Curumin é o convidado da série de música jamaicana Jam Lab. Assista ao episódio

Um dos nossos canais preferidos do Youtube, o Jam Lab, convidou o mestre Curumin, uma das maiores referências do Mangroovee, para participar da sessão de número 10 do projeto. O laboratório de música jamaicana capitaneado pelo cientista Victor Rice também contou com as participações de Betão Aguiar no baixo, Saulo Duarte na guitarra e Cuca Ferreira no sax e na flauta.

A soma dos músicos resultou no instrumental Rainha da Folhagem, que pode – e deve – ser conferido por vossa senhoria no player abaixo. Nomes do peso de Buguinha Dub, Edu Satta Jah, Monkey Jhayam e Arthur Joly são alguns dos artistas convidados nos episódios anteriores. Já postamos alguns capítulos da saga aqui no site, mas caso você não tenha visto, chega na página deles porque vale muito a pena.

Jam Lab | Curumin

O Azymuth voltou. Confira o trio brasileiro em dois singles do próximo disco, Fênix

Tarada pelo groove tupiniquim, a gravadora britânica Far Out Recordings vem atualizando há cerca de um mês as redes sociais do selo com novidades sobre o próximo trabalho do trio Azymuth. O canal do YouTube já foi abastecido com os singles Vila Mariana – Pela Madrugada e Fênix, que é a faixa responsável por batizar o novo álbum, além de um vídeo teaser sobre a obra.

Após o falecimento do maestro José Roberto Bertrami, em 2012, os integrantes Ivan Conti e Alex Malheiros convidaram o músico Kiko Continentino para completar o time. Neste exato momento, enquanto você acompanha esta postagem, o Azymuth roda a Europa desde o último dia 28 e apresenta com a elegância de sempre o repertório completo para os gringos. Como, infelizmente, eles ainda não desembarcaram no Brasil com a pepita, você pode escutar os dois sons nos players e marretar sua cópia física na pré-venda – link ao final do post.

Fênix – Pré-Venda

Mangroovee no Ar #39: Aláfia, BaianaSystem, Mos Def, Chico Science e Paulo César Pinheiro

Passamos duas semanas sem atualizar a matriz com nossa sessão na Rádio Educativa porque tinham alguns outros trampos na frente. Porém, o trabalho em parceria encomendado pela estação rio-pretense continua a todo vapor e colamos agora por aqui com o programa de número 39, que foi ao ar no dia 14 de setembro.Tita Lima, Paulo César Pinheiro, Aláfia, BaianaSystem, Chico Science e Nação Zumbi, The Apples, Zudizilla, Dirty Lion, Pok Sombra, Mos Def, Isaiah Rashad, O.C.L.A. e Criolo foram os responsáveis por climatizar a área da nossa cidade. Chega no play e compartilhe o registro para fortalecer o mangue.

Escute o excelente EP de estreia do combo Laylah & Santa Groove

O ano de 2016 vem sendo movimentado para a paulistana Laylah. Depois de tirar do forno o disco solo Amalgama e iniciar os trabalhos á frente do baile Feminine Hi Fi, ela acaba de lançar com a banda Santa Groove o EP homônimo deles. Além da cantora, o combo é formado por André Pilpo na bateria, Duane Bin Nogueira no baixo, Guilherme Gasa na guitarra, Victor Fão no trombone, Daniel Lupo no trompete, Kiko Bonato no saxofone tenor, Rafael Bira na percussão e Tiago Canzian nos teclados.

A gente já tinha escutado o single Sexta, que foi ao ar em uma das edições do nosso programa, e estávamos ansiosos para conferir o resultado completo. A trilha ainda traz mais seis faixas que passeiam por todos os gêneros sonoros preferidos do mangue. Samba, soul music, afrobeat, rap, funk e jazz embalam o repertório e fazem a audição fluir naturalmente. Gostamos da trilha completa, mas principalmente das músicas Acontece, Alaranjar, Madiba e o instrumental This is Santa Groove (A Padroeira).

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Muito louco ver um trabalho dessa qualidade sendo lançado de maneira totalmente independente. Depois de escutar o registro completo, entre na página dos caras e veja como vossa senhoria pode apoiar a correria deles. Cole no show, compre o disco físico e/ou compartilhe o som aí na sua área. Vale a pena.

Laylah & Santa Groove

O nêgo não para no tempo. Ouça o disco póstumo do mestre Sabotage

Entre todas as resenhas escritas durante os seis anos de Mangroovee, o texto sobre o lendário disco póstumo do Sabotage sempre foi a postagem mais aguardada de todas para colocar no ar por aqui. Além de esperarmos desde 2013, data do fatídico assassinato de Mauro Matheus, também tínhamos muita curiosidade sobre os versos inéditos e queríamos saber qual seria o resultado final da obra completa.

Porém, como o Instituto era responsável por assinar a produção, sabíamos que o Sabota chegaria programado pra rimar e esperamos pacientemente o álbum lançado no último dia 17. Depois de sete dias escutando sem parar, passamos o café no final do domingo e, finalmente, vamos atualizar o mangue com a nova trilha do Maestro do Canão.

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Assim como o próprio Sabotage rima no som Cabeça de Nêgo, ele comprova que o nêgo não para no tempo e desliza sua inconfundível levada em diferentes tipos de instrumentais nas 11 faixas do trabalho. Falando especificamente do repertório, as músicas Mosquito, O Míssil, O Gatilho, Canão Foi Tão Bom, Sai da Frente e Respeito É Lei não são novidades. A diferença é que agora a primeira vem embalada pelo trap do Tropkillaz, enquanto a segunda chega com uma nova base – cabulosa, por sinal – do DJ Cia e a terceira encosta com Céu, BNegão e Rodrigo Brandão nas participações.

Em relação aos sons que ainda não tinham feito nem sinal de fumaça até então, as inéditas Superar, País da Fome:Homens Animais, Maloca É Maré, Quem Viver Verá e Levada Segura embalam a outra metade do release e mostram que ainda tinha muito trabalho a ser feito por Sabotage. Dividindo o mic com Funk Buia e Rappin Hood, o rapper relembra os tempos de Dama Tereza na quinta faixa. Mas é na impressionante País da Fome:Homens Animais, que traz recortes de notícias sobre a morte do MC, onde ele chega com muita emoção e rouba a cena sozinho em seis minutos de música. Também destacamos as faixas 3, 4, 6, 9 e 11 como as que mais agradaram aqui pela área do mangue.

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O processo de lançamento do disco é outro fato digno de destaque. A produção executiva acertou em cheio ao escolher o Spotify como player exclusivo na hora de reproduzir o release. Como Sabotage teve uma morte precoce, deixando mulher e dois filhos para trás, a ação em parceria com a plataforma de streamming garante bons recursos financeiros para a família. O site também promoveu uma festa de boas vindas com direito à transmissão ao vivo no Facebook e convidou Rica Amabis, Tejo Damasceno, Daniel Ganjaman, Negra Li, DJ Zegon, DJ Nuts, Mr Bomba, Helião, Sandrão, Dexter, DBS, Lakers, Fernandinho Beat Box, Duani e vários outros nomes importantes para a realização do projeto.

Não sabemos aí desse lado, mas podemos garantir que por aqui a audição recompensou toda essa espera. Então fique à vontade e aproveite o lançamento musical mais aguardado dos últimos anos em nosso modesto endereço. Quem sabe não sai em vinil, né não? Sabotage Vive!

IFÁ e Blitz The Ambassador juntos no single Choptime No Friend. Escute aqui

Banda brasileira que mergulha de cabeça nas águas africanas desbravadas pelos capitães Fela Kuti e Tony Allen, a IFÁ colou recentemente aqui no mangue e deu a letra sobre o lançamento do primeiro disco do combo. Faltando menos de um mês para tirar o novo trabalho do forno, o grupo baiano continua trabalhando em ritmo acelerado pelas bandas de Salvador e surpreendeu todo mundo nesta quinta-feira tirando da manga o single Choptime No Friend.

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Se ano passado eles chegaram com muita elegância no EP feito ao lado da cantora nigeriana Okwei Odili, agora eles repetiram a ponte-aérea América do Sul – África e desembarcaram na companhia do rapper ganês Blitz The Ambassador. O som traz o contagiante groove da IFÁ fazendo a cama perfeita para o MC deitar e rolar com a levada e soltar a voz no refrão. Assinado pela artista Natália Arjones, o desenho embala o trampo na maior categoria. Encoste no play e fica ligado(a) porque novembro tá quase aí e o álbum chega. Fé no groove!

Blitz the Ambassador | IFÁ

Ouça Rato Miúdo, música inédita de Gilberto Gil censurada pela ditadura em 1975

Se você também gasta suas moedas comprando discos, é bem provável que já tenha arrematado alguma pepita com uma ou duas faixas totalmente riscadas. E a culpa disso não foi do antigo dono, muito menos do tiozinho do sebo aí da sua área. Governantes da época da ditadura brasileira como, por exemplo, Emílio Medíci e Ernesto Geisel, criaram a Censura Federal, orgão responsável pela triste missão de checar todos os álbuns tupiniquins e, consequentemente, estragar todos os sons que pudessem fazer o povo raciocinar sobre o triste estado do país naquele tempo.

Escrita por Jorge Alfredo, a música Rato Miúdo incomodou tanto os donos dos bons costumes daquela nebulosa época que não chegou nem a ser lançada no clássico disco Refazenda, de 1975, do Gilberto Gil. Ela foi removida pelo governo antes mesmo da prensagem. E agora, 41 anos depois, o J. Alfredo revelou a track e explicou em uma nota no site dele o motivo da censura. “Rato Miúdo foi censurada por causa do refrão que reproduzia os dizeres do meu certificado de reservista: ‘por ter sido julgado incapaz, definitivamente, podendo exercer atividades civis’. Gil teve que retirar a música do show e do LP Refazenda, e não colocou nenhuma outra no lugar”.

Aproveita enquanto o Temer não deleta conteúdo do YouTube e chega no play para escutar o que não era tolerado pelos fascistas daquela época. Valeu por liberar essa, Jorge.

Gilberto Gil | Jorge Alfredo

Trocando ideia #11: Rodrigo Brandão e o primeiro disco do BROOKZILL!

Desde quando ficamos sabendo sobre o projeto BROOKZILL!, formado pelo R. Brandão (Mamelo S.S.), Ladybug Mecca (Digable Planets), Prince Paul (De La Soul/Gravediggaz) e Don Newkirk (Funk City), propagamos a mensagem emitida por eles. Escrevemos uma prévia sobre o trabalho aqui no site, colocamos os singles na programação da Rádio Educativa e também falamos várias vezes sobre o trabalho na página do Facebook.

Conforme foi chegando a hora do lançamento, acionamos o sangue bom do Rodrigo Brandão e conversamos com ele a respeito da primeira obra do combo. Gente fina até umas hora, o paulistano atendeu o mangue e falou sobre a pepita, a relação com os Orixás, o processo criativo, além da banca pesada presente nas participações especiais. Não vamos alongar demais porque a entrevista rendeu bastante. Enquanto você escuta o registro Throwback to the Future , leia a ideia e entenda melhor sobre o trampo em questão. AXÉ!

1 – Ano passado você apareceu com o 3rd World Vision, que trouxe vários nomes pesados da música nacional ao lado do Del The Funk Homosapien. A Ladybug Mecca também fez parte desse trabalho. É correto falar que o 3rd World foi o embrião do Brookzill?

Rodrigo Brandão: Na verdade, é o contrário: o 3rd World Vision surgiu quando o disco do BROOKZILL! estava 93% pronto, inclusive a faixa com o Del. Foi a parceria da gente que gerou o contato para ele vir até o Brasil pela primeira vez, em 2012, com o Deltron 3030. E aí, nessa ocasião o DJ PG jogou um vinil nacional na mão do Funky Homosapien e acendeu a fagulha que gerou o 3WV.

2 – Em relação ao processo criativo, você passou um tempo na gringa com os caras, eles vieram para o Brasil ou o trampo foi feito na base da distância? Explica aí como foi isso.

Rodrigo Brandão: Tanto eu fui quanto eles vieram. A gente fez questão de estar na mesma sala durante o processo todo. Nos inspiramos na magia inerente à música feita antes do advento da internet. Sabemos que a energia gerada pela presença de todos na sala é maior que nossos poderes individuais. Até por isso demorou para ficar pronto.

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3 – O disco traz várias participações especiais. Fafá de Belem, Kiko Dinucci, Espião, Ogi, Del, Count Bass D, Juçara Marçal, Elo, Brian Jackson, entre outros. Como foi reunir toda essa banca?

Rodrigo Brandão: Foi natural, porque o santo bateu em todos esses casos, na maioria deles é amizade de longa data. Considero uma benção gigante! Foi um prazer, viver música com quem me inspira é das maiores alegrias do Ayê! Mas também foi necessário: a gente sempre atendeu aos pedidos da canção e boa. Se a faixa tem cantora convidada, outros MCs, três percussionistas, é porque a gente ouviu isso no som. Jamais fizemos escolhas deliberadas ou pautadas pelo potencial comercial. A música é quem manda!

4 – A trilha traz várias referências aos Orixás e alcança o ponto alto nesse sentido na excelente faixa Terreiros, que fala sobre os três tambores da Curimba e vários nomes de entidades. Até que ponto a vivência no candomblé influência você na hora de escrever?

Rodrigo Brandão: Influencia 100%! São os Orixás que trazem a inspiração, dão o AXÉ, abrem os caminhos e tornam tudo Odara! Sem Eles, nem teria o som.

5 – Saindo um pouco do tema central e continuando no lado espiritual, gostaríamos de saber quais discos nacionais você indicaria para quem tiver afim de entender melhor a relação entre música brasileira e Orixás.

Rodrigo Brandão: É uma gama muito vasta de música maravilhosa feita no Brasil em louvor aos Orixás, mas lá vai uma trinca básica:
Os Afro-Sambas de Baden Powell & Vinícius De Moraes (1965, Forma).
– Orquestra Afro-Brasileira (1968, CBS).
Os Orixás (19xx, Som Livre).

6 – A gente se ligou que o álbum vai sair em vinil. Tem alguma previsão de lançamento para o disco físico? E Assim como rolou com o 3rd World, podemos esperar algumas datas com todo o time reunido em solo brasileiro?

Rodrigo Brandão: Já existe uma conversa entre a Tonmy Boy(gravadora responsável pelo trabalho) e um distribuidor brasileiro especializado em vinil, há de acontecer. Quanto aos shows, é um sonho que vai virar verdade na hora certa.

BROOKZILL!

O primeiro disco do IFÁ sai em novembro

Um dos melhores grupos de todo o território nacional, o IFÁ está prestes a finalizar os trabalhos e sair do estúdio com o resultado final do primeiro disco, Ijexá Funk Afrobeat . O combo baiano, que lançou no ano passado o excelente EP com a cantora nigeriana V OKWEI Odili, escolheu a dedo e convidou os músicos Robertinho Barretto (Baiana System), Letieres Leite (Orquestra Rumpilezz), Gabi Guedes e Junix para participarem do release em questão.

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foto: Heder Novaes

Tentando amenizar um pouco a curiosidade de quem aguarda ansiosamente o registro, os caras disponibilizaram na rede uma série de vídeos sobre o processo criativo e com pequenas prévias dos novos sons. Trocamos uma breve ideia com o camarada Jorge Dubman, baterista do projeto, e ele deu a letra que a cópia virtual estará disponível na rede a partir de novembro. Então aconselhamos que você confira o trampo audiovisual logo abaixo, além da trilha feita em parceria com a vocalista africana. IFÁ na fé, fé no groove!



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Viaje pelas raízes da música brasileira na série África Brasil, do DJ Tahira

Já faz bastante tempo, mais precisamente a partir de 2011, que o DJ Tahira vem disseminando a influência da música africana e indígena nas raízes da sonoridade brasileira com a série África Brasil. O paulistano faz uma viagem pelas décadas passadas até chegar aos dias de hoje, selecionando sempre desde nomes antigos a outros mais atuais. Caju e Castanha, Grupo de Coco Ouricuri, Pinduca, DJ Tudo, Banda de Pifanos de Caruaru, Milton Nascimento, Baiana System, Maria Creuza, Jackson do Pandeiro, Trio Ternura, Mestre Suassuna e Dirceu, Siba, Zambé e por ai vai.

Você pode conferir no play abaixo – e baixar – as quatro edições da saga comandada pelo deejay nipo-brasileiro. Excelente oportunidade de conhecer alguns elementos importantes na formação da música brasileira, além de ficar por dentro dos mestres e dos pupilos que continuam propagando a verdadeira sonoridade tupiniquim.

DJ Tahira