua opinião, qual a importância dela para o cenário do reggae nacional?

Likkle Jota: É crucial em vários aspectos. O sistema de som agrega conhecimento, referências históricas e um grande acervo musical. Acredito que as músicas tocadas nas vitrolas das festas de reggae trazem uma realidade mais próxima daquilo que vivemos no nosso cotidiano. Isso faz com que a gente coloque em prática algumas atividades que os jamaicanos também fizeram na ilha, mudando, de uma certa forma, a mensagem que chega até a sociedade.

3 – Quais são suas principais referências em matéria de emcees e produtores na música jamaicana?

Likkle Jota: Tenho como referência muitos singjays, gosto da gama de cantores vindos da Jamaica. Eccleton Jarret, Garnet Silk, Dennis Brown, Junior Reid, Nitty Gritty e outros. Além dos grandes deejays que me fogem a conta. Tenho muito respeito pelo trabalho do Knomoh (Quilombo Hi Fi), que foi quem me acolheu, produziu meus trabalhos e de vários outros artistas brasileiros. Falando sobre as produções internacionais, gosto muito do Mad Professor, Martin Cambpell e King Tubby. São mágicos.

4 – Você já comandou o microfone em diferentes bailes no Brasil. Entre todas essas combinações de som, qual foi a sessão que mais ficou marcada na memória?

Likkle Jota: Essa é difícil. Se tratando das sessões ao lado dos sounds, é muito raro quando não bate pesado. Todo baile tem sua particularidade, aquele momento que fica cravado na mente, principalmente quando canto com pessoas que deram inicio à divulgação dessa cultura no Brasil, os professores. Agradeço todas as oportunidades que foram concedidas até agora.

5 – O disco Style N Fashion apresenta novamente sua dobradinha com o produtor paulistano Jah Knomoh, que também trampou ao seu lado no registro Ioruba Nation, de 2016. Qual a importância dele em todos esses processos?

Likkle Jota: O Knomoh foi o primeiro produtor a acreditar no meu trabalho. Ao longo do tempo criamos uma amizade, morei na casa dele e vimos que gostamos de muitas coisas em comum. Somos pretos e temos a natureza como referência da luta e da força maior. Ele me ajudou muito na evolução como cantor e me ensina constantemente sobre vários aspectos do Sound System. Respect, Knomoh.

6 – Como foi todo o processo do seu mais recente álbum, Style N Fashion, e qual foi a sensação de colocar o registro na rua?

Likkle Jota: Após o lançamento de Ioruba Nation, de 2016, que é um disco mais voltado para a mensagem, bem roots music, tive a necessidade de criar algo que fizesse o povo esquecer um pouco dos problemas. Vivemos em uma babilonia que entristece, precisamos de um momento de diversão para o Eu e Eu. Resolvi homenagear os anos 80 do reggae, trazendo como referencia produções, temas e melodias da época. Após um trabalho de seis meses com riddins nacionais e internacionais, me vi na obrigação de colocar o trabalho na rua e nas plataformas digitais. Todo esse processo é muito difícil para artistas independentes, então criei um material humilde, mas de respeito, que estou entregando nos shows. A sensação final de dever cumprido é maravilhosa. Estou muito feliz com o resultado.

7 – Agora é com você, Likkle. Quem tiver afim de ter uma dubplate e levar o LJ para cantar no baile precisa fazer como? Quais são os seus contatos?

Likkle Jota: Muito obrigado pelo suporte, Mangroovee. Geral pode escutar minhas músicas nas plataformas digitais. É só pesquisar Likkle Jota no YouTube, SoundCloud, Spotify, Google Play, iTunes e por aí vai. Contatos para shows e dubplates: descendentedeleao@gmail.com ou pelo telefone (11) 9 4221-7442. Big Up e saúde a todos.

Likkle Jota

Programa Mangroovee #50: Serena Assumpção, OQuadro, Inglês, J. Cole e King Tubby

O mês de março tá bastante corrido e tem hora que fica embaçado atualizar o site no ritmo de sempre. Em abril vamos voltar com tudo por aqui e você vai poder acompanhar nossas atualizações diárias. Embalamos o finalzinho do terceiro mês do ano com a edição #50 do Programa Mangroovee, que traz Serena Assumpção, OQuadro, Damatz, Rincon Sapiência, BK`, Inglês, Chinese Man, Atmosphere, J. Cole, Hard Rock, Culture e King Tubby. Você só precisa chegar no play abaixo e fortalecer o trabalho independente do mangue compartilhando a trilha aí na sua área também. Muito obrigado!

Programa Mangroovee #48: DowRaiz, Pedra Branca, Dona Onete, The Dynamics e Rael

Um pouco antes da última virada de ano, mais precisamento no dia 21 de dezembro, comandamos os controles da Rádio Educativa FM em nossa sessão de número 48 e selecionamos faixas de DowRaiz, Pedra Branca, Thievery Corporation, THE DYNAMICS, The Wailing Souls, Planet Hemp, Leões de Israel, Rael, Black Alien, Daniel Yorubá, Dona Onete, Gilberto Gil, Gerson King Combo e Neguedmundo. Fique atento porque logo mais vamos chegar até o episódio #50 e tem novidade a caminho. Mostre nosso trabalho para sua família e amigos aí na sua área. O mangue agradece!

Programa Mangroovee

A cultura sound system vive. Assista ao curta da Coleta Filmes sobre o House Sounds

Elaborado pela produtora paulistana Coleta Filmes, o curta disponível no player abaixo apresenta a caminhada da equipe de som House Sounds, baseada na Zona Sul da cidade de São Paulo. O filme retrata como eles começaram a conhecer a cultura através dos bailes do Dubversão Sistema de Som e chega até os dias atuais, em que o time formado pelos seletores Daniel Pulga e José Roberto ocupa os espaços públicos da babilônia e climatizam o ambiente com vários discos jamaicanos. Trabalho brasileiro totalmente independente. Aperte o play porque a causa é nobre e os manos merecem vossa atenção. Vida longa!

Coleta Filmes

Confira a apresentação do Thievery Corporation na KEXP Radio

Em comemoração aos 20 anos de carreira, a dupla de produtores Rob Garza & Eric Hilton, mais conhecidos como Thievery Corporation, desembarcou nos estúdio da KEXP Radio com o time completo para fazer um live das faixas Forgotten People, Le Monde, All That We Perceive, Amerimacka e Culture Of Fear. Eles trocaram uma breve ideia com o apresentador Darek Mazzone, mas o som fala mais alto e bate pesado demais no QG da estação de Seattle, nos EUA. Sessão embalada com muito reggae, dub, música eletrônica, trip hop, rap, além de outros elementos sonoros de diferentes culturas. Você só precisa chegar no player abaixo para climatizar o domingo ao som de Thievery Corporation.

Thievery Corporation | KEXP Radio

Vídeos da semana: DowRaiz, África Mãe do Leão, Céu, Posse Cutz e Coruja BC1

Se toda quinta-feira você confere na matriz uma nova edição online do Programa Mangroovee, a sexta chega com o resultado do nosso garimpo pelos lados do YouTube. A semana foi bem movimentada com vários lançamentos que passam pelo reggae, rap, brazuka e beats experimentais. Escolhemos alguns deles e quem abre os caminhos é o curitibano DowRaiz na companhia da Nomad Magush no excelente trabalho Sobre Os Pontos, que também traz a participação de Ricardo Verocai.

Seguimos no embalo com a edição sinistra do vídeo Passando a Limpo, onde o Coruja BC1 dispara as punchlines sobre a batida assinada pelo Skeeter. Após o descarrego de versos, climatizamos o ambiente com graves, médios e agudos do sistema de som da equipe paulistana África Mãe do Leão, no registro do camarada RAS Films em sessão realizada no MASP, em São Paulo.


Fechamos a conta em ritmo desacelerado com o clipe da música Varanda Suspensa, presente no repertório do disco Tropix, da cantora Céu, além do chapado instrumental dos manos Líquido e Fumaça, ambos integrantes da Posse Cutz, de Belo Horizonte. Pegue vosso café e chega no play, gente boa.


DowRaiz | Nomad Magush | Coruja BC1 | Skeeter | África Mãe do Leão | RAS Filmes | Céu | Posse Cutz

Programa Mangroovee 43: Sabotage, Sean Kuti, Earth Disciples, Gilberto Gil e Dubatak

Encostamos na nossa modesta matriz para deixar vossa senhoria por dentro do episódio de número 43 do Programa Mangroovee, que foi transmitido pela Rádio Educativa FM no dia 26/10. Com três faixas retiradas do disco póstumo do Maestro do Canão, o primeiro bloco da sessão foi totalmente dedicado ao mestre Sabotage. Fora isso, você ainda confere faixas de IFÁ, Blitz the Ambassador, Sean Kuti, Azymuth, Jeff Boto, Derajah, Gilberto Gil, Nelson Cavaquinho, Chico Buarque, Mário Castro Neves, João Nogueira, Edson Frederico, Earth Disciples e Hopetown Crowford. Uma hora completa pautada pelo reggae, rap, afrobeat, brazuka e tudo aquilo que costuma trilhar o expediente do mangue. Pegue seu café, aperte o play e se gostar, compartilhe o trabalho na sua área. A firma agradece.

Alpha Steppa e High Public Sound unem forças no novo release do selo Steppa Records

Um ano depois de conceber pelo selo Steppa Records o disco Rooted and Grounted, o britânico Ben Alpha, mais conhecido pela alcunha de Alpha Steppa, se prepara para prensar outro release no dia 16/12. O próximo trabalho apresenta a parceria dele com a equipe paulistana High Public Sound System, um dos sistemas de som mais atuantes de todo o território nacional. A união entre os dois projetos resultou na trilha The River, que tem como carro chefe o single de mesmo nome, onde a cantora paulistana Melissa Sirks, a.k.a. I-Sarana, que significa refúgio no idioma sânscrito, solta a voz no microfone.

“A música nasceu dois dias antes do Reunion of Dub. Ela passou por alterações e desde o final do ano passado começamos a conversar para gravar o disco. Durante nossa última turnê pela Europa, em fevereiro e março deste ano, nos encontramos com Ben e fomos até o estúdio dele finalizar a trilha.”, explica Raunas (High Public Sound System).

Como todo bom lançamento do gênero, o registro também traz no lado b a versão adubada da canção original, que traz o cearense Marcio Felipe, o Dub Movement, comandando a escaleta. Você pode adquirir sua cópia física na pré-venda e colar nas apresentações marcadas para os dias 16, 17, 18 e 23 em São Paulo, Santo André, Curitiba e Poços de Caldas, respectivamente. Se tiver afim de entender melhor toda a situação, é só chegar nos players abaixo. Fique atento porque tanto Alpha Steppa, quanto High Public seguem mexendo o doce e em breve irão chegar com novas produções nas ruas.

Alpha Steppa | High Public Sound System

Loba Leoa, da Laylah, é o primeiro single do selo Feminine Hi-Fi. Ouça

Diminuímos o ritmo de postagens nas duas últimas semanas, mas já nos organizamos e vamos recuperar o tempo perdido a partir de agora. Dois nomes bem conhecidos da nossa matriz uniram forças e climatizam nosso ambiente nesta quarta-feira. A cantora Laylah, conhecida por aqui ao lado da banda Santa Groove, e o baile Feminini Hi Fi, que, agora, chega em formato de selo, desembarcam na maior categoria ao som do single Loba Leoa (Rugido Ecoa).

Assinada por Jeff Boto (Dubatak Records), a produção ainda traz Bruno Dupre na guitarra, Rica Caveman no baixo, Fabrício Elijah na percussão e Lucas Barreto no teclado. De acordo com o time envolvido no projeto, a faixa descreve o cenário de uma sessão sound system, mas também aborda a parte sensorial/sensitiva/sentimental que todo esse contexto traz para a alma e o coração das pessoas presentes em um desses eventos. Além de apresentar um olhar feminino sobre tudo isso e propagar a importância das mulheres envolvidas neste cenário, que muitas vezes são olhadas com desconfiança por questões de gênero. Vida longa ao trabalho. Chega no player porque a mensagem é importante.

Feminini Hi Fi | Laylah

Ouça na íntegra o excelente disco Jota 3 – Amplificado por Digitaldubs

Conhecemos o trabalho do carioca Jota 3 há pouco tempo. O primeiro som dele que ecoou aqui no mangue foi a faixa Balada do Justiceiro, que traz a produção assinada por uma das nossas preferências, o DigitalDubs. Depois da audição de estreia, saímos no garimpo à procura de outros trampos assinados por ele e demos de cara com a certeira produção Não Corte Seus Dreadlocks, de 2013, onde o cantor divide as linhas com o britânico Pablo Rider e solta a voz sobre a base produzida pelos manos da Groove Corporation (G-Corp).

O single Tempo de Revolução, lançado há quatro meses, chegou para dar a letra que o melhor ainda estava saindo do forno. Eis então que semana passada, mais precisamente na sexta-feira, o rasta concebeu o excelente disco Jota 3 – Amplificado por Digitaldubs. Além da parceria de longa data com o Sound System do Rio de Janeiro, o álbum ainda traz as lendas jamaicanas Sly & Robbie, mais BNegão, Jeru Banto, Pedro Seletor, Twilight Circus, Vibronics e grande elenco nas 10 canções da trilha.

A reunião desse time foi responsável por dar vida, na nossa humilde e sincera opinião, ao melhor lançamento brasileiro do ano em matéria de reggae. Delays, echos, reverbs e grave muito bem equalizados, batendo forte da primeira até a última tune. Além dessa capa louca demais, o registro ainda une boa música e mensagem consciente na mesma receita. Ajude na propagação chegando nos players, compartilhando o som aí na sua área e colando nos shows. Vida longa, Jota 3.

Jota 3