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Mangroovee no Ar #64: Entrevista SonoTWS, Killa Bi, Tetriz, Ogi, Blu & Exile

A edição passada do Mangroovee no Ar apresentou no primeiro bloco uma entrevista com nosso conterrâneo Drop. Quem chega na ideia no episódio de hoje, que foi transmitido pela estação rio-pretense na última semana, é o camarada Sono TWS. O produtor oriundo de Jundiaí, no interior de São Paulo, lançou pelo selo Tired Of People a beat tape We Cant Get Along e conversou com o DJ Mangue sobre máquinas, influencias musicais, fitas cassetes, próximos planos, entre outros assuntos.

Além da prosa, também climatizamos a sessão com nove produções presentes no repertório da fita de batidas despachada pelo nosso mano. Você ainda confere músicas na conta de Rodrigo Ogi, Killa Bi, Emedeze6, Tetriz, Blu & Exile, Da Grassroots, Projetonave, Johnny Osbourne, Pete Campbell e Milton Henry. Gostaríamos de agradecer ao Sono por ter fechado mais essa com a gente e a todo mundo que acompanha o trabalho do Mangroovee. Se gostar do resultado, compartilhe o player aí na sua área.

Mangroovee no Ar #63: Entrevista Drop, Rimas & Melodias, Ba-Boom e André Sampaio

Transmitido no último dia 25 pela Rádio Educativa FM, de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, o episódio de número 63 do Mangroovee no Ar entrevistou nosso camarada Drop, que lançou no mês passado o EP Sete Flechas. Além da ideia trocada com o emcee rio-pretense no primeiro bloco, também embalamos a noite com outras três parte ao som de de Wu-Tang Clan, Zilla Sonoro, Ba-Boom, Laylah Arruda, André Sampaio, Sharon Jones & the Dap-Kings, Ikebe Shakedown, Rimas & Melodias, Skinnyman e Charles Bradley. É só apertar o play abaixo e conferir mais um capítulo da nossa saga nas ondas das frequências moduladas.

Mangroovee no Ar #58: 10 Anos do disco Superação, do Contra Fluxo

Durante os 7 anos de caminhada do Mangroovee e os 28 de vida desse que vos escreve por aqui, o disco Superação, do Contra Fluxo, é, com certeza, a trilha número 1 do nosso expediente. Escutamos todo dia pelo menos uma faixa do clássico álbum duplo lançado em 2007 pelo grupo paulistano formado por Mascote, Ogi, Munhoz, Dejavu e DJ´s Big Edy e William. Aproveitamos o aniversário de 10 anos do registro e acionamos nosso camarada Mascote para tirar do forno uma edição especial do Mangroovee no Ar sobre uma década de vida do trabalho em questão. Além do integrante do Contra, também trocamos ideia – via whats app – com Rodrigo Brandão, Dario Beats e Jamés Ventura, que são alguns dos convidados da trilha.

Gostamos bastante do episódio abaixo. É louco demais ter o aval dos caras e ajudar a propagar um trabalho tão importante na história do mangue. Logo mais, a partir das 22h, você vai poder conferir no rolê de carro a sessão na Rádio Educativa FM. Porém, se tiver afim de conferir agora, é só chegar no play. Gostaríamos de agradecer a todo mundo que fortalece nosso trabalho. Um salve especial para Mascote, Rodrigo Brandão, Jamés Ventura e Dario Beats, que toparam fazer essa edição. Vida longa ao Contra Fluxo e a todos aqueles que fazem música com o coração.

Mangroovee no Ar | Contra Fluxo

Trocando Ideia #18: Red Lion estreia com o excelente EP De Onde Eu Vim

Retirado do forno da Família Macaroni no final do último mês de abril, o EP De Onde Eu Vim marca a estreia do MC Red Lion em um trabalho de estúdio. O registro apresenta o leão vermelho oriundo do Jardim Zaíra, bairro da cidade de Mauá, deslizando a levada em cinco instrumentais assinados por DJ B8 (ProjetoNave), Jeff Botto, Fya Sound e Amanajé Riddims. Se você já teve a chance de ver o mano comandando o baile ao lado de equipes de som como J*Z Sound System e Paz & Dub Seletores, vossa senhoria deve ter percebido que Red Lion é um dos mestres de cerimonias mais originais da cena. Nós já tínhamos feito contato com os manos, mas, devido ao corre diário dos dois lados, conseguimos subir somente agora a entrevista aqui na matriz do Mangroovee. Sem mais delongas, aperte o play abaixo e boa leitura.

1 – Fica bem claro no título do EP De Onde Eu Vim que você tem bastante orgulho aí da sua área, o Jardim Zaíra, em Mauá. Como foi crescer por aí e, falando especificamente do bairro, quais foram suas primeiras influencias e experiencias musicais no JZ?

Red Lion: De Onde Eu vim é a vida no Jardim Zaíra, é a cultura SoundSystem Reggae aqui do Brasil. Essas são as maiores referências para esse trabalho em matéria de geografia e sonoridade. Sou filho de nordestinos e cresci no Zaíra nos anos 90. Tinham poucas favelas nessa época e algumas ruas de barro, que eram onde eu brincava com meus primos. Também nos reuníamos muito na casa da minha avó. Era muita correria para os meus pais, mas a gente não sentia isso. Primeiro veio o Reggae. Meu tio João me levou em um show do Tribo de Jah quanto eu tinha uns 14 anos. Depois veio Bob Marley e toda linhagem roots da Jamaica. O rap estava caminhando lado a lado, com vários grupos nacionais e as coletâneas do Dinamite. E logo após isso vieram os artistas do bairro, caras que admirava e queria colar, como o Fumaça e o Fyahman do J*Z SoundSysytem, Dj Voddo e Beto Malfatti, do Triplex, entre outros. Só tinha monstro. Uma banca muito pesada e talentosa.

2 – Quão importante foi para sua formação como artista fazer parte do J*Z Sounds? E, na sua opinião, qual a importância da cultura sound system em meio ao cenário do reggae?

Red Lion: No J*Z SoundSystem eu aprendi a ser MC. Conduzir o cerimonial dos bailes, rimar em diversos estilos de riddims e gravar dubplates. O J*Z é uma grande escola pra mim. Esses dias eu estava pensando como o sistema de som é parecido com a fundação do Hip-Hop. Na minha opinião, o estilo DJ/MC SoundSystem significa liberdade. As pessoas colam nos eventos de rua exatamente pelo ambiente proporcionar isso, entende? Claro que também tem a música. O reggae ecoado pelas equipes de som é mais extenso, mais denso, tem mais amplitude.

3 – Antes do lançamento do EP, o single Quem é Essa Menina? e o som Novos Tempos, onde você chega em cima do beat do BIG, já estavam nas ruas. A gente ainda não tinha escutado você rimando em cima de boom bap e gostamos bastante do resultado. Em matéria de rap, quais são suas maiores influências e o que você anda escutando ultimamente?

Red Lion: Sempre escutei muito rap. Comecei com os nacionais, ouvindo as trilhas do Espaço Rap com meu primo Dudu. Ele também me apresentou muita coisa como Planet Hemp, Tupac, Nação Zumbi, as coletâneas do Dinamite eram dele. Depois veio a febre do Wu-Tang no Zaíra. Muito rap com o Voddo, o Edel e o Chavão. Me levaram no Indie Hip-Hop, onde conheci muita gente realmente envolvida com a cultura. Os artistas favoritos foram mudando. Hoje em dia os que mais ouço são Bryson Tiller, Russ, Drake e Travis Scott Aqui do Braza eu gosto de Flora Matos, Mano Brown, Rael e Cacife Clandestino.

4 – O EP De Onde Eu Vim é o primeiro lançamento da Família Macaroni. Conta mai como surgiu a ideia da FM e quais são os próximos planos do coletivo?

Red Lion: Família Macaroni nasceu de uma brincadeira num baile do Paz & Dub, em Franca. Acho que foi um tune do Ganja Groove que falava “HolyHoly Macaroni” e essa fita virou meio que o grito de guerra, saca? Mas parece que está se tornando algo maior. Todo mundo precisa de uma Família. Então Julio Polo e eu decidimos criar a nossa, baseada nos princípios de Lealdade, Unidade e Fraternidade. Além de ser uma fraternidade, a Família Macaroni trabalha como produtora e selo. Estamos trabalhando no lançamento do meu próximo EP e vamos anunciar muita coisa nova até o final do ano.

5 – Queríamos te dar parabéns pelo trampo. Achamos o resultado muito bom, bem original. Como foi o processo criativo do trabalho e qual a sensação de colocar o EP nas ruas?

Red Lion:  Sou muito grato pelo carinho de todos que ouvem as músicas e mandam um salve. Foi muito bom todo processo de gravação com meu mano Jeff Botto. Aprendi bastante. O dia do lançamento foi foda. Os amigos colaram aqui no estúdio. Meu primeiro disco, né? Então é muito loco ver a capa, seu nome no bagulho e tudo mais. Quero aproveitar e deixar um salve para o Premier King, que é o responsável por assinar a capa e a identidade visual do EP.

6 – Existe a possibilidade do registro sair em algum formato físico? Agora é com você, Red. Deixa seus contatos para quem quiser levar a apresentação até outras áreas do país, baixar o EP e tudo mais…

Red Lion:  O EP sai na primeira semana de agosto no formato tradicional de CD. Um salve para todo mundo do Jardim Zaíra, Mauá e todos da cultura SoundSystem, Reggae e Rap. Seguimos trabalhando. Fiquem sintonizados que muito em breve tem trabalho novo a caminho. Tamo junto Mangroovee. Muito obrigado pela oportunidade!

Red Lion | Download EP De Onde Eu Vim

Trocando Ideia #17: Sono TWS e Laylah Arruda lançam o single Pequenos Templos

Dois grandes nomes da música independente tupiniquim que passam direto aqui no mangue e sempre atendem nossa equipe na maior camaradagem acabaram de soltar um excelente trampo na rede. Estamos falando do nosso amigo Sono TWS e da cantora Laylah Arruda, que trincaram a parceria e soltaram hoje pelo selo Tired Of People o single Pequenos Templos. Se você acompanha nossas atualizações, com certeza já escutou alguma das beat tapes do produtor oriundo de Jundiaí, no interior de São Paulo, e também conferiu o trabalho da paulistana no coletivo Feminine Hi-Fi ou ao lado da banda Santa Groovee. Trocamos uma ideia bem dahora com a dupla sobre a música em questão e vossa senhoria só precisa apertar o play abaixo enquanto confere a entrevista. Caso goste do resultado, acesse o link ao final do post e abençoe sua HD com a faixa.

1 – Você lançou muito mais beat tapes do que instrumentais em parceria com cantore(a)s. A faixa O Mundo é Música, que saiu no disco Jah Bless Ventura, do Jamés Ventura, foi uma exceção. Qual a diferença entre criar a batida para uma tape e fazer um trabalho com alguém cantando em cima da base?

Sono TWS: A diferença é que o processo criativo de uma beat tape é bem individual, diferente do trabalho feito em parceria com alguém. Tenho um arsenal de beats e procuro escolher as produções que tem a ver com cada pessoa. Quando rola a identificação, o trabalho flui. Ainda não tive oportunidade de criar um instrumental feito especialmente para determinado artista.

2 – Como aconteceu o encontro entre o trampo de vocês?

Sono TWS: Já éramos amigos e tínhamos conhecimento do trabalho de cada um. Até que certo dia conversamos sobre fazer algo em parceria e mostrei algumas batidas que tinha por aqui. Depois ela me mandou uma guia e começamos a desenrolar todo o processo. Gravamos as vozes no estúdio Dubatak Records, do Jeff Boto, e mixamos a música com o Tiago Frúgoli. Ficou tudo entre amigos e acredito que isso tenha colaborado bastante para o resultado final do som.

3 – Existe a possibilidade do trampo sair em compacto ou em algum outro formato?

Sono TWS: Vamos soltar esse som na rua e esperar a repercursão. Acreditamos que nesse momento não sairá em formato físico, mas no futuro quem sabe. Talvez cortar uns dubplates para experimentar nas festas. Temos interesse em manter essa parceria, acredito que quem ouvir a faixa vai perceber a sintonia do nosso trabalho. Mostrei vários beats para a Laylah, já separamos alguns e estamos deixando a natureza ditar o tempo, sem pressa.



4 – Depois do lançamento do single, quais são os próximos passos do selo Tired Of People?

Sono TWS: Entre julho e agosto vou lançar minha próxima beat tape, We Can Get Along, em cassete e pretendo soltar em vinil. Conversei com o pessoal de fora e estou pesquisando por aqui para ver se é viável ou não. O corre é independente, tudo tem um custo para sair do papel mas teremos novidades nos próximos meses.

5 – Já tínhamos escutado você cantando em várias vertentes ao lado da banda Santa Groove e em alguns riddims, mas nunca em um boom bap cheio de referências do jazz. Como foi soltar a voz no beat do Sono e, na sua opinião, quão importante é para o artista sair da zona de conforto e transitar por diferente vertentes musicais?

Laylah Arruda: A música jamaicana é o universo onde tenho mais experiência para plantar minhas composições. Já são 12 anos de atividade no cenário Sound System e isso cria uma familiaridade cada vez maior com o reggae e todas suas vertentes. O trabalho com meus irmãos do Santa Groove me ajuda muito a explorar outras vertentes que tanto gosto, mas ainda não tinha rolado a oportunidade de realizar oficialmente.

A cultura reggae de sistemas de som é uma grande escola porque apresenta um modus operandi em que o Toaster ou Singjay (meu caso, que é a emcee melódica) precisa se virar para encaixar a voz nos riddims que o seletor toca. Nada combinado, sempre no estilo livre. Além disso, quando falamos de dubplates (músicas exclusivas encomendadas por equipes ou seletores), a demanda é alta e fazemos vários temas em um único dia de estúdio. Isso exercita a capacidade de compor na hora e ser rápida no gatilho quando apertam o REC.

Acredito que essa bagagem me possibilite navegar por outros mares de um jeito mais massa. De fato, Pequenos Templos é uma saída da zona de conforto, mas eu encaro como um revival em certo aspecto. Meu primeiro mergulho real na música, como apreciadora e arriscando pequeníssimas gravações, foi fazendo Rap. Sinto esse trabalho como uma imensa realização de sonho. Algo que devaneava na adolescência e hoje posso concretizar exatamente com a sonoridade que sempre imaginei.

6 – A letra do som fala sobre relações afetivas, que é um tema bastante discutido nos dias atuais, onde tudo vira muito instantâneo e passageiro. Qual a mensagem que você tentou passar para quem escutar a faixa?

Laylah Arruda: Que não precisamos de muito para amar, mas devemos nos permitir. Em tempos de consumo, status e egos inflados, a gente parece mais correr atrás de legitimar o nosso avatar do que dedicar espaço e energia pra amar alguém. Então Pequenos Templos cria um universo do particular, de como cada pequena e delicada atitude cria castelos de emoção. E, pelo menos pra mim, isso é amar. Sem medos, sem rodeios, simples.

Laylah Arruda | SonoTWS | Tired Of People

Trocando ideia #16: O singjay Likkle Jota e a cultura Sound System

Oriundo da cidade de Coroados, no interior do Estado de São Paulo, Likkle Jota é um dos singjays – combinação de cantor e deejay – que vem ganhando cada vez mais espaço nos bailes promovidos por diferentes equipes de todo o país. Depois de passar alguns anos residindo em Campinas, o cantor mudou-se de vez para a capital paulista, onde coleciona apresentações ao lado de nomes como Quilombo Hi Fi e SmokeDub Posse, além de lançar os discos Ioruba Nation, de 2016, e Style N Fashion, que foi retirado do forno no último mês de março. Likkle ainda traz no currículo faixas com instrumentais assinados por Jeff Boto (Dubatak) e dubplates cortadas para sistemas de som como DeSkaReggae, Favela SS, Paz & Dub e Muamba Sounds.

Trocamos uma ideia com o protagonista da história sobre o início da caminhada, cultura Sound System, referências musicais e por aí vai. Aperte o play para conhecer o trabalho enquanto você lê mais uma entrevista na matriz do mangue.

1 – Você canta muito bem nas produções de reggae digital e também chega pesado nas sessões ao lado dos sistemas de som. Quando começou sua caminhada na música jamaicana e como surgiu a parceria com os Sound Systems?

Likkle Jota: Primeiramente, quero mandar um grande salve ao Mangroovee. É uma honra poder trocar essa ideia com vocês. Eu canto já faz um tempo e tive a chance de trabalhar com gêneros musicais como rap, samba, mpb, entre outros. Até que em 2013, quando fazia parte de um grupo chamado A RUA’NDA, fui em uma festa em Campinas, onde Flavio Rude, do Muamba Sounds, estava tocando reggae music. Me liguei que ele lançava vários instrumentais e perguntei se podia cantar. Desde então nunca mais parei. Ele me apresentou boa parte do que conheço hoje em matéria de Sound System. Também comecei a vir para São Paulo e o primeiro sistema que vi em ação foi o KASDUB, na pista de skate em Tiquatira.

2 – Ainda falando sobre a cultura Sound system, na sua opinião, qual a importância dela para o cenário do reggae nacional?

Likkle Jota: É crucial em vários aspectos. O sistema de som agrega conhecimento, referências históricas e um grande acervo musical. Acredito que as músicas tocadas nas vitrolas das festas de reggae trazem uma realidade mais próxima daquilo que vivemos no nosso cotidiano. Isso faz com que a gente coloque em prática algumas atividades que os jamaicanos também fizeram na ilha, mudando, de uma certa forma, a mensagem que chega até a sociedade.

3 – Quais são suas principais referências em matéria de emcees e produtores na música jamaicana?

Likkle Jota: Tenho como referência muitos singjays, gosto da gama de cantores vindos da Jamaica. Eccleton Jarret, Garnet Silk, Dennis Brown, Junior Reid, Nitty Gritty e outros. Além dos grandes deejays que me fogem a conta. Tenho muito respeito pelo trabalho do Knomoh (Quilombo Hi Fi), que foi quem me acolheu, produziu meus trabalhos e de vários outros artistas brasileiros. Falando sobre as produções internacionais, gosto muito do Mad Professor, Martin Cambpell e King Tubby. São mágicos.

4 – Você já comandou o microfone em diferentes bailes no Brasil. Entre todas essas combinações de som, qual foi a sessão que mais ficou marcada na memória?

Likkle Jota: Essa é difícil. Se tratando das sessões ao lado dos sounds, é muito raro quando não bate pesado. Todo baile tem sua particularidade, aquele momento que fica cravado na mente, principalmente quando canto com pessoas que deram inicio à divulgação dessa cultura no Brasil, os professores. Agradeço todas as oportunidades que foram concedidas até agora.

5 – O disco Style N Fashion apresenta novamente sua dobradinha com o produtor paulistano Jah Knomoh, que também trampou ao seu lado no registro Ioruba Nation, de 2016. Qual a importância dele em todos esses processos?

Likkle Jota: O Knomoh foi o primeiro produtor a acreditar no meu trabalho. Ao longo do tempo criamos uma amizade, morei na casa dele e vimos que gostamos de muitas coisas em comum. Somos pretos e temos a natureza como referência da luta e da força maior. Ele me ajudou muito na evolução como cantor e me ensina constantemente sobre vários aspectos do Sound System. Respect, Knomoh.

6 – Como foi todo o processo do seu mais recente álbum, Style N Fashion, e qual foi a sensação de colocar o registro na rua?

Likkle Jota: Após o lançamento de Ioruba Nation, de 2016, que é um disco mais voltado para a mensagem, bem roots music, tive a necessidade de criar algo que fizesse o povo esquecer um pouco dos problemas. Vivemos em uma babilonia que entristece, precisamos de um momento de diversão para o Eu e Eu. Resolvi homenagear os anos 80 do reggae, trazendo como referencia produções, temas e melodias da época. Após um trabalho de seis meses com riddins nacionais e internacionais, me vi na obrigação de colocar o trabalho na rua e nas plataformas digitais. Todo esse processo é muito difícil para artistas independentes, então criei um material humilde, mas de respeito, que estou entregando nos shows. A sensação final de dever cumprido é maravilhosa. Estou muito feliz com o resultado.

7 – Agora é com você, Likkle. Quem tiver afim de ter uma dubplate e levar o LJ para cantar no baile precisa fazer como? Quais são os seus contatos?

Likkle Jota: Muito obrigado pelo suporte, Mangroovee. Geral pode escutar minhas músicas nas plataformas digitais. É só pesquisar Likkle Jota no YouTube, SoundCloud, Spotify, Google Play, iTunes e por aí vai. Contatos para shows e dubplates: descendentedeleao@gmail.com ou pelo telefone (11) 9 4221-7442. Big Up e saúde a todos.

Likkle Jota

Trocando ideia #15: O produtor baiano Dr. Drumah e a beat tape 90 Mindz

Nosso camarada Jorge Dubman é um mano muito versátil quando o assunto é música. Além de ter feito parte de projetos como Paraum, Dubstereo e Rádio Mundi, o baiano de Salvador também comanda as baquetas do super combo IFÁ e ainda encontra tempo para lançar instrumentais sob a alcunha de Dr. Drumah. Ele já passou na matriz do Mangroovee na companhia de todas essas bandas, mas é a primeira vez que o pseudônimo do baterista desembarca aqui no site com os beats na bagagem. Lançada pelo selo 77 Rise Recordings,  dos EUA, a beat tape 90 Mindz apresenta 16 instrumentais cheios de elementos da época de ouro do ritmo e poesia. Não vamos nos alongar demais na introdução porque trocamos uma ideia com o protagonista da história e a conversa rendeu bastante. Então aperte o play para escutar o registro e tenha uma boa leitura. Salve, Dubman!

1 – Como o próprio nome 90`s Mindz sugere, a sonoridade da trilha é totalmente influenciada pela era de ouro do rap. O registro traz vários recortes de nomes do peso de Pharcyde, A Tribe Called Quest e Common, além de caixa e bumbo bem calibrados. Quais outros artistas dessa época do rap também te influenciaram? E quais nomes da nova geração também fazem sua cabeça?

Dr. Drumah: Minha intenção foi resgatar a sonoridade da Golden Era. Passei quase um ano pesquisando timbres e estudando como os produtores da época cortavam os samplers, que na sua maioria eram mais de um corte com várias combinações. Todo o processo foi importante para conseguir implantar essa atmosfera na tape. Outros artistas da época que também me influenciaram e me influenciam até hoje são Pete Rock, Buckwild (D.I.T.C.), Lord Finesse, DJ Premier, Nick Wiz, Large Professor, DJ Spinna e J Dilla. Da nova geração tem uma galera nova muito boa que costumo escutar, como o Figub Brazlevic, Budamunk, Illsug, FloFilz, Elaquent, Ras G, Shungu, Wun Two, Lewis Parker e BlabberMouf.

2 – Falando especificamente sobre beats brasileiros, quais produtores nacionais apresentam um bom trabalho na sua opinião?

Dr. Drumah: Aqui no Brasil também tem uma galera responsa. O Sono TWS, O Tiago Frúgoli, Abud, Rodrigo Tuchê, Eduardo SantozBeatwise Recordings, Calmão (Mental Abstrato), Shaolin Drunk Monk, DJ TG, Sala 70, Cabes, Lucas Pizzol, Jr. Wize, a galera da Casa Brasilis, entre outros. O Brasil precisa conhecer o Brasil.

3 – Em relação ao processo criativo da beat tape, você gravou tudo em Salvador e ia trocando ideia com os caras da gravadora pela internet? Mandou tudo pronto? Como foi?

Dr. Drumah: Produzi e mixei tudo no Kzah 04 Records, meu laboratório aqui em Salvador. Já tinha enviado uma versão pronta de como seria mais ou menos o álbum e eles me deram um prazo para finalizar o processo de mix/máster, além de alguns instrumentais que fui atualizando. Eles já sabiam qual era a proposta sonora do disco e me deram total liberdade para trabalhar. Produzi 70% dos beats no FL Studio e os outros 30% foram feitos na MPC 1000 e na SP-303.

5 – 90`s Mindz é seu primeiro trampo lançado pela 77 Rise Recordings. Como aconteceu esse encontro entre você e a gravadora? E como está sendo lançar a beat tape com o suporte dos caras?

Dr. Drumah: Isso tudo se deve ao Sono TWS, amigo responsável por fazer essa ponte e tornar a possibilidade real. Falei que estava fazendo um trabalho focado na década de 90 e queria muito lançar no formato cassette. Ele pediu para escutar e ficou de mostrar para alguns contatos dele na gringa. Certo dia ele me escreveu dizendo que o pessoal do 77 Rise Recordings tinha gostado muito e queria fazer o lançamento da trilha. O Matt Bloom, um dos sócios do label e que também é beatmaker, entrou em contato comigo e acertamos tudo.

Está sendo ótimo lançar por um selo de outro país. Já produzi algumas trilhas para artistas da cena alternativa dos EUA e Europa (Marchitect of The 49ers, Glad2Mecha, Melodiq) , mas sem essa experiencia de ter o suporte de uma gravadora, saca? Eles fazem uma ótima divulgação de todo o trabalho e conseguem atingir o público certo. A pré-venda e o feed back estão sendo ótimos. Espero que ainda venham outros trabalhos.

6 – Quem tiver afim de pegar uma cópia física precisa ficar ligado em quais endereços?

Dr. Drumah: É só entrar em contato comigo através da page Dr. Drumah & Kzah 04 Records ou no meu perfil pessoal Jorge Dubman. Lembrando também que quem quiser adquirir a fita cassette, pode fazer o pedido diretamente no BandCamp da 77 Rise Recordings.

Dr. Drumah | 77 Rise Recordings

Trocando ideia #14: O MC Matéria Prima lança o vídeo de Sai Na Marra

A última semana foi bastante agitada porque estávamos correndo com a produção do nosso primeiro baile na Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte, onde estamos morando desde o início de 2016. E como já nos recuperamos da celebração, voltamos aos trabalhos virtuais para atualizar o site com a mais recente entrevista feita pelo mangue. Referência no nosso expediente desde sempre, o Matéria Prima, ex-integrante dos coletivos Quinto Andar e Subsolo, é mais uma vez a bola da vez na matriz.

Depois de lançar no mês passado o excelente disco 2 Atos, que traz produção musical na conta de Gui Amabis (Instituto), o MC mineiro abasteceu o YouTube no último dia 15 com o excelente clipe da faixa Sai Na Marra. Assinado pelo diretor Gustavo Amaral, responsável por dirigir também o clipe de Hahaha, do Rodrigo Ogi, o vídeo embala a levada de Matéria Prima com várias imagens de filmes blaxploitation.

Tínhamos trocado uma ideia com o protagonista da história em janeiro, logo depois do lançamento do álbum, mas devido à correria de ambos os lados, só conseguimos colocar agora a conversa no ar. Então chega no play para conferir a produção audiovisual e escute o álbum completo enquanto você lê a entrevista.

1 – A gente tá ligado no seu som desde a época do Quinto Andar. Você também fez parte do Subsolo, lançou EP e disco em carreira solo, além do trampo nos vocais da banda Zimun. Todos esses trabalhos sempre foram ligados ao rap. O disco 2 Atos bebe dessa fonte, mas você também sai da zona de conforto nas composições e solta a voz sobre diferente instrumentais, principalmente nas cinco primeiras faixas. Como foi o processo de criação e, na sua visão como artista, quão importante é sair dessa zona de conforto e se arriscar em outros estilos musicais?

Matéria Prima: Não estagnar. O risco se dá pela necessidade de descobrir os limites. O rap é um emaranhado de influências e a gente pode se espelhar de uma forma mais nítida em uma ou outra. O processo de criação é o reflexo disso. Esse disco foi feito em parceria com Gui Amabis na produção e participaram também Regis Damasceno, Dustan Gallas, Rica Amabis e Samuel Fraga. Um encontro muito interessante para fazer música, ainda mais vindo do rap, em que tudo é mais instintivo. Faço parte do Zimun, de Belo Horizonte, que ao longo do corre me proporcionou mais maturidade no desenvolvimento tanto da escrita quanto no canto.

2 – Na faixa 9, Sai na Marra, você cita o OGI, um dos nomes do rap nacional que também consegue transitar com naturalidade por diferentes vertentes sonoras. Na sua opinião, quais outros artistas da cena tupiniquim fazem isso de maneira bem feita?

Matéria Prima: Sombra, Criolo, Tassia Reis, Neto (Síntese), Black Alien, Lurdez da Luz, Elo da Corrente, Rodrigo Brandão, são alguns que experimentam e transitam bem entre outras vertentes sonoras.

3 – Ainda falando sobre o universo fora do rap. O que você escuta direto que os fãs das suas rimas não imaginam?

Matéria Prima: Porra, um monte de coisa. Tem fases. Tem hora que é puro rap, tem outra que é Christopher Cross, Chicano Batman, Little Beaver, Juçara Marçal, Gilberto Gil, Kiko Dinucci e por aí vai.

4 – O rap de Belo Horizonte também vem sendo muito bem representado por bancas como DV Tribo e Posse Cutz. Quem mais aí da área merece uma atenção especial?

Matéria Prima: Abu, Castilho, Well, Roger Deff, Shabê, Kainna Tawa, Tamara Franklin, Douglas Din e Kali. Somente citando alguns que estão na cabeça agora.

Matéria Prima | Zimun

Trocando ideia #13: O MC Pok Sombra lançou o disco Cartão Postal

No finalzinho de 2016, mais precisamente no dia 24 de dezembro, o MC Pok Sombra e o produtor Dario somaram forças e retiraram do forno o disco Cartão Postal. Já acompanhamos o trabalho dos dois há algum tempo e deixamos uma entrevista engatilhada com o rapper da cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Porém, como o início de 2017 tem sido bastante corrido, só conseguimos atualizar o mangue agora. Então, sem mais delongas, aperte o play abaixo e deixe o álbum climatizar o ambiente enquanto vossa senhoria lê a primeira entrevista do ano no Mangroovee.

1 – A faixa 100 Rap, do Zero Grau Kingz, foi seu primeiro som com o Dario? Como surgiu a ideia de fazer o álbum inteiro com ele?

Pok Sombra: Esse foi o primeiro som lançado na rua, mas já tínhamos outras guias gravadas que ainda estavam na gaveta. Eu estava trabalhando em algumas faixas com ele lá em Curitiba na mesma época que rolou a sessão com o ZGK e o Shaw. Então acabou dando certo juntar todo mundo e gravar o som. A ideia de fazer o disco veio a partir de umas músicas que bolamos pensando inicialmente para um EP com o nome de Da Água ao Vinho. Mas aí a parada rolou de forma tão natural que ele falou sobre gravar o álbum.

2 – Você mora em Pelotas, no RS, e o Dario na capital paranense. As gravações foram feitas à distância ou você passou um tempo em CWB

Pok Sombra: Fiquei alguns dias em Curitiba. Foram três sessões em um total de nove horas, onde trabalhamos pesado e gravamos 14 faixas. Uma delas acabou sendo retirada por motivos pessoais, ideias que eu não concordava mais em passar adiante. A faixa Rua 11, gravada em Pelotas, entrou no lugar dela e ainda ajustamos alguns detalhes lá na sweet home, como as vozes da Juliana Costa e a introdução feita pelo Zudizilla. A distância entre as duas cidades – 992 km – foi um fator que dificultou um pouco, mas a internet também ajudou bastante o processo. Recebi cerca de 40 instrumentais assinados pelo Dario e tive total liberdade para desenvolver meu rap.

3 – Na faixa Rua 11 você fala sobre o inicio da sua caminhada e relata influências musicais que rolavam na sua casa. O que mais você escuta fora do universo do rap?

Pok Sombra: Eu retrato o rolê pelo meu bairro na época de guri. Falo sobre grupos e artistas como Senzala, Cor Brasil, Tim Maia, Gal Costa, Gilberto Gil e muito mais. Sou fissurado em Roy Ayers, Dexter Wanzel, FunkadelicMilton NascimentoArthur Verocai, Max de Castro, Kool and The Gang e José Mauro. Todo mundo deveria conhecer a obra da minha conterrânea Giamarê, uma das pessoas mais especiais que já conheci. Se eu ficar citando, vou falar mil coisas e a lista nunca vai ter fim. Mas esses são alguns  que não canso de ouvir.

4 – O disco tem uma estética bem anos 90, com o Dario assinando produções no original estilo boom bap. O que você acha da onda do trap no cenário do rap atualmente? E, na sua opinião, quais artistas fazem bonito na hora de deslizar a levada sobre as bases de trap?

Pok Sombra: O disco saiu com essa sonoridade de maneira natural porque acabei usando os beats que conversavam melhor com minhas ideias. Acho legal o trap, mas penso que a galera ainda tá descobrindo qual a melhor maneira de encaixar o flow, criar os instrumentais e tudo mais. Independente de qual seja o estilo, só espero maturidade da galera envolvida nas músicas. Gosto de MC´s como Makalister, Nome Santo, ambos de Santa Catarina, além do BK e meus manos do Outro Nível. O Rincón Sapiência chegou passando por cima de todo mundo no single Ponta de Lança e o Zudizilla faz trap de um jeito que ainda não vi ninguém fazer.

Na verdade não sou especialista sobre o tema. Eu era meio chato com o lance de fazer barulho demais e não falar porra nenhuma. Tem mano falando merda somente para se manter na cena. Isso é feio demais com quem se preocupa em ser honesto com o público e consigo mesmo. Tenho vergonha de muita coisa que fiz e aos 28 anos não posso mais errar. Agora é hora de aproveitar esse momento hype e disparar uma porrada de ideia certa na cabeça da gurizada.

5 – O que mais a gente pode esperar do Pok Sombra

Pok Sombra: Tem clipe finalizado e um EP quase pronto. Acabamos de encerrar o vídeo da música Reconstruir, feito pelo Julian Eduardo, meu amigão de Porto Alegre, guri sangue bom que trabalha com uma visão bem de rua. Sou skatista e fiquei felizão depois de ver o trabalho pronto. Espero que a rapaziada goste. Quero agradecer ao Mangroovee pelo espaço e pela paciência. Andei viajando e não tinha tempo de responder, mas agora deu certo. Abraços da galera da Sweet Home. Nos aguardem!

Pok Sombra | Dario

Trocando ideia #12: DJ Basim é o campeão do DMC Brasil 2016

Somando mais de 15 anos na caminhada como deejay, nosso camarada e conterrâneo Daniel Egide, o DJ Basim, é a essência do Hip Hop. Iniciou seus primeiros passos como dançarino da Super Sonic B. Boys, primeira crew brasileira a competir no mundial de breaking, em Hannover, na Alemanha, no ano 2000. Quase duas décadas depois desse feito histórico, o rio-pretense voltou até o velho continente para representar novamente o Brasil como um dos quatro elementos da cultura. Mas, agora, a história foi diferente e o sangue bom do Basa teve a missão de comandar os toca-discos na etapa mundial do DMC, o campeonato mais importante do mundo em matéria de turntable.

Aproveitamos a deixa e escalamos nosso irmão Plínio Rozani, diretor de toda a parte audiovisual do Mangroovee, para gravar um trampo com o campeão nacional. Então não vamos nos alongar muito porque o conteúdo abaixo explica melhor toda a história do Basim e a rotina dele até a final da competição. Se quiser conhecer mais sobre os vídeos do mangue, o link do canal fica logo no final do post. Vida longa, DJ Basim. De São José do Rio Preto para o mundo.

DJ Basim | Essa Fita Memo