Ouça o set de três horas feito pelo DJ Nuts na festa de 75 anos do Milton Nascimento

Há menos de uma semana, o DJ Nuts fez uma postagem no Facebook falando sobre como ele tava feliz de ter tido a honra de embalar a festa de aniversário de 75 anos do Milton Nascimento. Na ocasião em questão, o deejay embalou a celebração com um set de três horas de duração, que apresentou aos convidados nomes como Fafá de Belém, Flora Purim, MPB 4, Beto Guedes, Elis Regina e Wilson Simonal interpretando clássicos de autoria do Bituca. Acreditamos que provavelmente você também não colou nos parabéns do meste Milton para conferir mais uma aula de música brasileira ministrada pelo Nuts. Mas pode ficar tranquilo(a) porque o paulistano gravou toda a sessão com os discos e mandou o arquivo para o britânico Gilles Petterson, que não perdeu tempo e já subiu na rede a trilha no Mixcloud da estação Worldwide FM. Então não deixe de conferir o play abaixo para conhecer melhor a obra de um dos maiores artistas da história da música brasileira.

Milton Nascimento | DJ Nuts

Escute o álbum 20 Voltas, que é o novo trabalho assinado pelo Projetonave

Na metade de 2016, o Projetonave celebrou vinte anos de carreira com o lançamento de uma mixtape que apresentou produtores como SonoTWS, Coyote, Niggas, Dario e DJ Mako criando novas versões para algumas faixas da banda. E agora, quase um ano e meio depois, o grupo oriundo do ABC Paulista segue comemorando duas décadas de bons trabalhos prestados à música tirando do forno o álbum 20 Voltas. Dividida em duas partes, a nova trilha dos manos passa a sensação do ouvinte estar escutando uma fita cassete.

Enquanto o lado A traz 8 faixas interligadas produzidas pelo guitarrista Marco Pablo, a outra metade é embalada por instrumentais mais densos assinados pelo DJ B8. Assim como em toda a trajetória do Projetonave, o repertório de 20 Voltas é pautado pelo rap, seguindo os mandamentos das ruas com muita originalidade nos samples e nas colagens. Tudo isso sem esquecer das raízes brasileiras e transitando com muita naturalidade por gêneros como o dub, jazz, soul, entre outras vertentes da música negra. Vida longa!

Projetonave

Soul, funk, afro e jazz embalam o disco The Way Home, novo álbum do Ikebe Shakedown

O ritmo das postagens deu uma diminuída aqui no perímetro virtual do Mangroovee, mas sempre que possível vamos encostar para atualizar nosso honesto endereço eletrônico com bons lançamentos do mundo da música. E quem chega diretamente do bairro do Brooklyn, na Big Apple, para embalar vossa terça-feira é o combo Ikebe Shakedown. Lançado na semana passada pelo selo Colemine Records, o álbum The Way Home é o quarto disco de estúdio do grupo e apresenta 12 instrumentais que dropam as clássicas ondas do soul, funk, jazz e afro. O som dos caras carrega uma atmosfera cinematográfica e traz forte influência de nomes como Isaac Hayes, Ennio Morricone, Budos Band, Curtis Mayfield, Ebo Taylor, The Meters e Mulatu Astatke. Gostamos de todas as faixas presentes no repertório da trilha. Você só precisa apertar o play abaixo e deixar a sequência disparada pelos caras climatizar o ambiente aí na sua área.

Ikebe Shakedown | Colemine Records

Mangroovee no Ar #61: Diana, MF Doom, Black Rio, Q-Tip, Gorillaz e Planet Asia

Tá cada vez mais embaçado encontrar tempo para seguirmos atualizando nossa matriz, mas estamos dando um jeito de sempre passar aqui para deixar você por dentro de pelo menos uma parte daquilo que passa pelo radar do mangue em matéria de som. E, no meio de toda essa correria, quem nos ajudou foi a nossa amiga Mary G, que ficou na missão de montar a seleção do episódio #61 do Mangroovee no Ar. A deejay paulistana selecionou Greyboy, Chop Juggler, Apollo Brow, Planet Asia, Pete Rock & CL Smooth, Damu The Fudgemunk, MF Doom, Gorillaz, Q-Tip, Sérgio Mendes, Moacir Santos, Diana, Black Rio, Dizzie Gillespie, C+C Factory Music, Quantic, Senior Soul e DV Tribo. Chega mais no player abaixo para conferir mais uma sessão da saga comandada pelo Mangroovee na Rádio Educativa FM 106,7. Se você gostar, nos ajude a propagar a boa música compartilhando o trampo ai na sua área.

Mangroovee no Ar | Mary G

Rap, funk, jazz e brazuca embalam a mix Marytape #1, da DJ Mary G. Ouça

Residente da festa Jazzkate e idealizadora da celebração Unity, ambas da cidade de São Paulo, a deejay Mary G. colou na última edição do nosso baile Chumbo Grosso e não deixou ninguém parado no salão. Se você ainda não teve a chance de ver a paulistana em ação nos toca-discos, a boa é chegar no player abaixo para escutar a produção Marytape #1, onde ela gira nomes como Anderson Paak, Groover Brookzill, Washington Jr, Jamés Ventura, Miles Davis, Oshun, Mano Brown, Jay Dilla, Erikah Badu, Childish Gambino, Jurassic 5, Jay Z e muito mais em 42 minutos de som. “Aos guardinhas da mixagem, ouçam de coração aberto. Fiz o melhor que consegui no tempo que tinha. Aos amantes da boa música, aproveitem. Espero que curtam.”

DJ Mary G.

O DJ PG comandou os toca-dicos antes do show do Thundercat, no Jazz na Fábrica. Ouça na íntegra

A lendária choperia do SESC Pompéia recebeu mais uma apresentação memorável no último final de semana. Estamos falando sobre os dois shows feitos pelo cantor, produtor e multinstrumentista Thundercat, que chegou na maior categoria na zona oeste de São Paulo e climatizou o Jazz na Fábrica com as faixas do disco Drunk, lançado no inicio do ano. Além de conferir o mano disparando temas como Tokyo, Friend Zone e Jethro, o público ainda foi presentado com o DJ PG (Elo da Corrente/Zulumbi) no comando dos toca-discos. O paulistano girou os pratos e mixou faixas de Kamasi Washington, Hubert Laws, Mayer Hawthorne, Robson Jorge & Lincoln Olivetti, NxWorries, Flying Lotus, entre outros. Você só precisa ficar à vontade aí desse lado e apertar o play abaixo para conferir a sessão completa comandada pelo deejay. Também aproveitamos o gancho e colocamos aqui o clipe do som Them Changes, um dos nossos vídeos preferidos do músico com nome de desenho.


DJ PG | Thundercat

Drumahmental é a nova beat tape do produtor baiano Dr. Drumah. Ouça na íntegra

Nosso camarada Jorge Dubman, também conhecido pela alcunha de Dr. Drumah na hora de dropar os beats, despachou no final de maio mais um trabalho de alta qualidade. O registro Drumahmental, lançado dois meses depois da excelente beat tape 90´s Mindz, trilha vossa manhã de quarta-feira com 12 instrumentais que apresentam a faceta jazzística do produtor. Gravado no estúdio Kzah 04 Records, em Salvador, na Bahia, o trampo foi distribuído pelos quatro cantos do mundão pelo selo holandês IBMCs.

Preparado com recortes milimétricos, vários samples de jazz, além de caixa e bumbo embalados em baixos bpm´s, o novo release do bom baiano ainda traz os riscos do DJ Beatchukaz, que chegou diretamente da cidade de Novi Sad, na Sérvia, para colaborar em 5 temas. Batidas brasileiras e riscos sérvios lançados por uma gravadora de Amsterdam. Só mais uma prova de como a música do amigo Dubman é global e segue quebrando barreiras. Não deixe de apertar o play e fortalecer o corre baixando o release, que tem a capa no melhor estilo Blue Note Records assinada pela italiana Ilaria Di Stani. Link para download ao final do post.

Dr. Drumah | Download Drumahmental

Navegue pelas águas do jazz no novo disco da trompetista Yazz Ahmed, La Saboteuse

Dona de um currículo que traz trabalhos ao lado de nomes como Radiohead, Jazz Jamaica, Toshiko Akiyoshi, Max Romeo e Lee Perry, a trompetista e compositora Yazz Ahmed estreia aqui no modesto endereço virtual do mangue com o disco La Saboteuse – O Sabotador, em francês. Natural do Bahrein, no Oriente Médio, mas radicada desde os nove anos de idade em Londres, a mana despachou o álbum em questão no mês passado pelo selo Naim Jazz. Prensado naquele enxuto modelo de 180g e disponível em apenas 500 cópias – todas esgotadas, por sinal – o álbum embala vossa segunda com música de primeira ao som das 13 faixas do repertório.

Retirado do forno seis anos depois do long play Finding My Way Home, o novo registro de Yazz foi dividido em quatro capítulos, onde cada um deles traz uma ilustração diferente da talentosa artista britânica Sophie Bass. “Ninguém nunca tinha criado arte a partir da minha música. Foi muito especial a colaboração dela”, disse Ahmed em entrevista no Reino Unido.

Se você também gostou da capa, pode botar uma fé na indicação do Mangroovee e apertar o play porque o instrumental mantém a mesma qualidade do desenho. É só aumentar o volume e embarcar numa longa viagem pautada pelo jazz experimental, mas que também apresenta bastante psicodélia e várias referências sonoras do mundo árabe. Encosta aí, vai…

Yazz Ahmed

Trocando Ideia #17: Sono TWS e Laylah Arruda lançam o single Pequenos Templos

Dois grandes nomes da música independente tupiniquim que passam direto aqui no mangue e sempre atendem nossa equipe na maior camaradagem acabaram de soltar um excelente trampo na rede. Estamos falando do nosso amigo Sono TWS e da cantora Laylah Arruda, que trincaram a parceria e soltaram hoje pelo selo Tired Of People o single Pequenos Templos. Se você acompanha nossas atualizações, com certeza já escutou alguma das beat tapes do produtor oriundo de Jundiaí, no interior de São Paulo, e também conferiu o trabalho da paulistana no coletivo Feminine Hi-Fi ou ao lado da banda Santa Groovee. Trocamos uma ideia bem dahora com a dupla sobre a música em questão e vossa senhoria só precisa apertar o play abaixo enquanto confere a entrevista. Caso goste do resultado, acesse o link ao final do post e abençoe sua HD com a faixa.

1 – Você lançou muito mais beat tapes do que instrumentais em parceria com cantore(a)s. A faixa O Mundo é Música, que saiu no disco Jah Bless Ventura, do Jamés Ventura, foi uma exceção. Qual a diferença entre criar a batida para uma tape e fazer um trabalho com alguém cantando em cima da base?

Sono TWS: A diferença é que o processo criativo de uma beat tape é bem individual, diferente do trabalho feito em parceria com alguém. Tenho um arsenal de beats e procuro escolher as produções que tem a ver com cada pessoa. Quando rola a identificação, o trabalho flui. Ainda não tive oportunidade de criar um instrumental feito especialmente para determinado artista.

2 – Como aconteceu o encontro entre o trampo de vocês?

Sono TWS: Já éramos amigos e tínhamos conhecimento do trabalho de cada um. Até que certo dia conversamos sobre fazer algo em parceria e mostrei algumas batidas que tinha por aqui. Depois ela me mandou uma guia e começamos a desenrolar todo o processo. Gravamos as vozes no estúdio Dubatak Records, do Jeff Boto, e mixamos a música com o Tiago Frúgoli. Ficou tudo entre amigos e acredito que isso tenha colaborado bastante para o resultado final do som.

3 – Existe a possibilidade do trampo sair em compacto ou em algum outro formato?

Sono TWS: Vamos soltar esse som na rua e esperar a repercursão. Acreditamos que nesse momento não sairá em formato físico, mas no futuro quem sabe. Talvez cortar uns dubplates para experimentar nas festas. Temos interesse em manter essa parceria, acredito que quem ouvir a faixa vai perceber a sintonia do nosso trabalho. Mostrei vários beats para a Laylah, já separamos alguns e estamos deixando a natureza ditar o tempo, sem pressa.



4 – Depois do lançamento do single, quais são os próximos passos do selo Tired Of People?

Sono TWS: Entre julho e agosto vou lançar minha próxima beat tape, We Can Get Along, em cassete e pretendo soltar em vinil. Conversei com o pessoal de fora e estou pesquisando por aqui para ver se é viável ou não. O corre é independente, tudo tem um custo para sair do papel mas teremos novidades nos próximos meses.

5 – Já tínhamos escutado você cantando em várias vertentes ao lado da banda Santa Groove e em alguns riddims, mas nunca em um boom bap cheio de referências do jazz. Como foi soltar a voz no beat do Sono e, na sua opinião, quão importante é para o artista sair da zona de conforto e transitar por diferente vertentes musicais?

Laylah Arruda: A música jamaicana é o universo onde tenho mais experiência para plantar minhas composições. Já são 12 anos de atividade no cenário Sound System e isso cria uma familiaridade cada vez maior com o reggae e todas suas vertentes. O trabalho com meus irmãos do Santa Groove me ajuda muito a explorar outras vertentes que tanto gosto, mas ainda não tinha rolado a oportunidade de realizar oficialmente.

A cultura reggae de sistemas de som é uma grande escola porque apresenta um modus operandi em que o Toaster ou Singjay (meu caso, que é a emcee melódica) precisa se virar para encaixar a voz nos riddims que o seletor toca. Nada combinado, sempre no estilo livre. Além disso, quando falamos de dubplates (músicas exclusivas encomendadas por equipes ou seletores), a demanda é alta e fazemos vários temas em um único dia de estúdio. Isso exercita a capacidade de compor na hora e ser rápida no gatilho quando apertam o REC.

Acredito que essa bagagem me possibilite navegar por outros mares de um jeito mais massa. De fato, Pequenos Templos é uma saída da zona de conforto, mas eu encaro como um revival em certo aspecto. Meu primeiro mergulho real na música, como apreciadora e arriscando pequeníssimas gravações, foi fazendo Rap. Sinto esse trabalho como uma imensa realização de sonho. Algo que devaneava na adolescência e hoje posso concretizar exatamente com a sonoridade que sempre imaginei.

6 – A letra do som fala sobre relações afetivas, que é um tema bastante discutido nos dias atuais, onde tudo vira muito instantâneo e passageiro. Qual a mensagem que você tentou passar para quem escutar a faixa?

Laylah Arruda: Que não precisamos de muito para amar, mas devemos nos permitir. Em tempos de consumo, status e egos inflados, a gente parece mais correr atrás de legitimar o nosso avatar do que dedicar espaço e energia pra amar alguém. Então Pequenos Templos cria um universo do particular, de como cada pequena e delicada atitude cria castelos de emoção. E, pelo menos pra mim, isso é amar. Sem medos, sem rodeios, simples.

Laylah Arruda | SonoTWS | Tired Of People

DJ Spinna ministra uma aula de boom bap na trilha 1996 Beat Tape Vol. 1. Ouça

Embalada somente por instrumentais produzidos pelo DJ Spinna em meados de noventa e seis, a trilha 1996 Beat Tape Vol. 1 é o mais novo lançamento do selo Redefinition Records, ou apenas Redef. Disponível em acetato e também no formato cassete, o registro traz o deejay/produtor oriundo do bairro do Brooklyn, nos EUA, ministrando uma verdadeira aula de como tirar um som com as máquinas EmuSP-1200 e Akai S950. Com caixa e bumbo batendo em perfeita sintonia nas 18 faixas, o repertório da fita de batidas não para de tocar no expediente do mangue e acreditamos que também vai ser uma boa para climatizar a terça-feira nublada de vossa senhoria. Até o momento, a gravadora do mestre Damu The Fudgemunk liberou o lado A da tape para streamming no SoundClound. Você pode escutar exatos 18 minutos e 22 segundos de DJ Spinna on the beat no player abaixo para entender por que ele é requisitado em trabalhos assinados por Spike Lee, Stevie Wonder e Mos Def.

DJ Spinna | Redef Records