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Trocando ideia #11: Rodrigo Brandão e o primeiro disco do BROOKZILL!

Desde quando ficamos sabendo sobre o projeto BROOKZILL!, formado pelo R. Brandão (Mamelo S.S.), Ladybug Mecca (Digable Planets), Prince Paul (De La Soul/Gravediggaz) e Don Newkirk (Funk City), propagamos a mensagem emitida por eles. Escrevemos uma prévia sobre o trabalho aqui no site, colocamos os singles na programação da Rádio Educativa e também falamos várias vezes sobre o trabalho na página do Facebook.

Conforme foi chegando a hora do lançamento, acionamos o sangue bom do Rodrigo Brandão e conversamos com ele a respeito da primeira obra do combo. Gente fina até umas hora, o paulistano atendeu o mangue e falou sobre a pepita, a relação com os Orixás, o processo criativo, além da banca pesada presente nas participações especiais. Não vamos alongar demais porque a entrevista rendeu bastante. Enquanto você escuta o registro Throwback to the Future , leia a ideia e entenda melhor sobre o trampo em questão. AXÉ!

1 – Ano passado você apareceu com o 3rd World Vision, que trouxe vários nomes pesados da música nacional ao lado do Del The Funk Homosapien. A Ladybug Mecca também fez parte desse trabalho. É correto falar que o 3rd World foi o embrião do Brookzill?

Rodrigo Brandão: Na verdade, é o contrário: o 3rd World Vision surgiu quando o disco do BROOKZILL! estava 93% pronto, inclusive a faixa com o Del. Foi a parceria da gente que gerou o contato para ele vir até o Brasil pela primeira vez, em 2012, com o Deltron 3030. E aí, nessa ocasião o DJ PG jogou um vinil nacional na mão do Funky Homosapien e acendeu a fagulha que gerou o 3WV.

2 – Em relação ao processo criativo, você passou um tempo na gringa com os caras, eles vieram para o Brasil ou o trampo foi feito na base da distância? Explica aí como foi isso.

Rodrigo Brandão: Tanto eu fui quanto eles vieram. A gente fez questão de estar na mesma sala durante o processo todo. Nos inspiramos na magia inerente à música feita antes do advento da internet. Sabemos que a energia gerada pela presença de todos na sala é maior que nossos poderes individuais. Até por isso demorou para ficar pronto.

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3 – O disco traz várias participações especiais. Fafá de Belem, Kiko Dinucci, Espião, Ogi, Del, Count Bass D, Juçara Marçal, Elo, Brian Jackson, entre outros. Como foi reunir toda essa banca?

Rodrigo Brandão: Foi natural, porque o santo bateu em todos esses casos, na maioria deles é amizade de longa data. Considero uma benção gigante! Foi um prazer, viver música com quem me inspira é das maiores alegrias do Ayê! Mas também foi necessário: a gente sempre atendeu aos pedidos da canção e boa. Se a faixa tem cantora convidada, outros MCs, três percussionistas, é porque a gente ouviu isso no som. Jamais fizemos escolhas deliberadas ou pautadas pelo potencial comercial. A música é quem manda!

4 – A trilha traz várias referências aos Orixás e alcança o ponto alto nesse sentido na excelente faixa Terreiros, que fala sobre os três tambores da Curimba e vários nomes de entidades. Até que ponto a vivência no candomblé influência você na hora de escrever?

Rodrigo Brandão: Influencia 100%! São os Orixás que trazem a inspiração, dão o AXÉ, abrem os caminhos e tornam tudo Odara! Sem Eles, nem teria o som.

5 – Saindo um pouco do tema central e continuando no lado espiritual, gostaríamos de saber quais discos nacionais você indicaria para quem tiver afim de entender melhor a relação entre música brasileira e Orixás.

Rodrigo Brandão: É uma gama muito vasta de música maravilhosa feita no Brasil em louvor aos Orixás, mas lá vai uma trinca básica:
Os Afro-Sambas de Baden Powell & Vinícius De Moraes (1965, Forma).
– Orquestra Afro-Brasileira (1968, CBS).
Os Orixás (19xx, Som Livre).

6 – A gente se ligou que o álbum vai sair em vinil. Tem alguma previsão de lançamento para o disco físico? E Assim como rolou com o 3rd World, podemos esperar algumas datas com todo o time reunido em solo brasileiro?

Rodrigo Brandão: Já existe uma conversa entre a Tonmy Boy(gravadora responsável pelo trabalho) e um distribuidor brasileiro especializado em vinil, há de acontecer. Quanto aos shows, é um sonho que vai virar verdade na hora certa.

BROOKZILL!

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