Trocamos ideia com o Matéria Prima, que acabou de lançar o vídeo de Sai Na Marra

A última semana foi bastante agitada porque estávamos correndo com a produção do nosso primeiro baile na Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte, onde estamos morando desde o início de 2016. E como já nos recuperamos da celebração, voltamos aos trabalhos virtuais para atualizar o site com a mais recente entrevista feita pelo mangue. Referência no nosso expediente desde sempre, o Matéria Prima, ex-integrante dos coletivos Quinto Andar e Subsolo, é mais uma vez a bola da vez na matriz.

Depois de lançar no mês passado o excelente disco 2 Atos, que traz produção musical na conta de Gui Amabis (Instituto), o MC mineiro abasteceu o YouTube no último dia 15 com o excelente clipe da faixa Sai Na Marra. Assinado pelo diretor Gustavo Amaral, responsável por dirigir também o clipe de Hahaha, do Rodrigo Ogi, o vídeo embala a levada de Matéria Prima com várias imagens de filmes blaxploitation.

Tínhamos trocado uma ideia com o protagonista da história em janeiro, logo depois do lançamento do álbum, mas devido à correria de ambos os lados, só conseguimos colocar agora a conversa no ar. Então chega no play para conferir a produção audiovisual e escute o álbum completo enquanto você lê a entrevista.

1 – A gente tá ligado no seu som desde a época do Quinto Andar. Você também fez parte do Subsolo, lançou EP e disco em carreira solo, além do trampo nos vocais da banda Zimun. Todos esses trabalhos sempre foram ligados ao rap. O disco 2 Atos bebe dessa fonte, mas você também sai da zona de conforto nas composições e solta a voz sobre diferente instrumentais, principalmente nas cinco primeiras faixas. Como foi o processo de criação e, na sua visão como artista, quão importante é sair dessa zona de conforto e se arriscar em outros estilos musicais?

Matéria Prima: Não estagnar. O risco se dá pela necessidade de descobrir os limites. O rap é um emaranhado de influências e a gente pode se espelhar de uma forma mais nítida em uma ou outra. O processo de criação é o reflexo disso. Esse disco foi feito em parceria com Gui Amabis na produção e participaram também Regis Damasceno, Dustan Gallas, Rica Amabis e Samuel Fraga. Um encontro muito interessante para fazer música, ainda mais vindo do rap, em que tudo é mais instintivo. Faço parte do Zimun, de Belo Horizonte, que ao longo do corre me proporcionou mais maturidade no desenvolvimento tanto da escrita quanto no canto.

2 – Na faixa 9, Sai na Marra, você cita o OGI, um dos nomes do rap nacional que também consegue transitar com naturalidade por diferentes vertentes sonoras. Na sua opinião, quais outros artistas da cena tupiniquim fazem isso de maneira bem feita?

Matéria Prima: Sombra, Criolo, Tassia Reis, Neto (Síntese), Black Alien, Lurdez da Luz, Elo da Corrente, Rodrigo Brandão, são alguns que experimentam e transitam bem entre outras vertentes sonoras.

3 – Ainda falando sobre o universo fora do rap. O que você escuta direto que os fãs das suas rimas não imaginam?

Matéria Prima: Porra, um monte de coisa. Tem fases. Tem hora que é puro rap, tem outra que é Christopher Cross, Chicano Batman, Little Beaver, Juçara Marçal, Gilberto Gil, Kiko Dinucci e por aí vai.

4 – O rap de Belo Horizonte também vem sendo muito bem representado por bancas como DV Tribo e Posse Cutz. Quem mais aí da área merece uma atenção especial?

Matéria Prima: Abu, Castilho, Well, Roger Deff, Shabê, Kainna Tawa, Tamara Franklin, Douglas Din e Kali. Somente citando alguns que estão na cabeça agora.

Matéria Prima | Zimun

Vídeos da semana: BaianaSystem, Siba, Rato & Ralph, Sono TWS e Chinese Man

Ontem foi uma data especial. Além de ser dia de Iemanjá, o saudoso mestre Chico Science completou 20 anos longe do plano terrestre e o BaianaSystem ainda deixou a quinta-feira bem melhor lançando o cabuloso vídeo do single Invisível. Aproveitamos a parada pelas férteis terras nordestinas e também selecionamos o trampo O Inimigo Dorme, do pernambucano Siba.

Embarcamos pelas estradas tupiniquins até o interior de São Paulo, na cidade de Taubaté, onde garimpamos o clipe RapFlowJazz, da dupla Rato & Ralph. Esticamos mais algumas horas de carro para estacionar em Jundiaí e sair de lá com o audiovisual do instrumental Látex, presente na beat tape Street Talk, do nosso camarada Sono TWS.

Depois de todo esse rolê, quando finalmente chegamos na firma, tinha um PAX despachado pelos franceses do projeto Chinese Man com o filme da produção Escape, que faz parte do repertório do novo release Shikantaza. É só chegar nos players e entrar no clima do final de semana.





BaianaSystem | Siba | Rato & Ralph | Sono TWS | Chinese Man

Assista Rocksteady Sessions, nova série de música jamaicana da You & Me On A Jamboree

Os camaradas do blog You & Me On A Jamboree, endereço virtual responsável por propagar com muita responsa a mensagem da música jamaicana, estreou na rede a excelente série Rocksteady Sessions. A ideia da produção é apresentar releituras feitas por artistas brasileiros para clássicos do ritmo que dominou a ilha caribenha entre os anos de 1966 e 1968. O vocalista Edu Sattah Jah, do grupo Leões de Israel, comandou o microfone nas duas primeiras edições da série, onde vossa senhoria confere as canções Love Me Forever, de Carlton And His Shoes, e Go Away Dream, de Derrick Harriot. A banda ainda é formada por Guilherme Tamer, Renato Taimes, Rafael Senegal, Daniel Charelli, Samuel Charelli e Tony D`Godoy. Além da interpretação, você também confere Jurássico e nosso camarada Greg Fernandes fazendo uma breve introdução sobre as faixas escolhidas nos episódios. É só encostar nos players abaixo para entender melhor…


You & Me On A Jamboree

Assista ao novo episódio da websérie Raciocínio Quebrado, do Parteum

Já fazia um ano que o mestre Parteum não atualizava o canal do Youtube com novos episódios da websérie Raciocínio Quebrado. Durante esse intervalo, ele subiu na rede o EP Campanha, a trilha Mídia Prata/Prata e o single 01.01.16. Porém, na semana passada recebemos uma notificação no email e demos de cara com o vigésimo capítulo da saga de vídeos comandadas pelo paulistano. O integrante do Mzuri Sana apresenta outra aula de audiovisual no mais recente trabalho, que entrevista o grafiteiro Flip, o diretor One9, do documentário Time Is Illmatic, além de imagens de sessões de skate, shows, trabalhos de design e vivências com o senhor Chico Benedito, avô do Parteum. Trabalho muito bem feito…

Raciocínio Quebrado

Entrevistamos o DJ Basim, campeão do DMC Brasil 2016

Somando mais de 15 anos na caminhada como deejay, nosso camarada e conterrâneo Daniel Egide, o DJ Basim, é a essência do Hip Hop. Iniciou seus primeiros passos como dançarino da Super Sonic B. Boys, primeira crew brasileira a competir no mundial de breaking, em Hannover, na Alemanha, no ano 2000. Quase duas décadas depois desse feito histórico, o rio-pretense voltou até o velho continente para representar novamente o Brasil como um dos quatro elementos da cultura. Mas, agora, a história foi diferente e o sangue bom do Basa teve a missão de comandar os toca-discos na etapa mundial do DMC, o campeonato mais importante do mundo em matéria de turntable.

Aproveitamos a deixa e escalamos nosso irmão Plínio Rozani, diretor de toda a parte audiovisual do Mangroovee, para gravar um trampo com o campeão nacional. Então não vamos nos alongar muito porque o conteúdo abaixo explica melhor toda a história do Basim e a rotina dele até a final da competição. Se quiser conhecer mais sobre os vídeos do mangue, o link do canal fica logo no final do post. Vida longa, DJ Basim. De São José do Rio Preto para o mundo.

DJ Basim | Essa Fita Memo

Confira a apresentação do Thievery Corporation na KEXP Radio

Em comemoração aos 20 anos de carreira, a dupla de produtores Rob Garza & Eric Hilton, mais conhecidos como Thievery Corporation, desembarcou nos estúdio da KEXP Radio com o time completo para fazer um live das faixas Forgotten People, Le Monde, All That We Perceive, Amerimacka e Culture Of Fear. Eles trocaram uma breve ideia com o apresentador Darek Mazzone, mas o som fala mais alto e bate pesado demais no QG da estação de Seattle, nos EUA. Sessão embalada com muito reggae, dub, música eletrônica, trip hop, rap, além de outros elementos sonoros de diferentes culturas. Você só precisa chegar no player abaixo para climatizar o domingo ao som de Thievery Corporation.

Thievery Corporation | KEXP Radio

Vídeos da semana: DowRaiz, África Mãe do Leão, Céu, Posse Cutz e Coruja BC1

Se toda quinta-feira você confere na matriz uma nova edição online do Programa Mangroovee, a sexta chega com o resultado do nosso garimpo pelos lados do YouTube. A semana foi bem movimentada com vários lançamentos que passam pelo reggae, rap, brazuka e beats experimentais. Escolhemos alguns deles e quem abre os caminhos é o curitibano DowRaiz na companhia da Nomad Magush no excelente trabalho Sobre Os Pontos, que também traz a participação de Ricardo Verocai.

Seguimos no embalo com a edição sinistra do vídeo Passando a Limpo, onde o Coruja BC1 dispara as punchlines sobre a batida assinada pelo Skeeter. Após o descarrego de versos, climatizamos o ambiente com graves, médios e agudos do sistema de som da equipe paulistana África Mãe do Leão, no registro do camarada RAS Films em sessão realizada no MASP, em São Paulo.


Fechamos a conta em ritmo desacelerado com o clipe da música Varanda Suspensa, presente no repertório do disco Tropix, da cantora Céu, além do chapado instrumental dos manos Líquido e Fumaça, ambos integrantes da Posse Cutz, de Belo Horizonte. Pegue vosso café e chega no play, gente boa.


DowRaiz | Nomad Magush | Coruja BC1 | Skeeter | África Mãe do Leão | RAS Filmes | Céu | Posse Cutz

Vídeos da semana: Tássia Reis, De La Soul, Verocai, Criolo, Froid, Djonga, Emicida e J. Cole

Não estamos conseguindo atualizar o site diariamente porque, do mesmo modo que vossa senhoria, também temos vários corres para finalizar até o final do ano. Porém, como nosso foco continua sendo a boa música, aproveitamos enquanto o chefe olhou pro lado e colamos rapidão na matriz para deixar você por dentro de alguns bons lançamentos da semana.

Iniciamos a saga semanal na companhia do maestro Arthur Verocai e do cantor Criolo no making of da faixa O Tambor, presente no disco No Voo do Urubu, retirado do forno no último dia 7. O lendário trio De La Soul chega no audiovisual do som Memory Of… (US), que traz as participações de Pete Rock e Estelle, além da cantora Tássia Reis mantendo o nível lá no alto com a produção da canção Se Avexe Não.



Depois é hora de passar a bola para J. Cole e o clipe da canção False Prophets, onde ele rima no beat Waves, do produtor Freddie Joachim. E finalizamos a sessão com dois novos – e excelentes – trabalhos nacionais. Emicida cola ao lado de Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalassam, Muzzike e Raphão Alaphin na super produção da trilha Mandume. Dois dos principais nomes do ano em matéria de rap tupiniquim, Froid (UBR) e Djonga (DV Tribo), respectivamente, fecham os trabalhos ao som do registro A Pior Música do Ano.



Tássia Reis | De La Soul | Verocai | Criolo | Froid | Djonga | Emicida | J. Cole

Escute o segundo disco do Síntese, Trilha Para o Desencanto da Ilusão Vol. 1

Presta atenção na introdução porque o Neto cola dando a letra para todo o planeta que o Síntese chega diretamente de São José e reascende, mais uma vez, a sua fé com música da melhor qualidade. Essa é a mensagem propagada na faixa responsável por abrir os caminhos do disco Trilha para o Desencanto da Ilusão, Vol. 1: “AMEM”, segundo álbum da carreira do mestre de cerimônia e o primeiro sem a companhia do Léo, que não faz mais parte do projeto desde o registro duplo Sem Cortesia | Vagando Pela Babilônia, de 2012.

Concebida na última sexta-feira, dia 25/11, a nova trilha do Síntese roubou a cena e embalou o final de semana por aqui com as faixas lapidadas pelo ninja Daniel Ganjaman. Além da intro e dos singles Descontrução e Novo Dia, que chegaram em forma de vídeo alguns dias antes da data de lançamento, o trabalho ainda traz Neto versando sozinho em outros nove temas.

Ele apresenta referência ao mestre Mos Def no som Gotas de Veneno. Chega na ginga jamaicana citando Satta Massagana e MZuri Sana (salve, the Abyssians e Parteum) na produção Ritual, nossa preferida do disco e que traz sample de Music Is The Most High, do Groundation. E em canções como Alvorada, Giramundo e Religare, Neto encaixa as rimas com maestria em batidas mais tranquilas, solidificando cada vez mais a mensagem, mas sem se tornar repetitivo.


Não sabemos se vossa senhoria vai concordar, mas, durante as audições, lembramos várias vezes do Black Alien, principalmente quando o Neto escreve as linhas em inglês. Já deu pra perceber que não faltam boas referências na pesquisa do MC de São José dos Campos, né? Então escute a obra completa, assista aos dois clipes e tira suas próprias conclusões sobre um dos maiores talentos do rap nacional, na nossa opinião, é claro. Você também pode fazer o download no portal da ONErpmlink aqui embaixo.

Download Síntese – Trilha para o Desencanto da Ilusão, Vol. 1: “AMEM”

Ouça na íntegra o excelente disco Jota 3 – Amplificado por Digitaldubs

Conhecemos o trabalho do carioca Jota 3 há pouco tempo. O primeiro som dele que ecoou aqui no mangue foi a faixa Balada do Justiceiro, que traz a produção assinada por uma das nossas preferências, o DigitalDubs. Depois da audição de estreia, saímos no garimpo à procura de outros trampos assinados por ele e demos de cara com a certeira produção Não Corte Seus Dreadlocks, de 2013, onde o cantor divide as linhas com o britânico Pablo Rider e solta a voz sobre a base produzida pelos manos da Groove Corporation (G-Corp).

O single Tempo de Revolução, lançado há quatro meses, chegou para dar a letra que o melhor ainda estava saindo do forno. Eis então que semana passada, mais precisamente na sexta-feira, o rasta concebeu o excelente disco Jota 3 – Amplificado por Digitaldubs. Além da parceria de longa data com o Sound System do Rio de Janeiro, o álbum ainda traz as lendas jamaicanas Sly & Robbie, mais BNegão, Jeru Banto, Pedro Seletor, Twilight Circus, Vibronics e grande elenco nas 10 canções da trilha.

A reunião desse time foi responsável por dar vida, na nossa humilde e sincera opinião, ao melhor lançamento brasileiro do ano em matéria de reggae. Delays, echos, reverbs e grave muito bem equalizados, batendo forte da primeira até a última tune. Além dessa capa louca demais, o registro ainda une boa música e mensagem consciente na mesma receita. Ajude na propagação chegando nos players, compartilhando o som aí na sua área e colando nos shows. Vida longa, Jota 3.

Jota 3