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Trocando ideia #3: Zudizilla e o lançamento do disco Faça a Coisa Certa

Para deixar vossa senhoria por dentro das novas atividades do mangue, informamos por meio deste que toda segunda-feira o site será atualizado com uma entrevista e o lançamento sonoro em questão. Iniciamos com a carioca Luana Karoo, mas você também pode conferir na aba Produções outras ideias que trocamos com nomes como Rodrigo Brandão, SonoTWS, Ramiro Mart, Thiago Frúgoli, entre outros.

Hoje nos passamos a bola para o MC Zudizilla, de Pelotas, no Rio Grande do Sul, que acabou de colocar na rede o excelente disco Faça a Coisa Certa. Lançado aos 45 do segundo tempo no ano passado, mais precisamente no dia 28/12, o trabalho vem embalado com 18 faixas bastante influenciadas pela estética do rap feito nos anos 90, época de ouro do ritmo e poesia. Rimas cruas, interlúdios, boom bap em todas as bases e o DJ Micha quebrando nos riscos e nas colagens.

Falando em deejay, foi nosso camarada de longa data DJ Magreen, que também faz a cultura acontecer no extremo sul do Brasil, quem apresentou o som do Zud pra gente. Fizemos a conexão São José do Rio Preto – Pelotas e conversamos com o mano sobre vários assuntos, mas a pauta principal seguiu sendo música. Se quiser dichavar o disco completo e a conversa inteira, só chegar ali embaixo. Muito trampo louco saindo de todos os cantos do país. Aperta o play, gente boa.

1 – Salve, Zud! O disco Faça a Coisa Certa chegou pesado com 18 faixas. Não é sempre que aparece um lançamento com esse número de músicas. Quanto tempo você demorou para elaborar o trampo e como foi o processo de criação? O que te inspirou?

Zudizilla: Demorou pouco mais de um ano. Foi embaçado entender exatamente como deveria cantar neste trampo, além de saber exatamente quem eu queria representar e de que maneira deveria fazer isso, tá ligado? Depois do lançamento da minha mixtape LUZ, de 2013, a rapaziada esperava algo menos sujo, mas não tem como fugir da minha essência. Me desconectei da grande rede durante esse período, sem contato muito profundo com a internet para entender meus reais motivos. Obras de gênios como Spike Lee, Lima Barreto, Jorge Amado, Alvares de Azevedo, Voltaire e Maquiavel me ajudaram muito nessa caminhada.

2 – O disco tem uma estética bem anos 90. Vários boom baps, rimas cruas e risco pra tudo que é lado. Quais são suas referências em matéria de rap?

Zudizilla: Eu vim do hardcore. Então quando tava rolando a Golden Era, escutava Black Flag, Bad Brains, Minor Threat e Suicidal. Conheci a cultura Hip-Hop através do graffiti e foi isso que me trouxe consciência coletiva, além de uma visão mais apurada para as relações sociais. Na época em que migrei pro rap, minha maior fonte era o Pok Sombra, que me mostrou Commom, Mos Def, Afu Ra, Lost Boyz, Wu Tang, Little Brother, Slum Village, Dilla, MadLib, MF Doom e por aí vai. Quinto Andar, Elo da Corrente, Contra Fluxo, Dominantes, GNZ, Matéria Prima e Guria Mangani são algumas das grandes referências nacionais.

3 – Entre todas as faixas, somente o som O Que Eu Sei, O Que Eu Vi tem participações de outros MC´s, no caso, Pok Sombra e H. Fuentes. Como aconteceu esse encontro?

Zudizilla: O Pok Sombra é meu parceiro de milianos. E escuto o som do Fuentes há muito tempo. Nós temos uma visão muito parecida em relação ao rap e acredito que a lei da atração funcionou nesse caso. Mas fiquem atentos no primeiro semestre do ano porque esse disco ainda vai trazer algumas surpresas. É só esperar pra conferir.

4 – Você representa a cidade de Pelotas. Como funciona a cena ai no extremo sul do Brasil? Quais nomes podemos ficar de olho?

Zudizilla:Aqui é um dos lugares mais doidos do mundo. Além do Pok Sombra, que tá chegando com um trabalho lindo, o Guido também liberou no final do ano passado um trampo pesado. Fiquem de olho em nomes como o Fill, Johnguen, Bova, “Guigo” Martins, Dime, Mano Rick, Outro Nível e o Zak Beats.

5 – Bem louca a ideia, mano. E quais são os planos a partir de agora?

Zudizilla: Ler bastante, fumar alguns, viajar Brasil afora e viver tudo aquilo que planejei com esse disco. Também tem a collab com a Ru, responsável pela identidade visual do trabalho, além de um projeto para prensar o Faça a Coisa Certa em vinil. Depois de fazer tudo isso, vou me sentir pleno e satisfeito para dar meus próximos passos.

Zudizilla

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