Navegue pelas águas do jazz no novo disco da trompetista Yazz Ahmed, La Saboteuse

Dona de um currículo que traz trabalhos ao lado de nomes como Radiohead, Jazz Jamaica, Toshiko Akiyoshi, Max Romeo e Lee Perry, a trompetista e compositora Yazz Ahmed estreia aqui no modesto endereço virtual do mangue com o disco La Saboteuse – O Sabotador, em francês. Natural do Bahrein, no Oriente Médio, mas radicada desde os nove anos de idade em Londres, a mana despachou o álbum em questão no mês passado pelo selo Naim Jazz. Prensado naquele enxuto modelo de 180g e disponível em apenas 500 cópias – todas esgotadas, por sinal – o álbum embala vossa segunda com música de primeira ao som das 13 faixas do repertório.

Retirado do forno seis anos depois do long play Finding My Way Home, o novo registro de Yazz foi dividido em quatro capítulos, onde cada um deles traz uma ilustração diferente da talentosa artista britânica Sophie Bass. “Ninguém nunca tinha criado arte a partir da minha música. Foi muito especial a colaboração dela”, disse Ahmed em entrevista no Reino Unido.

Se você também gostou da capa, pode botar uma fé na indicação do Mangroovee e apertar o play porque o instrumental mantém a mesma qualidade do desenho. É só aumentar o volume e embarcar numa longa viagem pautada pelo jazz experimental, mas que também apresenta bastante psicodélia e várias referências sonoras do mundo árabe. Encosta aí, vai…

Yazz Ahmed

Trocando Ideia #17: Sono TWS e Laylah Arruda lançam o single Pequenos Templos

Dois grandes nomes da música independente tupiniquim que passam direto aqui no mangue e sempre atendem nossa equipe na maior camaradagem acabaram de soltar um excelente trampo na rede. Estamos falando do nosso amigo Sono TWS e da cantora Laylah Arruda, que trincaram a parceria e soltaram hoje pelo selo Tired Of People o single Pequenos Templos. Se você acompanha nossas atualizações, com certeza já escutou alguma das beat tapes do produtor oriundo de Jundiaí, no interior de São Paulo, e também conferiu o trabalho da paulistana no coletivo Feminine Hi-Fi ou ao lado da banda Santa Groovee. Trocamos uma ideia bem dahora com a dupla sobre a música em questão e vossa senhoria só precisa apertar o play abaixo enquanto confere a entrevista. Caso goste do resultado, acesse o link ao final do post e abençoe sua HD com a faixa.

1 – Você lançou muito mais beat tapes do que instrumentais em parceria com cantore(a)s. A faixa O Mundo é Música, que saiu no disco Jah Bless Ventura, do Jamés Ventura, foi uma exceção. Qual a diferença entre criar a batida para uma tape e fazer um trabalho com alguém cantando em cima da base?

Sono TWS: A diferença é que o processo criativo de uma beat tape é bem individual, diferente do trabalho feito em parceria com alguém. Tenho um arsenal de beats e procuro escolher as produções que tem a ver com cada pessoa. Quando rola a identificação, o trabalho flui. Ainda não tive oportunidade de criar um instrumental feito especialmente para determinado artista.

2 – Como aconteceu o encontro entre o trampo de vocês?

Sono TWS: Já éramos amigos e tínhamos conhecimento do trabalho de cada um. Até que certo dia conversamos sobre fazer algo em parceria e mostrei algumas batidas que tinha por aqui. Depois ela me mandou uma guia e começamos a desenrolar todo o processo. Gravamos as vozes no estúdio Dubatak Records, do Jeff Boto, e mixamos a música com o Tiago Frúgoli. Ficou tudo entre amigos e acredito que isso tenha colaborado bastante para o resultado final do som.

3 – Existe a possibilidade do trampo sair em compacto ou em algum outro formato?

Sono TWS: Vamos soltar esse som na rua e esperar a repercursão. Acreditamos que nesse momento não sairá em formato físico, mas no futuro quem sabe. Talvez cortar uns dubplates para experimentar nas festas. Temos interesse em manter essa parceria, acredito que quem ouvir a faixa vai perceber a sintonia do nosso trabalho. Mostrei vários beats para a Laylah, já separamos alguns e estamos deixando a natureza ditar o tempo, sem pressa.



4 – Depois do lançamento do single, quais são os próximos passos do selo Tired Of People?

Sono TWS: Entre julho e agosto vou lançar minha próxima beat tape, We Can Get Along, em cassete e pretendo soltar em vinil. Conversei com o pessoal de fora e estou pesquisando por aqui para ver se é viável ou não. O corre é independente, tudo tem um custo para sair do papel mas teremos novidades nos próximos meses.

5 – Já tínhamos escutado você cantando em várias vertentes ao lado da banda Santa Groove e em alguns riddims, mas nunca em um boom bap cheio de referências do jazz. Como foi soltar a voz no beat do Sono e, na sua opinião, quão importante é para o artista sair da zona de conforto e transitar por diferente vertentes musicais?

Laylah Arruda: A música jamaicana é o universo onde tenho mais experiência para plantar minhas composições. Já são 12 anos de atividade no cenário Sound System e isso cria uma familiaridade cada vez maior com o reggae e todas suas vertentes. O trabalho com meus irmãos do Santa Groove me ajuda muito a explorar outras vertentes que tanto gosto, mas ainda não tinha rolado a oportunidade de realizar oficialmente.

A cultura reggae de sistemas de som é uma grande escola porque apresenta um modus operandi em que o Toaster ou Singjay (meu caso, que é a emcee melódica) precisa se virar para encaixar a voz nos riddims que o seletor toca. Nada combinado, sempre no estilo livre. Além disso, quando falamos de dubplates (músicas exclusivas encomendadas por equipes ou seletores), a demanda é alta e fazemos vários temas em um único dia de estúdio. Isso exercita a capacidade de compor na hora e ser rápida no gatilho quando apertam o REC.

Acredito que essa bagagem me possibilite navegar por outros mares de um jeito mais massa. De fato, Pequenos Templos é uma saída da zona de conforto, mas eu encaro como um revival em certo aspecto. Meu primeiro mergulho real na música, como apreciadora e arriscando pequeníssimas gravações, foi fazendo Rap. Sinto esse trabalho como uma imensa realização de sonho. Algo que devaneava na adolescência e hoje posso concretizar exatamente com a sonoridade que sempre imaginei.

6 – A letra do som fala sobre relações afetivas, que é um tema bastante discutido nos dias atuais, onde tudo vira muito instantâneo e passageiro. Qual a mensagem que você tentou passar para quem escutar a faixa?

Laylah Arruda: Que não precisamos de muito para amar, mas devemos nos permitir. Em tempos de consumo, status e egos inflados, a gente parece mais correr atrás de legitimar o nosso avatar do que dedicar espaço e energia pra amar alguém. Então Pequenos Templos cria um universo do particular, de como cada pequena e delicada atitude cria castelos de emoção. E, pelo menos pra mim, isso é amar. Sem medos, sem rodeios, simples.

Laylah Arruda | SonoTWS | Tired Of People

DJ Spinna ministra uma aula de boom bap na trilha 1996 Beat Tape Vol. 1. Ouça

Embalada somente por instrumentais produzidos pelo DJ Spinna em meados de noventa e seis, a trilha 1996 Beat Tape Vol. 1 é o mais novo lançamento do selo Redefinition Records, ou apenas Redef. Disponível em acetato e também no formato cassete, o registro traz o deejay/produtor oriundo do bairro do Brooklyn, nos EUA, ministrando uma verdadeira aula de como tirar um som com as máquinas EmuSP-1200 e Akai S950. Com caixa e bumbo batendo em perfeita sintonia nas 18 faixas, o repertório da fita de batidas não para de tocar no expediente do mangue e acreditamos que também vai ser uma boa para climatizar a terça-feira nublada de vossa senhoria. Até o momento, a gravadora do mestre Damu The Fudgemunk liberou o lado A da tape para streamming no SoundClound. Você pode escutar exatos 18 minutos e 22 segundos de DJ Spinna on the beat no player abaixo para entender por que ele é requisitado em trabalhos assinados por Spike Lee, Stevie Wonder e Mos Def.

DJ Spinna | Redef Records

Escute na íntegra o álbum Return To The 37th Chamber, novo disco do projeto El Michels Affair

Firma responsável por distribuir trabalhos da qualidade de Lee Fields & The Expression e Bacao Rythm & Steel Band, o selo Big Crown Records lançou recentemente, mais especificamente no dia 14 de abril, o disco Return To The 37th Chamber,do El Michels Affair. Como o próprio nome já da a letra, o álbum é a continuidade do registro Enter The 37th Chamber, de 2009, e marca a volta do multi-instrumentista Leon Michels à frente do projeto. Integrante do grupo Menahan Street Band e acostumado a colaborar com artistas do calibre de Sharon Jones e Aloe Blacc, o músico entrega novamente outro excelente registro pautado por versões inéditas para instrumentais do Wu-Tang Clan. 

Disponível em quatro opções diferentes de artes, o vinil traz participações de Lee Fields e Lady Wray , e ainda embala a viagem com metais, guitarras e, é claro, tradicionais instrumentos chineses, que é marca registrada na sonoridade do WU.  Entre as 13 canções do repertório, destacamos as novas interpretações para Snake, do Ol Dirty Bastard, e Verbal Intercourse, do Raekwon, Pork Chop Express e 4th Chambers, além do vídeo do single Iron Man – disponível no player abaixo.  Você pode – e deve –  conferir o trabalho na íntegra e assistir ao trailer da trilha. Se quiser ter o material na sua coleção, é só escolher vosso formato preferido e correr pro abraço.



El Michels Affair | Big Crow Records

 

 

 

Programa Mangroovee #51: Dr Drumah, SonoTWS, Matéria Prima, Twinkle Brothers e Soul Surfers

Aos poucos vamos voltando com nossas atualizações na matriz do mangue e agora é hora de você ficar por dentro de tudo que rolou na edição 51 do Programa Mangroovee. Fizemos nossa lição de casa e despachamos até a caixa de entrada da Rádio Educativa FM um arquivo embalado por grandes artistas em matéria de beats, rap, reggae, soul e muito mais. Transmitido pela estação rio-pretense no dia 25 de janeiro, o episódio em questão apresentou aos ouvintes faixas assinadas por Sono TWS, Dr. Drumah & Kzah 04 Records, The Soul Surfers, Durand Jones & The Indications, Sinkane, Gustavo Dread, Dee, Joey Badass, Matéria Prima, Martim Campbell, Gregory Isaacs, Peter Broggs e Twinkle Brothers. Já estamos há quase dois anos trabalhando em conjunto com a Educativa na propagação da boa música. Muito obrigado a todo mundo que torna isso possível. Bom feriado!

Escute e baixe Vignettes, a nova trilha do produtor Damu The Fudgemunk

Se ontem nós atualizamos a matriz do mangue com os elegantes beats do Sono TWS, hoje é hora de deixar vossa senhoria por dentro de outro registro cabuloso pautado por batidas, no caso, o novo release do mago Damu The Fudgemunk. A trilha Vignettes, disponível em forma de vinl, fita cassete e cd, apresenta o capitão da Redefinition Records ministrando mais uma verdadeira aula em matéria de instrumentais. Assim como na série sonora How It Should Sound, Damu tira a poeira da coleção de discos dele para picotar os samples e recortar vários diálogos sobre o arsenal de boom baps. Ao lado da lenda Pete Rock, mista The Fudgmunk é o nome que mais agrada nossos ouvidos quando o assunto é beatmaker. Se o trampo também fizer a cabeça de vossa senhoria, é só fazer o download dentro do próprio player e dar o share aí na sua área.

Damu The Fudgemunk

Street Talk, do Sono TWS, é a beat tape de estreia do selo Tired Of People

Trabalhando sempre em ritmo pesado e bem mocado ali pelos lados de Jundiaí, no interior de São Paulo, nosso camarada Sono TWS tirou da manga na semana passada o excelente registro Street Talk. Depois de lançar trilhas por gravadoras como Us Natives Records, Beatwise Recordings e UKIYO Beat Tapes, o produtor coloca nas ruas o primeiro release do selo Tired Of People, que é capitaneado pelo próprio Sono.

Armado com as máquinas Emu Sp-12 Turbo, Akai S950 e Sp303, o beatmaker calibrou caixa e bumbo em perfeita sintonia para embalar o expediente de vossa senhoria ao som de 19 instrumentais que bebem diretamente da inesgotável fonte do rap oriundo dos anos 90. Pautada também pela cultura do sample, a produção apresenta recortes do soul/jazz e traz instrumentais que precisam de, no máximo, 2 minutos e 33 segundos para fazer sua cabeça.

Em matéria de beats, podemos afirmar com toda certeza que o Sono é o produtor nacional que mais agrada nossos ouvidos. E ficamos ainda mais convictos em relação a isso depois da audição da trilha Street Talk, disponível somente para streamming – pois as cópias físicas estão esgotadas – no player acima. Ainda selecionamos os vídeos das faixas Lembranças e Alta Performance para você entender melhor a proposta do lançamento de estreia do label Tired Of People. Procure conhecer e acompanhar de perto a caminhada deles pelas páginas das redes sociais porque o foco dos manos é exclusivamente a música.


SonoTWS | Tired Of People

Viaje pelo jazz africano na nova mixtape do italiano Jazzcat

Um dos melhores canais ali pelos lados do Mixcloud, o Jazzcat, alcunha usada pelo italiano Massimiliano Conti, subiu há duas semanas a trilha Deep Jazz from Africa. Como o próprio nome já passa a visão, o seletor apresenta uma viagem pelo jazz oriundo das terras africanas com músicas assinadas por Dollar Brand, Malombo, Batsumi, Dadisi Komolafe, entre outros. A produção fez parte da programação da estação marroquina Ness Radio, que transmite toda quarta, sexta e domingo uma atração comandada pelo colecionador da cidade de Pescara, na Itália. Se quiser embarcar na viagem, é só encostar no player abaixo.

Jazzcat

Programa Mangroovee #40: John Coltrane, EMEDZ6, Flying Lotus, Lay e Akrobatik

Ontem foi um dia muito especial na caminhada deste modesto endereço virtual. O Mixcloud passou a peneira em toda a rede e escolheu o Programa Mangroovee como um dos melhores do mundo em matéria de boa música. Estamos ao lado de nomes como Le Mellotron, RBMA Radio Panamérika, Pitchfork, Bondi Beach Radio e outros que são referências no nosso expediente. Só podemos agradecer a todo mundo que acessa o site, cola nas promoções, sintoniza na rádio e dá suporte ao trabalho. Nunca fizemos o corre por grana e não tem nada que pague um reconhecimento dessa altura.

E assim como mista Silvio Santos, colamos em ritmo de festa e climatizamos a tarde de vossa senhoria com mais um capítulo inédito da nossa empreitada ao lado da estação rio-pretense. A sessão de número 40 do mangue na Rádio Educativa FM homenageia John Coltrane e ainda traz nomes como Lessa Gustavo, Nego Max, EMEDEZE6, Don L, LAY, Akrobatik, Soul Jazz Orchestra, Alice Coltrane, Flying Lotus e Zimun. Se quiser conferir a página da premiação do Mixcloud, o link está disponível ao final do post. Muito obrigado.

Online Radio Awards

O Azymuth voltou. Confira o trio brasileiro em dois singles do próximo disco, Fênix

Tarada pelo groove tupiniquim, a gravadora britânica Far Out Recordings vem atualizando há cerca de um mês as redes sociais do selo com novidades sobre o próximo trabalho do trio Azymuth. O canal do YouTube já foi abastecido com os singles Vila Mariana – Pela Madrugada e Fênix, que é a faixa responsável por batizar o novo álbum, além de um vídeo teaser sobre a obra.

Após o falecimento do maestro José Roberto Bertrami, em 2012, os integrantes Ivan Conti e Alex Malheiros convidaram o músico Kiko Continentino para completar o time. Neste exato momento, enquanto você acompanha esta postagem, o Azymuth roda a Europa desde o último dia 28 e apresenta com a elegância de sempre o repertório completo para os gringos. Como, infelizmente, eles ainda não desembarcaram no Brasil com a pepita, você pode escutar os dois sons nos players e marretar sua cópia física na pré-venda – link ao final do post.

Fênix – Pré-Venda