Trocando Ideia #17: Sono TWS e Laylah Arruda lançam o single Pequenos Templos

Dois grandes nomes da música independente tupiniquim que passam direto aqui no mangue e sempre atendem nossa equipe na maior camaradagem acabaram de soltar um excelente trampo na rede. Estamos falando do nosso amigo Sono TWS e da cantora Laylah Arruda, que trincaram a parceria e soltaram hoje pelo selo Tired Of People o single Pequenos Templos. Se você acompanha nossas atualizações, com certeza já escutou alguma das beat tapes do produtor oriundo de Jundiaí, no interior de São Paulo, e também conferiu o trabalho da paulistana no coletivo Feminine Hi-Fi ou ao lado da banda Santa Groovee. Trocamos uma ideia bem dahora com a dupla sobre a música em questão e vossa senhoria só precisa apertar o play abaixo enquanto confere a entrevista. Caso goste do resultado, acesse o link ao final do post e abençoe sua HD com a faixa.

1 – Você lançou muito mais beat tapes do que instrumentais em parceria com cantore(a)s. A faixa O Mundo é Música, que saiu no disco Jah Bless Ventura, do Jamés Ventura, foi uma exceção. Qual a diferença entre criar a batida para uma tape e fazer um trabalho com alguém cantando em cima da base?

Sono TWS: A diferença é que o processo criativo de uma beat tape é bem individual, diferente do trabalho feito em parceria com alguém. Tenho um arsenal de beats e procuro escolher as produções que tem a ver com cada pessoa. Quando rola a identificação, o trabalho flui. Ainda não tive oportunidade de criar um instrumental feito especialmente para determinado artista.

2 – Como aconteceu o encontro entre o trampo de vocês?

Sono TWS: Já éramos amigos e tínhamos conhecimento do trabalho de cada um. Até que certo dia conversamos sobre fazer algo em parceria e mostrei algumas batidas que tinha por aqui. Depois ela me mandou uma guia e começamos a desenrolar todo o processo. Gravamos as vozes no estúdio Dubatak Records, do Jeff Boto, e mixamos a música com o Tiago Frúgoli. Ficou tudo entre amigos e acredito que isso tenha colaborado bastante para o resultado final do som.

3 – Existe a possibilidade do trampo sair em compacto ou em algum outro formato?

Sono TWS: Vamos soltar esse som na rua e esperar a repercursão. Acreditamos que nesse momento não sairá em formato físico, mas no futuro quem sabe. Talvez cortar uns dubplates para experimentar nas festas. Temos interesse em manter essa parceria, acredito que quem ouvir a faixa vai perceber a sintonia do nosso trabalho. Mostrei vários beats para a Laylah, já separamos alguns e estamos deixando a natureza ditar o tempo, sem pressa.



4 – Depois do lançamento do single, quais são os próximos passos do selo Tired Of People?

Sono TWS: Entre julho e agosto vou lançar minha próxima beat tape, We Can Get Along, em cassete e pretendo soltar em vinil. Conversei com o pessoal de fora e estou pesquisando por aqui para ver se é viável ou não. O corre é independente, tudo tem um custo para sair do papel mas teremos novidades nos próximos meses.

5 – Já tínhamos escutado você cantando em várias vertentes ao lado da banda Santa Groove e em alguns riddims, mas nunca em um boom bap cheio de referências do jazz. Como foi soltar a voz no beat do Sono e, na sua opinião, quão importante é para o artista sair da zona de conforto e transitar por diferente vertentes musicais?

Laylah Arruda: A música jamaicana é o universo onde tenho mais experiência para plantar minhas composições. Já são 12 anos de atividade no cenário Sound System e isso cria uma familiaridade cada vez maior com o reggae e todas suas vertentes. O trabalho com meus irmãos do Santa Groove me ajuda muito a explorar outras vertentes que tanto gosto, mas ainda não tinha rolado a oportunidade de realizar oficialmente.

A cultura reggae de sistemas de som é uma grande escola porque apresenta um modus operandi em que o Toaster ou Singjay (meu caso, que é a emcee melódica) precisa se virar para encaixar a voz nos riddims que o seletor toca. Nada combinado, sempre no estilo livre. Além disso, quando falamos de dubplates (músicas exclusivas encomendadas por equipes ou seletores), a demanda é alta e fazemos vários temas em um único dia de estúdio. Isso exercita a capacidade de compor na hora e ser rápida no gatilho quando apertam o REC.

Acredito que essa bagagem me possibilite navegar por outros mares de um jeito mais massa. De fato, Pequenos Templos é uma saída da zona de conforto, mas eu encaro como um revival em certo aspecto. Meu primeiro mergulho real na música, como apreciadora e arriscando pequeníssimas gravações, foi fazendo Rap. Sinto esse trabalho como uma imensa realização de sonho. Algo que devaneava na adolescência e hoje posso concretizar exatamente com a sonoridade que sempre imaginei.

6 – A letra do som fala sobre relações afetivas, que é um tema bastante discutido nos dias atuais, onde tudo vira muito instantâneo e passageiro. Qual a mensagem que você tentou passar para quem escutar a faixa?

Laylah Arruda: Que não precisamos de muito para amar, mas devemos nos permitir. Em tempos de consumo, status e egos inflados, a gente parece mais correr atrás de legitimar o nosso avatar do que dedicar espaço e energia pra amar alguém. Então Pequenos Templos cria um universo do particular, de como cada pequena e delicada atitude cria castelos de emoção. E, pelo menos pra mim, isso é amar. Sem medos, sem rodeios, simples.

Laylah Arruda | SonoTWS | Tired Of People

Escute e baixe o novo disco do Curumin, Boca

Vem sendo embaçado atualizar o site com a frequência de sempre durante o mês de maio, mas nosso radar continua ligado para não deixar passar alguns lançamentos que são aguardados aqui no expediente do mangue. Os registros Boca, do mestre Curumin, e Galanga Livre, do ponta de lança Rincon Sapiência, saíram na semana passada e estavam na nossa lista há bastante tempo. O primeiro deles embala vossa tarde de segunda-feira ao som de 13 músicas assinadas por Luciano Nakata Albuquerque, que não chegava com faixas inéditas desde o disco Arrocha, de 2012.

Ao lado dos camaradas de longa data Lucas Martins e Zé Nigro, Curumin cuidou de toda a produção musical da trilha, que também traz as colaborações de Russo Passapusso, Indee Stylah, Rico Dalassam, Anelis Assumpção, Andrea Dias, Max B.O. e Iara Reno. Assim como em toda a obra do paulistano, Boca é mais uma prova de que o cantor/multi-instrumentista não fica na zona de conforto e consegue sair dela com muita naturalidade em busca de novas sonoridades. Ele se reinventa outra vez com uma receita balanceada por instrumentos orgânicos e produções digitais, diversas experimentações de estúdio, vários elementos das raízes sonoras tupiniquins e letras que refletem bastante sobre o nebuloso momento do país.

Entre todos os sons presentes na pepita, destacamos Bora Passear, Paçoca, Terrível, Tramela, Boca Cheia e Prata, ferro, prata. Encoste no player abaixo para conferir outra iguaria preparada com selecionados ingredientes pelo chefe  nipo-brasileiro. Caso você ache louco, acesse o site da Natura Musical – link ao final do post – e faça o download da sua cópia virtual. Vida longa, Curuma.

CuruminNatura Musical

Rolê Mixtape é a nova trilha assinada pelo DJ Formiga. Ouça e faça o download

Responsável por realizar uma excelente pesquisa em matéria de música brasileira e outros grooves mundiais, o paulistano DJ Formiga subiu recentemente no Mixcloud a mixtape Rolê, que surgiu a partir de uma sessão dele no projeto Jazz nos Fundos, de São Paulo. Integrante do coletivo Vinil é Arte, o deejay colocou no menu iguarias de chefes como Curtis Mayfield, Chali 2na, The Quantic Soul Orchestra e Xanadu, apertou o REC no estúdio Poeira & Pó e serviu o banquete sonoro no player abaixo. Aproveitamos o gancho da postagem e também colocamos aqui no mangue outra trilha assinada por ele, no caso, a Poeira Mixtape. Os dois registros são embalados somente com vinil e apresentam boas referências garimpadas pelo Formiga. Se tiver afim de começar a segunda com música de primeira, é só chegar no play. Download disponível ao final do post. Aproveita!


DJ Formiga | DL Rolê Mixtape | DL Poeira Mixtape

Mangroovee no Ar #54: Marvin Gaye, Marku Ribas, Digitaldubs, Marcelo Fragoso e Cornel Campbell

Ecoada pela antena da Rádio Educativa FM no dia 29 de março, a edição de número 54 do Mangroovee no Ar disparou para os quatro cantos de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, uma seleção pautada por soul, funk, samba rock, dub, reggae e rap. Caso você não conseguiu escutar o episódio pela transmissão da estação, pode ficar tranquilx aí desse lado porque nosso Mixcloud acabou de ser atualizado com a sessão em questão. Então garanta vosso café preto e aperte o play abaixo para embalar a quinta-feira com Gil Scott-Heron, Brian Jackson, Donny Hathaway, Marvin Gaye, Marku Ribas, Marcelo Fragoso, Paulinho Boca de Cantor, Augustus Pablo, Al Campbell, Cornell Campbell, Digitaldubs, Cedric “Congo” Myton, RZO, Rincon Sapiência e Froid. Compartilhe nossa saga radiofónica na sua área e ajude a firma a continuar propagando a boa música.

Ouça e faça o donwload da excelente mixtape Boom Bap Vol. 4, do DJ Dennon

Camarada de longa data do Mangroovee, o amigo DJ Dennon sempre comandou o som nos bailes realizados pela firma em nossa cidade natal, São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Representante de peso da cultura do turntablism, onde o deejay apresenta a verdadeira arte dos toca-discos, nosso parceiro pilota a nave com maestria e ainda é dono de um faro altamente apurado na pesquisa da boa música. Você pode confirmar que não estamos falando besteira chegando no play do quarto volume da série Boom Bap, liberada ontem por ele no canal do Mixcloud. Caso vossa senhoria ache a trilha dahora, sugerimos que faça o download – link ao final do post – e escute os outros três capítulos da saga, além de todos os players assinados pelo Dennon. O nível é alto em qualquer um dos trabalhos do DJ residente da cidade de Mirassol.

DJ Dennon | Download Boom Bap Vol. 4

DJ Spinna ministra uma aula de boom bap na trilha 1996 Beat Tape Vol. 1. Ouça

Embalada somente por instrumentais produzidos pelo DJ Spinna em meados de noventa e seis, a trilha 1996 Beat Tape Vol. 1 é o mais novo lançamento do selo Redefinition Records, ou apenas Redef. Disponível em acetato e também no formato cassete, o registro traz o deejay/produtor oriundo do bairro do Brooklyn, nos EUA, ministrando uma verdadeira aula de como tirar um som com as máquinas EmuSP-1200 e Akai S950. Com caixa e bumbo batendo em perfeita sintonia nas 18 faixas, o repertório da fita de batidas não para de tocar no expediente do mangue e acreditamos que também vai ser uma boa para climatizar a terça-feira nublada de vossa senhoria. Até o momento, a gravadora do mestre Damu The Fudgemunk liberou o lado A da tape para streamming no SoundClound. Você pode escutar exatos 18 minutos e 22 segundos de DJ Spinna on the beat no player abaixo para entender por que ele é requisitado em trabalhos assinados por Spike Lee, Stevie Wonder e Mos Def.

DJ Spinna | Redef Records

Mangroovee no Ar #53: Especial Dia das Mulheres

Transmitido pela Rádio Educativa FM 106,7 em 8 de março, no dia das mulheres, a edição especial do Mangroovee no Ar embalou uma hora de sessão na estação rio-pretense somente com artistas brasileiras. Passamos a bola para Gal Costa, Joyce, Rosinha de Valença, Thalma de Freitas, Céu, Lurdez da Luz, Marietta Massarock, Luana Karoo, Yzalú, Tássia Reis, Laylah Arruda, Maria Elvira, Flora Matos, Karol Conka e Soraia Drummond. Você só precisa apertar o play abaixo para conferir como foi o episódio em questão. Se gostar, compartilhe nosso trabalho aí na sua área. O mangue agradece!

Ronald Rios entrevista o produtor Nave na websérie Rap Cru

Comandada pelo Ronald Rios, a série Rap Cru é, ao lado de produções como Programa Freestyle e Quado em Branco, uma das melhores atrações da rede em matéria de rap nacional. O ex-integrante do CQC já entrevistou Rodrigo Ogi, Emicida, Kamau, Thaíde, entre outros, além de dedicar alguns episódios falando sobre clássicos assinados por Wu-Tang Clan, Kanie West e Notorius BIG. O mais recente episódio da saga apresenta o carioca trocando ideia com o produtor Nave, que faz parte do excelente duo Savave e coleciona trabalhos com Marcelo D2, Karol Conka, Flora Matos, Rael e grande elenco. O Ronald entende sobre o que tá falando e desenrola dahora a ideia com o curitibano. Aperte o play para conhecer melhor a história de um dos melhores produtores do país.

Rap Cru

Ouça a faixa Boca de Groselha, primeiro single do próximo disco do Curumin, Boca

Ao lado de nomes como Chico Science, Jorge Ben, A Tribe, Bob Marley e Contra Fluxo, o mestre Curumin está fácil entre as maiores referências aqui do Mangroovee. Acompanhamos o trabalho dele desde os tempos do MySpace e estamos ansiosos para conferir o próximo registro do músico, o álbum Boca, que vai sair em maio e traz as participações de Russo Passapusso e Rico Dalasam. Enquanto a produção ajusta os últimos detalhes do lançamento, o paulistano acabou de soltar a primeira pista do que vem por aí. Estamos falando sobre o single Boca de Groselha, que acabou de ser liberado pelo selo Natura Musical e está a um clique do alcance de vossos ouvidos. Link disponível logo depois do retrato. Aproveita!

Clique aqui para escutar o single Boca de Groselha

Curumin

Conheça a mistura sonora da banda mineira Filhos de Sandra

Apresentando Hot e Oreia, dois dos emcees mais originais do país, no comando dos microfones, a banda Filhos de Sandra faz um som permeado por vários gêneros musicais presentes aqui na matriz do mangue. O grupo da capital mineira tem o rap como ponto de partida, mas acrescenta na mesma panela ingredientes temperados com especiarias do reggae, rock, jazz, afro e brazuca. Além dos integrantes da DV Tribo, o projeto ainda traz os instrumentistas Chuck, Jean Clo, Dedé, Pedrão e Fantini, que também fazem parte de outros combos da cena alternativa de Belo Horizonte como Absinto Muito, Dom Pepo e Ménage.

Já tínhamos visto alguns trabalhos dos mineiros, mas só nos ligamos no tanto que o som é louco na semana passada, quando eles lançaram um vídeo embalado por três faixas. A primeira delas, Xangô, chega no melhor estilo afrobrazuca e abre os caminhos para Hot soltar a voz com muita categoria em cima do instrumental. Depois eles convidam o baiano Baco para fazer o som 999 e ainda finalizam a sessão com didgeridoo na chapada produção LSDMTHC. A sintonia de longa data entre os dois vocalistas, além da excelente cozinha pilotada pela banda, faz o som dos caras sair de maneira verdadeira e ecoa diferente de boa parte do que costuma ser encontrado em solo brasileiro.

Aproveitamos a oportunidade e também abastecemos a postagem com mais dois trabalhos do projeto, as músicas Zandra e Consome. Caso você goste do som, vale a pena fazer o garimpo e ficar por dentro dos trabalhos paralelos dos integrantes.

Filhos de Sandra